O preço dos créditos de descarbonização (CBios), do RenovaBio, voltou a subir. Na segunda metade de setembro, os CBios foram negociados entre R$ 86,85 e R$ 1 mil. O maior valor foi visto no dia 16, enquanto o menor foi registrado no penúltimo dia do mês.
Esta foi a primeira vez na história do programa que o preço do CBio chega a um valor tão alto, ultrapassando em 377,3% o recorde anterior, de R$ 209,50.
A disparada, entretanto, foi pontual: no dia útil seguinte, 19, os créditos voltaram aos patamares que vinham sendo registrados, sendo negociados entre R$ 85 e R$ 89,50.

Na última quinzena de setembro, os títulos foram negociados a uma média de R$ 87,55, uma alta de 17,7% ante o período anterior. A elevação quebra a sequência de quedas motivada pelo adiamento do prazo para cumprimento da meta anual, que passou de dezembro deste ano para setembro de 2023.
Segundo cálculos realizados pelo NovaCana com base nos dados da B3, única entidade verificadora do programa, o valor da quinzena está 24,6% acima da média histórica do programa, de R$ 70,26. Além disso, ele é 122,7% superior ao preço médio de 2021, de R$ 39,31. Entretanto, está 24,8% abaixo da média vista em 2022, R$ 116,39.

Desde a implantação das negociações, em junho de 2020, os CBios foram vendidos entre R$ 15 e R$ 1 mil. Neste ano, por sua vez, os preços variaram entre R$ 31,99 e R$ 1 mil.
“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.
Ao final da segunda quinzena de setembro, 28,30 milhões de créditos estavam em circulação. Além do número de CBios gerado no ano, o setor também conta com um excedente de 2021.
Do total, 79,6% estavam em posse das distribuidoras que contam com metas a cumprir, somando 22,51 milhões de créditos. Já as usinas certificadas detinham 5,54 milhões de títulos, ou 19,6% do montante. Os 242,86 mil créditos restantes (0,9%) estavam com investidores sem metas.

Para completar, 5,08 milhões de créditos foram aposentados em 2022, com 311,55 mil deixando de circular apenas nas últimas duas semanas de setembro. O volume representa 14,1% da meta do RenovaBio para 2022, de 35,98 milhões de CBios.
Considerando tanto os CBios aposentados neste ano quanto os ainda em circulação, o total disponibilizado ao mercado chega a 33,31 milhões. Este montante, por sua vez, seria suficiente para cumprimento de 92,6% da meta.

Como a B3 não informa quem solicitou a aposentadoria dos créditos, é possível que uma parte das aposentadorias seja referente a investidores que não têm compromissos com o programa. Ainda que esteja previsto que a retirada de títulos feitas pelas chamadas “partes não obrigadas” possa ser deduzida dos objetivos finais do RenovaBio, as aposentadorias de 2022 devem ser contabilizadas em 2023.
Entre 15 e 30 de setembro, as usinas certificadas no programa emitiram 1,76 milhão de CBios. O montante é mais do que o dobro ante o visto na primeira quinzena do mês, quando foram emitidos 863,93 mil títulos. O volume também representa um crescimento de 8,4% em relação ao mesmo período do ano passado.
Com isso, a quantidade de créditos gerada em 2022 chegou a 22,93 milhões. Na comparação anual houve uma queda de 1,3% – entre janeiro e setembro de 2021 foram emitidos 23,23 milhões de títulos.

De acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), até agora, as usinas certificadas no programa cadastraram notas fiscais suficientes para geração de 22,94 milhões de CBios. A expectativa é de que 7,52 mil créditos excedentes cheguem ao mercado nos próximos dias.
Desde o estabelecimento do RenovaBio até o momento, cerca de 72,41 milhões de títulos entraram no programa.

Ainda segundo a ANP, 317 unidades participam do RenovaBio. Destas, três fabricam biometano e outras 32, biodiesel. Dentre as 282 usinas de etanol certificadas, 271 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; seis processam cana e milho; quatro, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.
Giully Regina – NovaCana
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