Os preços fecharam o dia perto da estabilidade e têm agora o viés de queda renovado em razão das turbulências enfrentadas pela China
Os futuros de açúcar demerara até tentaram ensaiar uma recuperação ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), mas não conseguiram sustentar os ganhos devido ao dólar ainda fortalecido ante o real. Os preços fecharam o dia perto da estabilidade e têm agora o viés de queda renovado em razão das turbulências enfrentadas pela China.
Nesta segunda-feira, a Bolsa de Xangai sofreu o maior tombo desde 2007, com o Índice Xangai Composto recuando 8,5%. Os temores são de que as autoridades em Pequim estejam retirando recentes medidas de apoio aos mercados locais. A tendência de baixa nos preços das commodities e por novos dados fracos da indústria da China também pressionaram.
No Brasil, houve reflexos. O dólar se manteve firme ante o real durante todo dia e acabou terminando em leve alta. A divisa fechou em R$ 3,3610 (+0,36%), maior marca desde 28 de março de 2003.
Esse câmbio, aliás, é apontado pelo Rabobank como um dos fatores a manter os futuros do açúcar pressionados também no terceiro trimestre de 2015. Aumento sazonal da oferta, demanda limitada em países como China e Indonésia e comercialização de estoques pela Tailândia também devem fazer com que os preços registrem média de 11,30 cents/lb no período. Segundo a instituição, uma recuperação pode ser observada no fim do ano devido a questões climáticas, como El Niño. Mesmo assim, o preço médio estimado pelo Rabobank para os meses de outubro, novembro e dezembro é de 12,60 cents/lb.
Do lado altista, o mercado atenta para chuvas durante o fim de semana em áreas produtoras de São Paulo. Os relatos, porém, dão conta de que as precipitações não foram fortes o suficiente para provocar grandes atrasos nos trabalhos de colheita, como ocorrido na primeira quinzena do mês. Para os próximos dias, a previsão é de tempo aberto em todo o Estado.
Nos gráficos, nenhuma alteração: suporte em 11,10 cents/lb e resistência nos 11,50 cents/lb.
Ontem, outubro fechou estável, em 11,24 cents/lb, com máxima no dia de 11,42 cents/lb (mais 18 pontos) e mínima de 11,17 cents/lb (menos 7 pontos). Março recuou 6 pontos (0,48%) e terminou em 12,51 cents/lb. O spread outubro/março variou de 133 para 127 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.
O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a segunda-feira em R$ 47,49/saca, baixa de 0,25% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 14,13/saca (-0,63%).
Conforme o centro de estudos, mesmo com a menor oferta nesta safra, os preços do cristal continuam a se enfraquecer no mercado paulista. "Representantes de usinas cederam nos valores pedidos, na tentativa de estimular a demanda que tem estado retraída. Além disso, a queda nos preços internacionais também influenciam os recuos domésticos", destacou o Cepea, em nota.
Quanto às paridades, de 20 a 24 de julho a remuneração com as vendas de açúcar no spot paulista foi 8,84% superior à obtida com as externas. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 48,01/saca, as cotações do contrato outubro equivaleriam a R$ 44,11/saca.