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Apesar de prejuízo em 2020/21, Diana Bioenergia comemora resultados

Grupo teve perdas líquidas de R$ 14,45 milhões na temporada, mas Ebitda ajustado avançou 33% e chegou a R$ 108,13 milhões

NovaCana 11 min de leitura

Enquanto muitas sucroenergéticas conseguiram multiplicar seus lucros na safra passada, a Diana Bioenergia manteve sua sequência de resultados negativos em 2020/21. No período, o prejuízo combinado das empresas do grupo chegou a R$ 14,45 milhões, 175,2% maior que as perdas de R$ 4,1 milhões vistas no período anterior.

O valor, presente em relatório auditado pela KPMG, engloba as empresas Diana Bioenergia Avanhandava, Renata Sodré Viana Egreja Junqueira e Avanhandava Agropecuária. “As demonstrações financeiras combinadas do grupo podem não ser um indicativo da posição e performance financeira e dos fluxos de caixa que poderiam ser obtidos se o grupo tivesse operado como uma única entidade independente”, ressalva o documento.

Por sua vez, os números individuais da unidade industrial Diana Bioenergia Avanhandava foram publicados pela companhia no Diário Oficial de São Paulo e reportam um prejuízo ainda maior, com R$ 16,87 milhões. Neste caso, o valor é 252,1% superior às perdas do ano-safra anterior.

Apesar do prejuízo no resultado líquido do exercício, o relatório de administração da Diana destacou o resultado ajustado, com um lucro de R$ 17,12 milhões, avanço de mais de 3.000% na comparação com os R$ 537 mil de 2019/20. “Tais ajustes se fazem necessário para demonstrar o real desempenho do grupo. Sendo eles: os efeitos de derivativos não realizados, ajuste a valor justo de ativo biológico e variação cambial (não caixa)”, justifica a empresa.

Em entrevista ao NovaCana, o diretor administrativo e financeiro da Diana Bioenergia, Leonardo Perossi, explica que o reajuste é importante porque o resultado financeiro da companhia contabilizou números que não têm efeito no caixa. O impacto, segundo ele, aconteceu pela diferença entre os preços recordes do açúcar, vistos nos últimos meses da safra, e os valores fixados pela usina.

“Seguindo uma política de hedge, a Diana busca um preço que dá uma rentabilidade de 15% a 20%, já considerando todos os custos e despesas financeiras”, relata, citando um preço médio de R$ 1.620 por tonelada de açúcar para esta e as próximas duas temporadas. “Mas o mercado mundial surpreendeu e o preço do açúcar bateu a máxima histórica, ficando em torno de R$ 2.100 por tonelada. Contabilmente, eu tenho que registrar a diferença do que está fixado e do que está no mercado”, completa.

Ainda segundo a Diana, o Ebitda ajustado (que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, além de considerar especificidades do negócio) subiu 33,1% entre os dois últimos anos, indo de R$ 81,24 milhões na safra 2019/20 para R$ 108,13 milhões na temporada passada.

Leia mais sobre os resultados da Diana Bioenergia em 2020/21 e veja gráficos com o desempenho financeira do grupo e da usina no texto completo (exclusivo para assinantes).

Enquanto muitas sucroenergéticas conseguiram multiplicar seus lucros na safra passada, a Diana Bioenergia manteve sua sequência de resultados negativos em 2020/21. No período, o prejuízo combinado das empresas do grupo chegou a R$ 14,45 milhões, 175,2% maior que as perdas de R$ 4,1 milhões vistas no período anterior.

O valor, presente em relatório auditado pela KPMG, engloba as empresas Diana Bioenergia Avanhandava, Renata Sodré Viana Egreja Junqueira e Avanhandava Agropecuária. “As demonstrações financeiras combinadas do grupo podem não ser um indicativo da posição e performance financeira e dos fluxos de caixa que poderiam ser obtidos se o grupo tivesse operado como uma única entidade independente”, ressalva o documento.

Por sua vez, os números individuais da unidade industrial Diana Bioenergia Avanhandava foram publicados pela companhia no Diário Oficial de São Paulo e reportam um prejuízo ainda maior, com R$ 16,87 milhões. Neste caso, o valor é 252,1% superior às perdas do ano-safra anterior.

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Apesar do prejuízo no resultado líquido do exercício, o relatório de administração da Diana destacou o resultado ajustado, com um lucro de R$ 17,12 milhões, avanço de mais de 3.000% na comparação com os R$ 537 mil de 2019/20. “Tais ajustes se fazem necessário para demonstrar o real desempenho do grupo. Sendo eles: os efeitos de derivativos não realizados, ajuste a valor justo de ativo biológico e variação cambial (não caixa)”, justifica a empresa.

Em entrevista ao NovaCana, o diretor administrativo e financeiro da Diana Bioenergia, Leonardo Perossi, explica que o reajuste é importante porque o resultado financeiro da companhia contabilizou números que não têm efeito no caixa. O impacto, segundo ele, aconteceu pela diferença entre os preços recordes do açúcar, vistos nos últimos meses da safra, e os valores fixados pela usina.

“Seguindo uma política de hedge, a Diana busca um preço que dá uma rentabilidade de 15% a 20%, já considerando todos os custos e despesas financeiras”, relata, citando um preço médio de R$ 1.620 por tonelada de açúcar para esta e as próximas duas temporadas. “Mas o mercado mundial surpreendeu e o preço do açúcar bateu a máxima histórica, ficando em torno de R$ 2.100 por tonelada. Contabilmente, eu tenho que registrar a diferença do que está fixado e do que está no mercado”, completa.

Ainda segundo a Diana, o Ebitda ajustado (que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, além de considerar especificidades do negócio) subiu 33,1% entre os dois últimos anos, indo de R$ 81,24 milhões na safra 2019/20 para R$ 108,13 milhões na temporada passada.

Desempenho no campo e melhora operacional

A Diana ainda relata que, entre 2018/19 e 2020/21, reformou 70% do canavial. Com isso, o grupo atingiu uma média de 78,11 toneladas de cana por hectare na temporada mais recente, aumento de 22% em relação à safra anterior. Por sua vez, a qualidade da cana ficou em 146,28 quilos de açúcar total recuperável (ATR) por tonelada.

Assim, a companhia registrou um aumento de 15,4% na moagem, chegando a 1,38 milhão de toneladas de cana em 2020/21. Segundo a Diana, isso possibilitou a otimização do uso do parque industrial e, consequentemente, reduziu o peso dos custos fixos e aumentou a rentabilidade.

“Estamos realmente está muito felizes com este resultado”, comemora Perossi. “Para manter estes números, vamos seguir com uma taxa de renovação do canavial de 17% ao ano e continuar investindo em tratos culturais, manejo e plantio; enfim, adotando as melhores práticas. O objetivo é não deixar o canavial envelhecer”.

No período, o grupo e a usina registraram avanço no desempenho operacional: o lucro bruto agrupado foi de R$ 107,51 milhões, 218,3% maior que os R$ 33,78 milhões vistos na safra anterior. Por sua vez, a usina registrou R$ 105,93 milhões, um aumento anual de 232,57%.

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Isto foi possível principalmente por conta do avanço da receita líquida, que foi de R$ 275,87 milhões no resultado combinado e de R$ 275,80 quando se considera apenas a unidade industrial. Em comparação com 2019/20, os crescimentos foram de 55,7% e 56%, respectivamente.

Por sua vez, os custos aumentaram 21,4% para o grupo, chegando a R$ 182,74 milhões, e subiram 21,7% para a usina, fechando a temporada com R$ 184,25 milhões. Desta forma, a relação simples entre receitas e custos caiu 18,5 pontos percentuais no primeiro caso e 19 pontos no segundo, ficando em 66,2% no resultado agrupado e 66,8% no caso da usina.

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“Os números da safra 2020/21 refletem os nossos esforços de investimentos na renovação de canavial que fizemos nos últimos três anos, conseguindo otimizar a capacidade fabril da Diana e rentabilizar a operação”, afirma o relatório da administração.

A Diana também relata a comercialização de 55,41 mil créditos de descarbonização (CBios). Segundo a companhia, os títulos criados pelo RenovaBio geraram uma receita bruta de R$ 1,77 mil ao grupo.

Resultado financeiro e perfil da dívida

Com isso, a “responsabilidade” sobre o prejuízo líquido da Diana Bioenergia recai sobre seu resultado financeiro. Em 2020/21, o resultado combinado neste quesito representou perdas de R$ 113,97 milhões, com as despesas financeiras de R$ 143,56 milhões e o impacto cambial negativo de R$ 11,3 milhões sendo apenas parcialmente compensados por uma receita financeira de R$ 40,89 milhões.

Em relação à safra anterior, as perdas cambiais foram 10,7% menores. Em contrapartida, as receitas caíram 33,9% e as despesas cresceram 97,5%. Com isso, o prejuízo financeiro aumentou em 385,8%.

Segundo Perossi, como a diferença entre os preços recordes do açúcar no mercado mundial e os valores fixados pela Diana já foram contabilizados, as despesas financeiras devem ter uma redução significativa em 2021/22. “Este ano, não teremos mais esse efeito, pois o ajuste já foi lançado. Assim, o número será muito menor”, afirma, ressaltando que o valor visto em 2020/21 não teve efeito no caixa do grupo.

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Além disso, o grupo registrou um novo aumento em seu endividamento. Em 31 de março, a posição das dívidas líquidas foi calculada em R$ 172,13 milhões, elevação de 5,2% na comparação anual.

Já os débitos brutos totalizavam R$ 203,5 milhões no encerramento da safra, um aumento de 12,3% ante a posição de um ano antes, de R$ 181,22 milhões. A maior parte deste valor se refere à unidade industrial, que registrou uma dívida com empréstimos e financiamentos de R$ 191,21 milhões na mesma data.

Considerando o limite de vencimento, os valores devidos pelo grupo estão divididos quase que igualmente. No total, R$ 100,02 milhões são débitos que devem ser pagos ao longo da safra 2021/22, enquanto R$ 103,47 milhões possuem vencimento em médio e longo prazos.

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De acordo com o relatório de administração, a companhia tem o objetivo de diminuir seu endividamento. Em dois anos, a meta prevê a redução do atual índice de dívida líquida por tonelada, de R$ 125,18/t, para em torno R$ 30/t. “Tal redução continuará sendo feita com base em nosso planejamento de cinco anos, de forma saudável, sem comprometer a rentabilidade, liquidez e a operação”, afirma.

Leonardo Perossi, por sua vez, detalha que a estratégia inicial é ter um canavial mais produtivo, com um melhor ATR. Além disso, a companhia também pretende aproveitar o bom momento nos preços de açúcar e etanol em seus planos para reduzir os débitos. Para ele, mesmo com o aumento visto em 2020/21, a perspectiva de R$ 30/t é “bem factível”, devendo ser atingida ao final da temporada 2022/23.

“O objetivo da empresa é realmente reduzir o endividamento, que já está em patamares baixos em comparação com o setor. Também estamos melhorando a governança da companhia e, em breve, queremos formalizar a formação do conselho de administração”, relata.

Em seu relatório, a Diana ainda destaca a emissão de debêntures realizada em abril e que, por conta da data, não foi contabilizada nos resultados de 2020/21. A captação, no valor de R$ 75 milhões, foi dividida em duas séries: a primeira, de R$ 40 milhões, tem taxa de 100% de Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e sobretaxa de 5,8% ao ano; a segunda, de R$ 35 milhões, também pagará 100% de CDI, mas com uma sobretaxa anual de 5,2%. Ambas têm prazo total de cinco anos, sendo um de carência e quatro para pagamento.

Expectativas para o futuro

Para a atual temporada, o relatório da Diana coloca uma expectativa de moagem acima de 1,54 milhão de toneladas, com concentração de ATR de 136,6 kg/t e rendimento agrícola de 80,63 t/ha. Além disso, a partir da safra 2022/23, o objetivo é estabilizar a moagem em 1,6 milhão de toneladas, com produtividade de 85 t/ha e mais de 137,5 kg de ATR por tonelada.

Entretanto, levando em consideração os efeitos da seca e das recentes geadas, a companhia precisou rever seus números. “A gente reduziu [a projeção de moagem] para 1,4 milhão de toneladas, mas subimos o ATR para 144 kg/t”, revela Perossi.

De acordo com ele, a empresa ainda está mensurando os impactos das geadas mais recentes, mas tanto as frentes frias de junho quanto a seca contribuíram para a redução das perspectivas. “O setor inteiro está passando por um ano bem atípico, mas ter um canavial mais jovem ajuda a enfrentar as intempéries. Não que o canavial não vá sofrer, mas ele sofre um pouco menos”, ressalva o diretor.

Além disso, para a safra 2021/22, o relatório da Diana projeta um Ebitda acima de R$ 156 milhões. “Da safra 2022/23 em diante, projetamos estabilizar o Ebitda acima de R$ 180 milhões”, segue o documento.

As projeções iniciais da companhia ainda incluíam a produção de 119,69 mil toneladas de açúcar VHP e 54,92 milhões de litros de etanol hidratado – com a geração de 63,86 mil CBios –, além da exportação de 5,62 gigawatts-hora de energia elétrica.

Também de acordo com o relatório de administração, a Diana fixou preço para 92,3 mil toneladas de açúcar VHP relativos à safra 2021/22, com valor médio de R$ 1.469,37/t. No momento do fechamento da safra passada, também já estavam vendidas 76 mil toneladas da temporada 2022/23 e 38 mil de 2023/24, com preços médios de R$ 1.520,61/t e R$ 1.593,94/t, respectivamente.

“Tais fixações, em níveis tão remuneradores para a empresa, nos dão uma segurança para enfrentar quaisquer oscilações de preço no futuro, algo natural no setor de commodities”, garante o relatório da administração.

Renata Bossle – NovaCana
Com reportagem adicional de Gabrielle Rumor Koster

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