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ANP não realiza levantamento de preços nos postos há mais de um mês

Previsões iniciais de retorno da divulgação dos dados, em 14 de setembro, não foram cumpridas

NovaCana 5 min de leitura

A interrupção na pesquisa e divulgação do levantamento de preços de combustíveis (LPC) feita pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) deveria durar duas semanas, mas já passa de um mês. Os dados são de interesse do setor de combustíveis, pois representam um acompanhamento oficial dos preços municipais e estaduais e permitem cálculos de competitividade.

De acordo com a publicação feita pela ANP em 25 de agosto, a agência está implementando um novo formato de pesquisa e de divulgação do LPC nos postos. Como parte da mudança, outra empresa foi contratada para prestar os serviços de levantamento. A escolhida foi a Análise e Síntese Pesquisa e Marketing, que assinou um contrato com vigência de um ano a partir de 8 de setembro.

Em agosto, a agência informou que a pesquisa seria interrompida entre 23 de agosto e 7 de setembro, com retomada da publicação dos dados em 14 de setembro, o que não aconteceu. Em novo anúncio, a ANP explicou que a previsão de retomada de publicação semanal dos dados foi revista “em decorrência de ajustes necessários ao processo de implantação do LPC”.

Com um tempo tão longo de interrupção, pesquisas e análises ficam comprometidas. Em entrevista ao NovaCana, a especialista sênior de preços da S&P Global Platts, Nicolle Monteiro de Castro, afirmou que o mercado está “um pouco cego” em relação aos preços praticados para os consumidores, já que o levantamento dos postos de combustíveis divulgado pela ANP não está sendo publicado.

Confira, no texto completo, a análise da especialista.

A interrupção na pesquisa e divulgação do levantamento de preços de combustíveis (LPC) feita pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) deveria durar duas semanas, mas já passa de um mês. Os dados são de interesse do setor de combustíveis, pois representam um acompanhamento oficial dos preços municipais e estaduais e permitem cálculos de competitividade.

De acordo com a publicação feita pela ANP em 25 de agosto, a agência está implementando um novo formato de pesquisa e de divulgação do LPC nos postos. Como parte da mudança, outra empresa foi contratada para prestar os serviços de levantamento. A escolhida foi a Análise e Síntese Pesquisa e Marketing, que assinou um contrato com vigência de um ano a partir de 8 de setembro.

Em agosto, a agência informou que a pesquisa seria interrompida entre 23 de agosto e 7 de setembro, com retomada da publicação dos dados em 14 de setembro, o que não aconteceu. Em novo anúncio, a ANP explicou que a previsão de retomada de publicação semanal dos dados foi revista “em decorrência de ajustes necessários ao processo de implantação do LPC”.

Com um tempo tão longo de interrupção, pesquisas e análises ficam comprometidas. Em entrevista ao NovaCana, a especialista sênior de preços da S&P Global Platts, Nicolle Monteiro de Castro, afirmou que o mercado está “um pouco cego” em relação aos preços praticados para os consumidores, já que o levantamento dos postos de combustíveis divulgado pela ANP não está sendo publicado.

“O que temos para comparar é o preço que saiu em 22 de agosto e, quando olhamos para a relação entre gasolina e etanol no Sudeste, ela está em 64% de acordo com o último dado. Fica muito parecido com o que vimos no ano passado, quando também estava neste patamar”, explica Castro.

Descasamento dos preços

Segundo a especialista, as mudanças de preço da gasolina anunciadas pela Petrobras não foram repassadas integralmente para os consumidores. Desde 7 de maio, houve uma curva ascendente do preço do combustível nas refinarias, que foi acumulando até meados de agosto.

“Falamos muito sobre isso aqui na Platts, sobre o descasamento da correção de preço na refinaria e na bomba: era muito amplo. Enquanto na refinaria o preço subia 80% no acumulado de 7 de maio até meados de agosto, na bomba, não tinha nem 10% de aumento”, relembra Castro.

A especialista completa: “Vimos os distribuidores realmente espremendo as margens na distribuição; os postos também reduziram as suas margens em uma tentativa de manter market share”.

Castro destaca que, especialmente em um momento de crise de demanda, tentar manter a posição dentro do mercado é muito relevante para os distribuidores. “Recentemente, houve duas quedas consecutivas da gasolina na mesma semana. O que se espera – lembrando que não temos dados – é que essa redução não tenha sido repassada para o consumidor porque foi, de certa forma, uma compensação para as altas que não foram totalmente repassadas”, explica.

De acordo com ela, o cenário ainda é de instabilidade, com as distribuidoras carregando uma margem negativa. “Até o preço de gasolina C ser ajustado na bomba vai demorar bastante. Creio que ainda terá que ter muito movimento para alcançarmos o patamar de estabilidade que fará o distribuidor começar a alterar o preço na bomba”, completa.

Enquanto isso, o cenário é diferente para o etanol. Neste caso, o preço tem acompanhado mais de perto as mudanças nas usinas, repercutindo-as com mais agilidade para o consumidor. “Há alguns aspectos de tributação, de preferência dos revendedores quanto a vender gasolina em vez de etanol, mas envolve mais a questão tributária e fiscal do que mercadológica ou de retenção de demanda”, observa.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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