A unidade terá inicialmente capacidade de produzir 70 mil toneladas ao ano a partir da torta de filtro e da vinhaça geradas na usina
A Agrion estima multiplicar seu faturamento por seis entre 2025 e 2028, passando de R$ 98 milhões para cerca de R$ 600 milhões, com a entrada em operação no ano que vem de duas novas fábricas de fertilizantes organominerais, que estão sendo construídas, em parceria com usinas sucroenergéticas.
“Essas vendas já estão contratadas, porque as usinas compram nossos fertilizantes”, explicou o sócio e CEO da empresa, Ernani Judice. Nesta quarta-feira, 28, a companhia realizou o lançamento da pedra fundamental de sua terceira fábrica, em Frutal (MG), anexa à usina Cerradão.
A unidade terá inicialmente capacidade de produzir 70 mil toneladas e poderá ser ampliada em uma segunda fase, podendo chegar a uma capacidade instalada de produzir 205 mil toneladas anuais.
A planta será construída com um investimento de R$ 46 milhões e ficará pronta em junho. Em paralelo, a companhia está avançando na construção de sua segunda fábrica, em Ibirarema (SP), que deverá ficar pronta em fevereiro. A unidade será anexa à usina da Enersugar.
Em seu modelo de negócio, a Agrion constrói uma fábrica ao lado de uma usina sucroenergética, recebe os resíduos da produção de açúcar e etanol (como torta de filtro e vinhaça) e produz fertilizantes organominerais, que consistem no encapsulamento de fertilizantes minerais com material orgânico, o que permite sua liberação gradual no solo, evitando desperdício.
Para obter os fertilizantes minerais, a Agrion tem recorrido a contratos de longo prazo e, também, tem buscado fornecimento de adubos que costumam ser descartados. “Como eu faço um produto novo, compro muito o que é resto, que não tem característica física boa, de resto de porão. Só a gente compra isso”, afirmou.
Apesar da recente volatilidade dos preços dos fertilizantes minerais, Judice disse que a Agrion tem garantido o fornecimento dos adubos organominerais, e a economia de uso ajuda a compensar elevações de preço. Segundo ele, a aplicação de seus fertilizantes permite uma redução de 30% no volume utilizado de NPK e um aumento de 10% na produtividade.
Antes mesmo de construir as fábricas, a Agrion estabelece um contrato com a usina que prevê o fornecimento destes resíduos e a compra dos fertilizantes pela usina e seus fornecedores de cana. Segundo Judice, a Agrion consegue suprir toda a necessidade de fertilizantes das usinas parceiras, e ainda sobra produção para venda ao mercado.
A Agrion opera atualmente apenas uma fábrica de fertilizante organomineral em Tupaciguara (MG), em parceria com a usina Aroeira. Neste ano, a companhia deve encerrar o balanço com crescimento de 30%, com faturamento de R$ 130 milhões, segundo o empresário.
Os contratos também dão às usinas uma opção de compra de participação na fábrica, que elas podem exercem em um prazo de cinco anos e partilhar dos ganhos.
Na parceria com a Cerradão, a usina também fornecerá resíduos de seu confinamento de gado. A usina também tem planos de construir uma unidade de processamento de milho para produzir etanol. Se esta ideia for adiante, pode abrir mais um flanco de obtenção de resíduos.
A Agrion tem financiado seus investimentos com capital próprio e financiamentos no mercado. Judice também vê oportunidade de buscar captação de recursos junto ao BNDES, que tem oferecido linhas com juros baratos para fertilizantes verdes.
Camila Souza Ramos