A Odebrecht Agroindustrial (ODB Agro), braço sucroalcooleiro da Organizações Odebrecht, está passando pelo pior período de sua história. Com uma dívida bilionária crescente, a empresa chegou até a cogitar o fechamento de algumas unidades.
O resultado da última safra colocou a empresa numa situação delicada. Das dez metas estabelecidas, apenas uma foi alcançada. Para a safra atual quase todas as metas de produção e investimentos foram reduzidos (veja infográfico abaixo).
Os resultados que intensificaram a crise da ODB Agro e como isso afetou o planejamento da empresa para os próximos três anos constam no relatório anual da safra 2013/14, divulgado na semana passada.
O documento revela que a crise foi pior do que a companhia esperava. Os investimentos não chegaram ao teto estabelecido, a área plantada diminuiu, houve redução no quadro de funcionários, ante uma expectativa de geração de mil novos empregos, e os volumes de cana processada e produção de etanol e açúcar também caíram.
Outros indicadores, como a taxa de frequência de acidente e a rotatividade de pessoas, evidenciam como a crise deteriorou uma das maiores empresas do setor.
Entre as metas de produção de etanol, o total de 1,8 bilhão de litros que a empresa esperava para 2013/14, sendo 1,4 bilhão de litros de hidratado e 0,4 bilhão de anidro, acabou ficando 16,6% menor. No total, foram fabricados apenas 1,5 bilhão de litros, sendo 1,1 bilhão de hidratado e 0,43 bilhão de anidro.
A produção de açúcar e a geração de energia elétrica também ficaram abaixo das metas, e os custos fixos variáveis agrícolas chegaram a R$ 2 bilhões, ante uma expectativa de R$ 1,9 bilhão.
Embora o mercado, em geral, esteja pessimista quanto ao desempenho das usinas na atual safra – a Canaplan chegou a classificar o ciclo atual como “trágico” – a Odebrecht espera alcançar melhores resultados no período.
A perspectiva de “melhora” é evidenciada pela expectativa de volumes de produção maiores para o etanol, o açúcar VHP, a cogeração e cana processada tanto na safra atual quanto na 2015/16. Se alcançados, os novos valores deverão ficar acima das metas estabelecidas para 2013/14.
A Odebrecht espera moer 26,8 milhões de toneladas de cana, 19% a mais que na safra anterior; fabricar 1,9 bilhão de litros de etanol, sendo 1,1 bilhão de hidratado e 0,8 bilhão de anidro, 658 mil toneladas de açúcar VHP e 2,7 mil GWh de energia elétrica.
Embora tenha estabelecido metas comedidas para a atual safra, a Odebrecht acabou reduzindo suas expectativas em outras áreas.
Os investimentos agroindustriais, por exemplo, foram reduzidos de R$ 1,3 para R$ 0,8 bilhão, assim como as áreas de cana plantada, que caíram de 109,2 mil hectares na safra 2013/14 para 74 mil hectares no atual ciclo.
Na área de recursos humanos, a empresa pretende estabilizar o número de funcionários, reduzir a rotatividade de pessoas para 15% e diminuir a taxa de frequência de acidentes, que na última safra foi maior que a esperada.
No relatório, a Odebrecht também propõe metas para os próximos três a cinco anos.
Com uma leve melhora em quase todos os índices, a gigante do setor praticamente dobrou suas apostas no etanol anidro, produto que é considerado pela empresa como o de melhor remuneração entre os derivados de cana-de-açúcar.
A empresa espera dobrar o volume de produção do produto de 0,43 bilhão para 0,9 bilhão na safra 2016/2017.
Enquanto que em 2013/14 o anidro correspondeu a apenas 28,6% da produção total de etanol, em 2016/17 o combustível adicionado à gasolina responderá por 42,8% da sua produção total.
Ainda para este período, a moagem de cana deverá alcançar 29,5 milhões de toneladas. Já a produção total de etanol está prevista em 2,1 bilhões de litros. Deste total, 1,2 bilhão é de etanol hidratado e 0,9 bilhão de anidro.
A expectativa da empresa quanto à produção de açúcar VHP para a safra 2016/17 é de 700 mil toneladas, enquanto que a cogeração deverá atingir 3,2 mil GWh.

Leonardo Siqueira – novaCana.com