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Agências de classificação de risco analisam crédito da Raízen após compra da Biosev

Para S&P Global, perfil da sucroenergética e posicionamento dos acionistas traz segurança; já a Fitch Ratings optou por colocar a companhia em “observação negativa”

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Antes mesmo do anúncio do acordo para a compra da Biosev, a S&P Global Ratings já havia informado que acreditava que o perfil de crédito da Raízen seria adequado para a negociação. Agora, a agência de classificação de risco divulgou um novo comunicado, afirmando que as métricas da sucroenergética estão alinhadas com as expectativas criadas pela fusão e que os controladores possuem colchão para uma possível contribuição de capital.

“A aquisição aumentará o Ebitda anual da Raízen em cerca de R$ 1,8 bilhão e sua capacidade total de moagem expandirá de 73 milhões para 105 milhões de toneladas de cana”, detalha a S&P. Com isso, a agência estima que a sucroenergética registrará uma alavancagem ajustada de 2 a 2,5 vezes em março de 2022. “[Isto] não impactaria nossa visão do perfil de crédito da Raízen”, completa.

Já a Fitch Ratings divulgou um comentário no qual relata ter colocado a Raízen em “observação negativa” e a Biosev em “observação positiva”. Isto não afeta as notas atribuídas às companhias em um primeiro momento, mas indica que a agência manterá um olhar atento.

Segundo o documento, que considera a Raízen Energia e a Raízen Biocombustíveis, a companhia pode ser rebaixada se a transação for concluída conforme o previsto, devido à maior exposição da companhia às volatilidades do setor de açúcar e etanol e à diluição do impacto do mercado de distribuição nos negócios, uma atividade considerada mais resiliente.

Leia as avaliações das agências de classificação de risco e saiba mais sobre as projeções para a Raízen no texto completo (exclusivo para assinantes).

Antes mesmo do anúncio do acordo para a compra da Biosev, a S&P Global Ratings já havia informado que acreditava que o perfil de crédito da Raízen seria adequado para a negociação. Agora, a agência de classificação de risco divulgou um novo comunicado, afirmando que as métricas da sucroenergética estão alinhadas com as expectativas criadas pela fusão e que os controladores possuem colchão para uma possível contribuição de capital.

Dentro dos critérios de análise adotados pela S&P, a Raízen é classificada com as notas BBB- na escala global e AAA na nacional, ambas com perspectiva estável (sem projeção para alterações). A Biosev, por sua vez, não é avaliada pela agência.

“A aquisição aumentará o Ebitda anual da Raízen em cerca de R$ 1,8 bilhão e sua capacidade total de moagem expandirá de 73 milhões para 105 milhões de toneladas de cana”, detalha a S&P. Com isso, a agência estima que a sucroenergética registrará uma alavancagem ajustada de 2 a 2,5 vezes em março de 2022. “[Isto] não impactaria nossa visão do perfil de crédito da Raízen”, completa.

O relatório ainda aponta que os acionistas da Raízen – Cosan e Shell – têm demonstrado compromisso em manter a forte qualidade de crédito da companhia, o que inclui a assinatura de um Acordo de Subscrição. Este documento possibilita que a Raízen solicite um aporte de capital de até US$ 700 milhões (R$ 3,8 bilhões) dividido igualmente entre os acionistas, caso certos níveis de alavancagem sejam atingidos.

“Apesar de estes níveis não terem sido divulgados, a contribuição de capital evitará que a métrica de alavancagem da Raízen se desvie substancialmente da estimativa, na faixa de 2 a 2,5 vezes, em nossa visão”, declara.

De acordo com a S&P, Cosan e Shell têm se mostrado comprometidas em manter o rating da Raízen na categoria grau de investimento ao longo dos anos. Isto envolveu a suspensão de dividendos em 2020 e a disponibilização de uma linha de crédito rotativa, com contribuições de US$ 350 milhões (R$ 1,9 bilhão) vindas de cada empresa.

“Uma possível contribuição de capital de US$ 350 milhões à Raízen não afetaria materialmente o perfil de crédito da Cosan, em nossa visão, dado que seu índice de dívida sobre Ebitda poderá permanecer abaixo de 4 vezes”, assegura.

O relatório ainda aponta que a Biosev usará os R$ 3,6 bilhões a serem recebidos em caixa pela venda para o pagamento de uma parcela de sua dívida, que totalizava R$ 7,6 bilhões em 30 de setembro de 2020. O restante será reestruturado para ser integrado à Raízen livre de dívida líquida, de acordo com os termos da aquisição.

“A transação está sujeita à aprovação dos órgãos antitrustes e ao cancelamento da listagem da Biosev no mercado acionário brasileiro”, alerta o documento, que completa: “O negócio também inclui uma estrutura earn-out pela qual a Raízen poderá ter de desembolsar um valor adicional de até R$ 350 milhões ao acionista da Biosev em 2026. No entanto, essa estrutura será extinta caso ocorra um evento de liquidez, como uma oferta pública inicial (IPO) da Raízen”.

Sobe e desce?

Enquanto a S&P optou por não realizar nenhuma ação de rating – ao menos até agora –, a Fitch divulgou um comentário no qual relata ter colocado a Raízen em “observação negativa” e a Biosev em “observação positiva”. Isto não afeta as notas atribuídas às companhias em um primeiro momento, mas indica que a agência manterá um olhar atento.

Pelos critérios adotados, a Raízen e seus papéis estão classificadas como BBB na escala global e AAA na nacional; a avaliação unifica a sucroenergética Raízen Energia e a Raízen Combustíveis, que atua no setor de distribuição. Já a Biosev possui as notas B e BBB nas respectivas escalas.

Segundo o documento, a Raízen pode ser rebaixada se a transação for concluída conforme o previsto, devido à maior exposição da companhia às volatilidades do setor de açúcar e etanol e à diluição do impacto do mercado de distribuição nos negócios, uma atividade considerada mais resiliente.

Atualmente, a agência calcula que o setor sucroenergético e o de distribuição representam, cada um, 50% do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da companhia. Com a aquisição da Biosev, estas participações passam a ser de 70% e 30%, respectivamente. “Esta mudança tornará a geração de fluxo de caixa da empresa mais volátil e menos previsível do que tem sido historicamente”, aponta.

Além disso, o relatório observa que os ratings da Biosev provavelmente serão elevados se a transação for concluída sem exposição de dívida líquida, devido aos fortes vínculos estratégicos e operacionais entre as companhias: “A Biosev está alinhada à estratégia da Raízen de consolidar sua presença no altamente fragmentado setor de açúcar e etanol”.

Perspectivas para a Raízen

O relatório da Fitch também detalha algumas projeções da agência para a Raízen. Na safra 2021/22, já contabilizando a aquisição da Biosev, a perspectiva é que a moagem da sucroenergética chegue a 90 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Além disso, as vendas de etanol devem somar 25,3 bilhões de litros – um aumento de 4% ante os 24,3 bilhões projetados para as duas empresas em 2020/21.

De acordo com a Fitch, com estes acréscimos e uma maior venda de combustíveis na Argentina, o fluxo de caixa das operações da Raízen se recuperará em 2021/22. “Os preços internacionais mais altos do petróleo e a manutenção de um real fraco beneficiarão os fluxos de caixa da Raízen em termos de açúcar e etanol no ano fiscal de 2022, em comparação com 2021”, complementa.

Pelas projeções da agência, na temporada que inicia em abril, a Raízen terá um Ebitda de R$ 9,7 bilhões e um fluxo de caixa operacional de R$ 8,1 bilhões. Entretanto, a Fitch estima um fluxo de caixa livre negativo de R$ 353 milhões por conta de investimentos projetados em R$ 5,9 bilhões e dividendos de R$ 2,6 bilhões.

“A flexibilidade para reduzir os pagamentos de dividendos, se necessário, a fim de preservar o robusto perfil de crédito da Raízen, também foi considerada na análise”, relata e completa: “Historicamente, a Raízen mantém forte perfil de crédito, sustentado por baixa alavancagem e robusta posição de liquidez”.

Além disso, a Fitch projeta que a alavancagem líquida da Raízen nos próximos três anos ficará em torno de 2 vezes. “De acordo com o cenário de rating da agência, a Raízen irá adquirir a Biosev livre de dívidas financeiras e pagará o equivalente a duas vezes o Ebitda desta última, mais 5% das suas próprias ações”, detalha.

A agência ainda completa que, com exceção de uma pequena parte das notas com vencimento em 2027, toda a dívida da companhia em reais é protegida por contratos de swap, um instrumento financeiro que diminui riscos.

Renata Bossle – NovaCana

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