Para o banco, práticas sustentáveis também podem ser rentáveis para as companhias
Os princípios ambientais, sociais e de governança, (ESG, na sigla em inglês) já são muito tratados pelas companhias do setor sucroenergético. Várias usinas querem ir além da fabricação de etanol, combustível renovável e com menor emissão de carbono em comparação com seu concorrente fóssil, apostando em estratégias para reduzir suas liberações de gases de efeito estufa.
As práticas sustentáveis, aliás, trouxeram à tona a economia circular. O conceito explora desde a utilização das sobras da produção de etanol e açúcar para a geração de energia até o etanol de segunda geração (E2G), passando por alternativas como o biogás e o uso de vinhaça no campo.
Dentro desse cenário, há uma série de oportunidades para o setor sucroenergético. Por essa razão, o ESG foi um dos temas abordados durante evento de abertura de safra promovido pela Datagro.
A bancária sênior do Rabobank, Maria do Carmo Ferrante, iniciou o debate com o foco nas mudanças climáticas. De acordo com ela, o ESG deixou de ser um assunto exclusivo de ecologistas, passando a envolver o mercado de capitais de forma direta.
Ela aponta que o mundo precisa aumentar a produção de alimentos de forma sustentável, uma vez que previsão é de que a população mundial alcance 9 bilhões: “Para zerar as emissões de carbono, precisamos produzir melhor”.
Confira no texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana, mais detalhes sobre as oportunidades que as práticas ESG podem trazer para o setor sucroenergético.
Os princípios ambientais, sociais e de governança, (ESG, na sigla em inglês) já são muito tratados pelas companhias do setor sucroenergético. Várias usinas querem ir além da fabricação de etanol, combustível renovável e com menor emissão de carbono em comparação com seu concorrente fóssil, apostando em estratégias para reduzir suas liberações de gases de efeito estufa.
As práticas sustentáveis, aliás, trouxeram à tona a economia circular. O conceito explora desde a utilização das sobras da produção de etanol e açúcar para a geração de energia até o etanol de segunda geração (E2G), passando por alternativas como o biogás e o uso de vinhaça no campo.
Dentro desse cenário, há uma série de oportunidades para o setor sucroenergético. Por essa razão, o ESG foi um dos temas abordados durante evento de abertura de safra promovido pela Datagro.
A bancária sênior do Rabobank, Maria do Carmo Ferrante, iniciou o debate com o foco nas mudanças climáticas. De acordo com ela, o ESG deixou de ser um assunto exclusivo de ecologistas, passando a envolver o mercado de capitais de forma direta.
Ela aponta que o mundo precisa aumentar a produção de alimentos de forma sustentável, uma vez que previsão é de que a população mundial alcance 9 bilhões: “Para zerar as emissões de carbono, precisamos produzir melhor”.
Ponto de vista financeiro
Ferrante acredita que o setor sucroenergético precisa inserir as práticas ESG no dia a dia das companhias. Como representante do Rabobank, ela informa que os agentes financeiros devem passar a divulgar as emissões de suas carteiras de ativos em breve; assim, é necessária a participação ativa dos clientes para a coleta dos dados.
De acordo com a executiva, 43 grandes bancos, de 23 países, formaram o Net Zero Bank Aliance, um compromisso para rever as emissões de carbono que envolve a descarbonização das próprias financeiras e, também, de seus clientes. Neste contexto, setores intensivos como a agricultura ganham destaque.
Ferrante ainda observa que as companhias precisam se atualizar no que diz respeito aos relatórios de sustentabilidade: o documento deverá ser auditado por terceiros no modelo Global Reporting Initiative (GRI). Além disso, ela aponta a importância da geração de um inventário de emissão de gases de efeito estufa (GEE) e da adesão a iniciativas ligadas aos temas do ESG, trazendo selos de sustentabilidade à companhia.
Segundo Ferrante, esses pontos serão levados em conta na avaliação de crédito das companhias. Os ratings ESG, que implicam em uma nota similar a dos ratings de crédito, podem refletir na taxa de juros. “Vale a pena prestar atenção e começar a trabalhar sério nesse tema”, recomenda Ferrante.
Indo além das instituições financeiras, ela aponta que os próprios consumidores vão pedir por esses compromissos. As maiores redes e indústrias de bens de consumo já estão divulgando suas reduções de GEE, o que pode permear até a produção primária.
Oportunidades para o setor
Um dos potenciais ganhos para o setor sucroenergético, de acordo com Ferrante, está na redução de custos. Trocar o diesel por biogás e diminuir o uso de fertilizantes químicos por orgânicos – além de aumentar a nota no programa RenovaBio – gera corte de gastos.
Ela afirma que o setor está bem-posicionado para fazer parte da transição para uma economia de baixo carbono. O movimento começa com o próprio etanol, mas vai além, com investimentos em outros combustíveis renováveis, como hidrogênio verde e biocombustível de aviação.
Para completar, a questão “verde” também trouxe acesso a outras fontes de recursos, informa Ferrante. Ela exemplifica a questão com os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e o Fundo de Investimento do Agronegócio (Fiagro).
Contudo, a executiva alerta para a prática de “greenwashing”, termo utilizado quando as práticas e as metas ESG definidas por uma empresa não correspondem à sua realidade. “É questão de transparência, de confiança na informação, de como essas ações estão sendo classificadas como ‘verdes’”, aponta.
Fertilizantes e emissões
Entre as principais emissoras globais de carbono, de acordo com Ferrante, estão o desmatamento e o agronegócio.
No setor sucroenergético, especificamente, ela aponta que a diminuição do uso de fertilizantes químicos, a base de nitrogênio, é essencial para reduzir emissões de CO2.
O gerente comercial de cana-de-açúcar da Koppert, Vinícius Lopes, reitera que é possível fazer essa troca de insumos e manter a rentabilidade no campo.
Em sua palestra no evento da Datagro, ele cita que o controle biológico vem ocupando um espaço nessa substituição. Para se alcançar um resultado positivo, o importante é atrelar os produtos necessários para o objetivo do produtor, assegura.
Além de reduzir as emissões, Lopes afirma que isso também pode auxiliar no aumento da nota do RenovaBio e até mesmo garantir a certificação Bonsucro, que promove a produção sustentável de cana-de-açúcar.
Giully Regina – NovaCana