Os preços do açúcar subiram nesta terça-feira, 27, à medida que fatores fundamentais voltaram a influenciar o mercado, que havia sofrido forte queda na sessão anterior, após a vitória eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil.
A reeleição de Lula provocou uma queda acentuada do real brasileiro, um cenário que incentiva as usinas, os produtores e os exportadores brasileiros a venderem contratos futuros de açúcar cotados em dólares, pois isso aumenta os retornos em moeda local.
A moeda do maior produtor mundial de açúcar se estabilizou desde então, à medida que a poeira baixava após a eleição. O real era negociado a cerca de R$ 5,35 por dólar na terça-feira, cerca de 7% abaixo do nível anterior à eleição, mas em melhor situação do que na segunda-feira, quando chegou a cair 12%.
Os contratos futuros de açúcar bruto com entrega em março na ICE, considerados uma referência global de preços, fecharam com alta de 0,5% nesta terça-feira, a 19,20 centavos por libra-peso, após terem fechado com queda de 5,6% na segunda-feira.

“Analisando os fundamentos do açúcar, as chuvas continuam custando dias de moagem (ao Brasil), e a Índia entra em seu pico de demanda festiva com estoques reduzidos, com os preços domésticos subindo em direção à paridade de importação. Portanto, esperamos que o mercado se recupere”, afirmou a corretora de açúcar físico Deepcore.
O corretor independente Michael J Nugent acrescentou que os temores do mercado sobre o que a vitória de Lula poderia significar para a economia e a moeda brasileiras provavelmente foram exagerados.
“A expectativa convencional de uma deterioração acentuada nas relações entre os Estados Unidos e o Brasil pode se revelar simplista demais. Trump e Lula são, ambos, políticos altamente transacionais e práticos, que sabem como negociar”, disse ele.
Por sua vez, o preço do açúcar branco subiu 0,7%, para US$ 519,20 por tonelada, após fechar com queda de 3,6% na segunda-feira.
May Angel e Marcelo Teixeira