A atual alta recorde no preço do açúcar na bolsa de Nova York demonstra como o mercado internacional está percebendo a flutuação da safra brasileira
A atual alta recorde no preço do açúcar na bolsa de Nova York demonstra como o mercado internacional está percebendo a flutuação da safra brasileira. Na última sexta-feira (dia 16), o dia foi encerrado com o adoçante sendo negociado a 22,47 centavos de dólar a libra-peso – algo que não era visto desde agosto de 2012. Ontem (dia 20), a cotação fechou em 22,76 centavos de dólar a libra-peso.

O principal motivador desse pico foi o relatório quinzenal da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica). Os números da entidade, que normalmente já são capazes de provocar flutuações nos preços, chamaram ainda mais atenção porque vieram após um período com poucas mudanças nas negociações.
Conforme analisa o banco holandês Rabobank, os futuros estavam há três meses contidos a uma faixa de preço entre 19 e 21 centavos de dólar a libra-peso.
Na sequência, confira as observações apresentadas pelo Rabobank com os fatores altistas e baixistas que podem afetar o mercado de açúcar nos próximos meses.
A atual alta recorde no preço do açúcar na bolsa de Nova York demonstra como o mercado internacional está percebendo a flutuação da safra brasileira. Na última sexta-feira (dia 16), o dia foi encerrado com o adoçante sendo negociado a 22,47 centavos de dólar a libra-peso – algo que não era visto desde agosto de 2012. Ontem (dia 20), a cotação fechou em 22,73 centavos de dólar a libra-peso.

O principal motivador desse pico foi o relatório quinzenal da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica). O documento apontou que a região Centro-Sul processou 19,3% menos cana na segunda quinzena de agosto em relação ao mesmo período do ano passado. Com isso, a produção quinzenal de açúcar caiu em 10,9%, indo para 2,54 milhões de toneladas.
Os números da Unica, que normalmente já são capazes de provocar flutuações nos preços, chamaram ainda mais atenção porque vieram após um período com poucas mudanças nas negociações. Conforme aponta o banco holandês Rabobank, em seu relatório trimestral, os futuros estavam há três meses contidos a uma faixa de preço entre 19 e 21 centavos de dólar a libra-peso.

“Os fundamentos que levaram a uma alta nos preços no começo do ano se mantiveram praticamente inalterados”, aponta o Rabobank. A instituição, no entanto, observa que os fatores que mais influenciam no preço são os números de moagem da Índia, da Tailândia e do Brasil, todos ainda sujeitos a incertezas.
Com relação ao Centro-Sul do Brasil, o banco aponta que as usinas estão maximizando sua produção de açúcar, com o etanol perdendo espaço no mix industrial. A princípio, o banco acreditava que tanto o câmbio quanto a dúvida estratégica entre os dois produtos – açúcar ou etanol – poderia causar variações nos preços do adoçante, mas, agora, as decisões já foram tomadas a favor do açúcar.
Assim, entre os fundamentos que podem mudar os preços nos próximos meses estão futuros relatórios de acompanhamento da safra brasileira e as possíveis mudanças nas taxas de exportação praticadas pelos Estados Unidos.
“Continuamos a acreditar que o patamar elevado dos preços representa uma fonte potencial de risco de queda de curto prazo em face de qualquer choque macroeconômico”, aponta o documento. Contudo, o próprio banco admite que o mercado tende para uma elevação: “Dado que o quadro fundamental é altamente construtivo para os preços, é provável que qualquer desaceleração acentuada seja vista como uma oportunidade de compra por participantes do mercado”.
Fatores altistas envolvem diminuição da safra brasileira
De acordo com o documento, o déficit na produção de açúcar já é interpretado como uma certeza pelo mercado e está sendo considerado no atual patamar de preços. Ainda assim, o Rabobank acredita que quaisquer indicadores de redução na produção em importantes países produtores podem apertar ainda mais a relação estoques-consumo, causando uma nova alta nos preços.

“Atualmente, há a preocupação de que a moagem no Centro-Sul do Brasil seja inferior à prevista devido ao impacto do clima seco visto no começo desse ano”, afirma o documento. Entretanto, a instituição aponta não estar certa de que uma menor moagem necessariamente resulte em uma produção de açúcar inferior, uma vez que as usinas devem continuar comprometidas com o adoçante em detrimento da produção de etanol.
Fatores baixistas estão fora do controle do setor
Por sua vez, uma possível queda nos preços não deve ser descartada. De acordo com o Rabobank, a posição de alta que se estende há alguns meses deixa a commodity mais sujeita a impactos macroeconômicos, que afetam a posição geral dos produtos agrícolas.
“Os preços devem certamente ceder às pressões caso exista uma corrida geral pela venda, embora nossa crença seja de que uma queda como essa tenha vida curta, uma vez que os fundamentos parecem suportar fortemente os valores no patamar atual”, afirma o relatório. Ou seja, os ventos continuam soprando a favor do açúcar.
Renata Bossle – NovaCana