Diretor industrial fala sobre cronograma da empresa e tecnologias implementadas
Inteligência artificial, metodologias de otimização de processos, automatização, indústria 4.0. Todos esses termos são familiares no dia a dia de qualquer indústria que busca inovação. De acordo com a Raízen, maior companhia do setor sucroenergético, este também é o seu caso.
A companhia afirma que vem investindo em diversos sistemas que buscam aumento de produtividade e redução de perdas em seus processos de moagem e fabricação de açúcar e etanol. E essas ações se estendem para outros produtos em que a companhia está avançando, como biogás e etanol de segunda geração. Como estas plantas ainda estão em processo de construção, elas já nascem com uma tecnologia mais avançada.
O NovaCana falou com exclusividade com o diretor industrial da companhia, Juliano Oliveira, que há quatro anos atua na gigante sucroenergética, sendo também responsável pelos seus projetos de expansão. Ele detalhou o andamento das novas unidades integradas às usinas do grupo, além das tecnologias que estão sendo implementadas aos poucos nas 34 plantas da empresa.
A unidade da Raízen mais adiantada no conceito de economia circular, esclarece Oliveira, é a Costa Pinto, localizada em Piracicaba (SP). A planta possui cogeração, etanol de segunda geração e está com a unidade de biogás em construção. Com todos esses produtos, a companhia deixou de lado a nomenclatura “usina” e passou a adotar “bioparque”.
Enquanto isso, a usina Bonfim, localizada em Guariba (SP), já possui uma planta de biogás em operação. “Fornecemos biogás e transformamos ele em eletricidade, que é comercializada. Também estamos construindo uma planta de etanol de segunda geração, fechando o bioparque completo”, explica.
Entre junho e agosto deste ano, a planta de E2G deverá estar ativa na unidade. Com isso, conforme Oliveira, os bioparques Costa Pinto e Bonfim já operarão como o esperado em meados da próxima safra ou até o final dela.
Estes investimentos fazem parte de um plano amplo. Quando fez sua oferta de ações na bolsa de valores, a Raízen relevou a ambição de construir 20 plantas de etanol de segunda geração até 2030. Segundo o diretor, além das duas plantas que já estão adiantadas neste sentido, outras sete estão aprovadas, com contratos para execução firmados. “Em um curto espaço de tempo queremos ter nove plantas; já temos contratos assinados para construção”, completa.
Confira na versão completa e exclusiva para os assinantes do NovaCana mais detalhes sobre as tecnologias que são aplicadas nos bioparques da Raízen.
Inteligência artificial, metodologias de otimização de processos, automatização, indústria 4.0. Todos esses termos são familiares no dia a dia de qualquer indústria que busca inovação. De acordo com a Raízen, maior companhia do setor sucroenergético, este também é o seu caso.
A companhia afirma que vem investindo em diversos sistemas que buscam aumento de produtividade e redução de perdas em seus processos de moagem e fabricação de açúcar e etanol. E essas ações se estendem para outros produtos em que a companhia está avançando, como biogás e etanol de segunda geração. Como estas plantas ainda estão em processo de construção, elas já nascem com uma tecnologia mais avançada.
O NovaCana falou com exclusividade com o diretor industrial da companhia, Juliano Oliveira, que há quatro anos atua na gigante sucroenergética, sendo também responsável pelos seus projetos de expansão. Ele detalhou o andamento das novas unidades integradas às usinas do grupo, além das tecnologias que estão sendo implementadas aos poucos nas 34 plantas da empresa.
A unidade da Raízen mais adiantada no conceito de economia circular, esclarece Oliveira, é a Costa Pinto, localizada em Piracicaba (SP). A planta possui cogeração, etanol de segunda geração e está com a unidade de biogás em construção. Com todos esses produtos, a companhia deixou de lado a nomenclatura “usina” e passou a adotar “bioparque”.
Enquanto isso, a usina Bonfim, localizada em Guariba (SP), já possui uma planta de biogás em operação. “Fornecemos biogás e transformamos ele em eletricidade, que é comercializada. Também estamos construindo uma planta de etanol de segunda geração, fechando o bioparque completo”, explica.
Entre junho e agosto deste ano, a planta de E2G deverá estar ativa na unidade. Com isso, conforme Oliveira, os bioparques Costa Pinto e Bonfim já operarão como o esperado em meados da próxima safra ou até o final dela.
Estes investimentos fazem parte de um plano amplo. Quando fez sua oferta de ações na bolsa de valores, a Raízen relevou a ambição de construir 20 plantas de etanol de segunda geração até 2030. Segundo o diretor, além das duas plantas que já estão adiantadas neste sentido, outras sete estão aprovadas, com contratos para execução firmados. “Em um curto espaço de tempo queremos ter nove plantas; já temos contratos assinados para construção”, completa.
O ritmo inicial definido pela companhia era a entrega de duas plantas de E2G por ano. Após Bonfim, o objetivo para 2024 é a finalização nas unidades Da Barra, em Barra Bonita (SP), e Univalem, em Valparaíso (SP). Para 2025, também são esperadas mais duas usinas.
“Depois que conseguirmos padronizar algumas etapas do processo, queremos ganhar um pouco mais de velocidade na construção. Mas são projetos complexos e que têm uma integração com a usina”, afirma Oliveira, que explica: “Usamos o vapor e a destilaria da primeira geração, por exemplo. Tem uma série de integrações que não é simplesmente um copiar e colar de uma planta, demanda um pouco de engenharia”.
“Dentro da transição energética, acreditamos demais no projeto [de E2G]. Com ele, consegue-se produzir 40% a mais de etanol no mesmo hectare plantado, sem ter maior produtividade no canavial. E com uma pegada de carbono muito mais baixa”, Juliano Oliveira (Raízen)
Oliveira também compara a emissão de carbono do E2G com outros combustíveis. Os fósseis liberam cerca de 80 a 85 gramas de CO2 por megajoule na atmosfera. Já no etanol de primeira geração, são 26 gCO2/MJ; no de segunda geração, 18 a 19 gCO2/MJ.
Além disso, há potencial para chegar a 15 gCO2/MJ. “A enzima que usamos na hidrólise é importada. Se conseguirmos nacionalizá-la, temos toda a cadeia de produção para diminuir as emissões finais do nosso produto”, explica Oliveira.
Desta forma, existe a possibilidade de um maior de prêmio de sustentabilidade pelo etanol de segunda geração, além da vantagem de fazer biocombustível de resíduo. “Não estamos competindo com nenhuma fonte de alimento”, completa.
Reforço com a inteligência artificial
Oliveira apresenta ainda diversas ações aplicadas na indústria para potencializar os resultados da companhia. Segundo ele, a Raízen busca se manter alinhada com boas práticas da indústria 4.0.
“No etanol de segunda geração, em todas as plantas novas que estamos construindo, não estamos usando os PLCs [sigla em inglês para Controlador Lógico Programável] convencionais, mas sim uma tecnologia chamada DCS [Sistema de Controle Distribuído], a qual já começa a trazer a inteligência artificial para os processos”, diz. O diretor explica que, dessa forma, o sistema consegue fazer uma análise de dados e otimizar etapas industriais.
Outro fator de inovação das plantas muito usado na indústria 4.0, é o digital twin, ou gêmeo digital, que possibilita simular o ambiente, sendo útil tanto na definição de um determinado processo quanto na manutenção. Com isso, antes de fazer alterações, é possível criar um ambiente virtual e testar. “Todas as plantas já estão nascendo com esta nova tecnologia”, complementa.
“Fazemos um sistema integrado que vai desde a queima do bagaço até a energia, conectando todas as pontas de otimização. É um projeto que está dando ganhos relevantes e que é chave para essa ambição que temos do etanol de segunda geração”, Juliano Oliveira (Raízen)
Ele admite que, no etanol de primeira geração, a companhia possui usinas centenárias; ainda assim, há oportunidades de melhorias. “Nos processos de cogeração, temos inteligência artificial em 90% dos nossos bioparques para analisar a integração de caldeira, gerador, turbina e admissão de ar. É uma otimização de parâmetro para conseguir gerar energia com o mínimo consumo de vapor”, diz.
Outra melhoria destacada pelo diretor industrial e que já está presente em cinco caldeiras são os analisadores de gases. Com eles, é possível acompanhar a queima de CO e CO2 na caldeira e otimizá-la com a mesma inteligente artificial usada na geração de energia.
Otimização e informação
O diretor também comenta o uso do chamado near infrared (infravermelho próximo, em tradução livre), que já está presente em 70% dos laboratórios industriais da empresa. O objetivo é oferecer uma maior confiabilidade nas análises.
“Temos um protótipo em dois bioparques que envolve levar a tecnologia para as moendas para analisar o bagaço de entrada. Vemos a fibra e todas as suas características e conseguimos fazer a dosagem correta de embebição para ter uma maior extração do açúcar”, esclarece Oliveira. A busca principal é otimizar a partir de uma resposta on-line do processo.
“Precisamos ser cada vez mais energeticamente eficientes dentro das nossas operações para que consigamos mais disponibilidade de biomassa”, Juliano Oliveira (Raízen)
Como a Raízen detém um mix produtivo com etanóis especiais, a empresa precisa ter uma atenção extra na degasagem, ou seja, quando são retiradas as impurezas do etanol. Se isso for feito sem o controle adequado, acaba ocorrendo a evaporação de etanol. “Também temos uma frente de automação, controle e inteligência artificial para ajudar no etanol especial e realmente buscar a otimização da curva dentro do processo”, complementa.
A companhia ainda tem uma parceria que visa a conexão de todas as informações existentes em um processo, fazendo a compatibilização dos recursos de automação dentro da unidade industrial e levando essas informações para a gestão. “Esse ano, nós fizemos a aquisição da Biosev; já tínhamos o sistema em todas as usinas da Raízen e recentemente terminamos em todas as usinas da Biosev”, detalha Oliveira.
Outra parceria foi firmada para a construção on-line do balanço de massa e energia de todas as unidades – um processo que também foi finalizado na última safra. “Mapeamos todos os ativos existentes dentro de um bioparque e analisamos qual é a entrada de cana e de ATR [açúcar total recuperável], quais ativos estão operando e como rodamos o balanço de massa para a melhor solução naquele turno”, detalha.
Nesse esquema, existem 49 variáveis que são monitoradas em relação à aderência para balanço de massa diário. “Acreditamos que vai nos ajudar a alavancar a performance das nossas operações”, considera.
“Está tudo conectado. Quando falo da planta de etanol de segunda geração, preciso de biomassa e de um processo eficiente e é isso que temos trabalhado ao longo dos anos: na padronização e na construção de habilidades para corrigir desvios”, Juliano Oliveira (Raízen)
Para Oliveira, ao melhorar processos para conseguir ter uma estabilidade maior na produção dos biocombustíveis e da bioenergia, a companhia se aproxima de sua eficiência máxima e se insere na economia circular, sem desperdícios e aproveitando todos os recursos disponíveis.
Metodologias para melhores processos
De acordo com o diretor industrial, a Raízen busca se posicionar como uma empresa integrada de energia, se tornando uma referência tanto no setor de bioenergia quanto de biocombustíveis. “O nosso objetivo é redefinir o futuro da energia dentro da transição para uma matriz mais limpa”, afirma e completa: “Queremos oferecer soluções para que possamos ter produtos que vão nos ajudar a fazer a transição”.
Em uma das formas de atingir essa meta, a companhia vem desenvolvendo o programa SER+ (Sistema de Excelência da Raízen), que busca a melhoria contínua, a valorização de pessoas e a otimização de resultados baseados na metodologia lean, que visa reduzir desperdícios.
“Nas outras empresas que trabalhei, tanto no segmento automobilístico quanto na General Eletric, tínhamos um processo muito padronizado e estruturado. Quando eu vim para a Raízen, começamos a plantar essa sementinha de desenhar um sistema de excelência que se encaixe em uma empresa do setor sucroenergético”, explica o diretor.
A procura, segundo ele, é para a construção de padrões. A partir deles, Oliveira acredita ser possível capacitar de forma estruturada as pessoas, criando um mapa de necessidades para cada posto. Além disso, depois da construção dos padrões, é preciso avaliar se ocorrem desvios e, se sim, entender a resposta a eles. “Englobando tudo isso, buscamos entender como estruturamos um processo de melhoria contínua dentro das nossas operações”, completa.
Ele ainda destaca que, no início do projeto, a equipe fez um estudo sobre outros grupos e percebeu que muitos têm aplicado metodologias de melhorias. Entretanto, visualiza que a maior parte das sucroenergéticas ainda não conseguiu montar um quebra-cabeça tão completo.
“Tem gente que está muito forte em kaizen [filosofia de aprimoramento contínuo], outros em PDCA [Planejar, Desenvolver, Checar e Atuar], análise de problema, definição de parâmetro de processo”, enumera. “Nós tentamos, ao longo desses últimos quatro anos, criar um sistema onde conseguíssemos excelência se comparado a processos com o WCM [World Class Manufacturing, ou Manufatura de Classe Mundial, em tradução livre] que a Fiat aplica nos seus fornecedores, por exemplo”, explica Oliveira.
Ele pondera que o tamanho da Raízen dificulta a implementação de tudo o que se ambiciona, mas que a empresa vem “avançando muito bem”. O diretor diz que, no ciclo 2022/23, 30 bioparques da Raízen já alcançavam a etapa básica do sistema de melhoria contínua, o chamado Procedimento Operacional Padrão (POP). Além disso, elas possuem disseminadores de projetos de PDCA e implementaram a metodologia de gestão 5S em algumas áreas.
“Todos em nossos bioparques já sabem quais são os principais KPIs [indicadores-chave de desempenho] esperados. E estamos falando de tudo: saúde e segurança, performance, custo, pessoas etc.”, detalha Oliveira.
Ainda há, conforme o diretor, uma empresa parceira que auxilia a companhia nesses processos. Ela atua desde a parte de treinamento de disseminadores até as avaliações semestrais, utilizadas para que a equipe saiba o quanto já conseguiu amadurecer e o que precisa fazer para melhorar.
“Não é algo rápido, pois mexe na cultura da organização como um todo, mas já avançamos três anos nessa jornada. Estamos muito melhores do que quando começamos e acho que, ano após ano, vamos conseguir evoluir ainda mais”, completa.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana