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Alvean derruba Wilmar e assume liderança em ranking de exportações de açúcar em 2018

Junto à Sucden, as três tradings comercializaram 52% da commodity brasileira no ano; mercado segue tendência de maior concentração

NovaCana 9 min de leitura

Considerando que o Brasil é o maior exportador de açúcar do mundo, para que ele chegue aos portos de mais de 100 países, as tradings fazem o meio de campo entre as usinas e o destino final. Porém, apesar da lista de pontos de chegada ser extensa, o mercado da commodity segue cada vez mais concentrado.

Uma reportagem do Valor Econômico publicada em 25 de janeiro expôs a intensificação da tendência de poucas gigantes concentrarem a comercialização do açúcar. Entre os motivos estariam mudanças naturais do mercado como a necessidade de novas estratégias para lidar com um maior acesso à informação. Com a origem conhecendo o destino, as tradings se tornaram apenas intermediárias no processo de contratação e coordenação nos serviços de logística.

Além disso, no último ano, companhias como Olam e Bunge justificaram suas saídas das mesas de negociação de açúcar por conta dos baixos preços. Ainda segundo a reportagem, após encontrarem um mercado aquecido em 2016/17, os valores internacionais caíram cerca de 25% na temporada 2017/18.

O impacto no Brasil segue essa proporção. Conforme números do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), em 2018, o volume exportado caiu 25,8% em comparação com o ano anterior, enquanto o preço médio de venda baixou 23,1% no mesmo período – de US$ 397,56/t para US$ 305,90/t.

Segundo dados da agência marítima Williams, que acompanha as saídas de açúcar pelos portos brasileiros, das 18,67 milhões de toneladas exportadas em 2018, 9,71 milhões – ou seja, 52% do total despachado – foram pela Alvean, Wilmar e Sucden.

Aliás, essa é a primeira vez que a dianteira das compras de açúcar brasileiro ficou com a Alvean: a joint venture entre Cargill e Copersucar exportou 3,45 milhões de toneladas no acumulado de janeiro a dezembro. Apesar da liderança, houve uma redução de 22,3% no volume ante 2017, quando a companhia negociou 4,42 milhões de toneladas.

compradores anual 2018 BL

Confira, na versão completa:

- Ranking das 20 maiores compradoras de açúcar brasileiro em 2018
- Volumes mensais das 10 maiores compradoras
- Evolução das cinco maiores compradoras de 2011 a 2018
- Principais destinos do açúcar brasileiro – total e por compradora
- Histórico de envios de açúcar pelo Brasil
- Volumes exportados por porto

Considerando que o Brasil é o maior exportador de açúcar do mundo, para que ele chegue aos portos de mais de 100 países, as tradings fazem o meio de campo entre as usinas e o destino final. Porém, apesar da lista de pontos de chegada ser extensa, o mercado da commodity segue cada vez mais concentrado.

Uma reportagem do Valor Econômico publicada em 25 de janeiro expôs a intensificação da tendência de poucas gigantes concentrarem a comercialização do açúcar. Entre os motivos estariam mudanças naturais do mercado como a necessidade de novas estratégias para lidar com um maior acesso à informação. Com a origem conhecendo o destino, as tradings se tornaram apenas intermediárias no processo de contratação e coordenação nos serviços de logística.

Além disso, no último ano, companhias como Olam e Bunge justificaram suas saídas das mesas de negociação de açúcar por conta dos baixos preços. Ainda segundo a reportagem, após encontrarem um mercado aquecido em 2016/17, os valores internacionais caíram cerca de 25% na temporada 2017/18.

O impacto no Brasil segue essa proporção. Conforme números do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), em 2018, o volume exportado caiu 25,8% em comparação com o ano anterior, enquanto o preço médio de venda baixou 23,1% no mesmo período – de US$ 397,56/t para US$ 305,90/t.

Segundo dados da agência marítima Williams, que acompanha as saídas de açúcar pelos portos brasileiros, das 18,67 milhões de toneladas exportadas em 2018, 9,71 milhões – ou seja, 52% do total despachado – foram pela Alvean, Wilmar e Sucden.

compradoras volume total 90012019

A metodologia da agência é diferente da adotada pelo MDIC, que considera exportações de açúcar bruto e refinado por todos os modais. Assim, o ministério registrou exportação de 21,4 milhões de toneladas em 2018, volume superior ao da Williams.

As tradings gigantes

Em 2018, a dianteira das compras de açúcar brasileiro ficou pela primeira vez com a Alvean: a joint venture entre Cargill e Copersucar exportou 3,45 milhões de toneladas no acumulado de janeiro a dezembro. Apesar da liderança, houve uma redução de 22,3% no volume ante 2017, quando a companhia negociou 4,42 milhões de toneladas.

Não é à toa que a Alvean elenca o primeiro lugar. A trading firmou, em abril do ano passado, um contrato de longo prazo de açúcar bruto com a Al Khaleej, de Dubai, proprietária e operadora da maior refinaria do mundo. Segundo a Alvean, a empresa tinha uma relação de longo prazo com a Copersucar, de quem já adquiriu mais de 20 milhões de toneladas do adoçante nos últimos 18 anos.

Com isso, a companhia assume a posição ocupada desde 2015 pela Wilmar, companhia com quem a Raízen tem a joint venture RaW. Em 2018, ela caiu para a segunda posição com um volume de 3,37 milhões de toneladas, uma redução de 35,84% frente às 5,26 milhões de toneladas exportadas em 2017.

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A Sucden, por sua vez, ocupa a terceira posição no ranking com uma exportação 21,78% maior no comparativo entre os dois anos – um crescimento que contradiz a tendência geral. Em 2017, a companhia movimentou 2,36 milhões de toneladas de açúcar brasileiro, volume que chegou a 2,88 milhões de toneladas em 2018. A trading francesa ocupa a mesma posição desde 2015 – em 2013 e 2014, contudo, ela era a primeira na classificação.

A Louis Dreyfus, que comercializa açúcar e etanol desde o fim dos anos 1980, segue na manutenção do quarto lugar que atingiu em 2017. O volume comercializado em 2018 foi de 1,4 milhões de toneladas, representando um aumento de 7,23% diante do ano anterior, quando adquiriu 1,3 milhões.

Já o quinto lugar na classificação de 2018 pertence à Copa Shipping, que adquiriu 1,3 milhões de toneladas, 30,27% a menos que em 2017, quando exportou 1,9 milhões. A empresa, existente desde 2011 e com sedes em São Paulo e Dubai, ocupa a quinta posição desde 2017. Ela esteve em oitavo lugar em 2015 e 2016, mas chegou ao segundo em 2013 e 2014.

compradoras volumes anual 04022018

Para algumas tradings, o cenário desfavorável trouxe quedas significativas. Em 2018, a Ed&F Man sofreu uma redução considerável no volume exportado, mais de 60%, caindo do quarto para o sétimo lugar no ranking. Outra diminuição ocorreu com a Bunge, que vendeu suas operações de açúcar para a Wilmar em agosto do ano passado com o objetivo de reduzir a exposição da empresa às instabilidades dos negócios da commodity. No ranking, a empresa perdeu duas posições, indo para a oitava posição.

Porém, algumas empresas com menor participação de mercado cresceram na aquisição da commodity em relação a 2017: TBC, Casillo e Cofco tiveram aumentos de 526,44%, 400% e 371,71%, respectivamente.

 

O NovaCana também já analisou quais foram os grupos sucroenergéticos que mais exportaram nesse período. O ranking completo está disponível aqui.

Países de destino

A primeira colocada no ranking das tradings, Alvean, teve o Iraque como principal destino em 2018, com 1,14 mil toneladas. Em seguida, estão Arábia Saudita (661,53 mil t) e Índia (503,18 mil t). A companhia, inclusive, é a principal fornecedora de açúcar para o Oriente Médio e a segunda maior para o Sudeste Asiático. Ao longo do ano, a Alvean adquiriu o adoçante principalmente da Copersucar (que faz parte da sua trading), da Santa Terezinha e da Delta.

Na sequência, embora os dados da Williams não tragam os principais destinos do açúcar comercializado pela Wilmar, as principais usinas de origem foram da Raízen (que integra uma joint venture junto à empresa), da São Martinho e da Cofco.

Já a Sucden vendeu preponderantemente para a Nigéria (487 mil t) e para Argélia (246,80 mil t), porém um volume de 257,32 mil toneladas não teve o destino informado. As principais empresas vendedoras neste caso são a Raízen, a Coruripe e a própria Sucden.

A Louis Dreyfus, por sua vez, negociou principalmente com a Biosev, que faz parte do grupo, além da Santa Terezinha. A trading vendeu os maiores volumes na Malásia (84,5 mil t) e na Argélia (79,48 mil t).

Assim como acontece com a Wilmar, os dados referentes à Copa Shipping não incluem informações sobre o destino da commodity. Os principais grupos sucroenergéticos de origem, entretanto, foram Biosev, Santa Terezinha e Raízen.

Considerando o volume total, com a taxação sobre importações fora de cota imposta pelo governo chinês – tradicional destino do açúcar brasileiro –, a Argélia tomou a dianteira nos recebimentos do adoçante. Os portos do país receberam 7,03 milhões de toneladas do Brasil, 37,68% do total.

compradoras destinos 30012019

Em seguida, os dois outros principais destinos foram Iraque (1,18 mil t) e Nigéria (1,14 mil t).

Portos de saída

A Williams acompanha os embarques de açúcar a partir de cinco portos: Santos, Paranaguá, Maceió, Recife e Suape. Somente por Santos foram enviadas 14,38 milhões de toneladas em 2018, ou 77,03% do total. Por Paranaguá foram 3,17 milhões de toneladas, o equivalente a 17% do volume. No ano, os portos registraram reduções de 23,4% e 49,5% no volume embarcado, respectivamente.

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Já Recife foi responsável por 197,38 mil toneladas exportadas em 2018, uma redução de 31,75% em relação a 2017, quando o volume foi de 289,23 mil toneladas. Um dos motivos da queda foi por questões logísticas, segundo informações do Diário de Pernambuco.

Conforme a reportagem, o porto não teve liberação para realizar obras de dragagem, impedindo navios maiores de atracarem por conta da pouca profundidade.

Assim, nas cotações da Bolsa de Commodities de New York, o produto pernambucano é vendido com desconto, já que o navio que embarcará a commodity chega vazio até o porto, tornando o frete exclusivo. Antes, a trading poderia compartilhar a viagem, barateando o frete.

NovaCana DATA

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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