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As 83 maiores sucroenergéticas: vendas e lucros crescem, mas endividamento segue alto

Número de empresas no ranking da Exame diminui, mas faturamento médio aumenta

NovaCana 9 min de leitura

Os últimos anos não têm sido estáveis para o setor sucroenergético. Por mais que, em 2016, os preços do açúcar no mercado internacional e o aumento na demanda por etanol tenham aliviado os ânimos, a crise de 2017 apresentou inúmeros desafios para as usinas. Ainda assim, parte do setor pode ter sentido as mudanças de forma diferente.

O ranking das mil maiores empresas brasileiras por faturamento – publicado pela Revista Exame e feito em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) – traz informações das principais companhias do país e mostra que, para os maiores nomes do setor sucroenergético, 2017 foi um ano favorável, com uma visível recuperação em alguns indicadores. O número de companhias na relação, porém, diminuiu.

O segmento aparece representado por 83 companhias que, juntas, faturaram US$ 28,4 bilhões – valor 4,36% superior aos US$ 27,3 bilhões do ano anterior. O aumento não é expressivo, mas, considerando as dificuldades da safra, um resultado positivo é surpreendente.

Confira, na reportagem completa, uma análise das variações dos indicadores das principais empresas do setor, além de gráficos com:

- Ranking das companhias com as maiores vendas líquidas de 2017
- Análise da evolução de indicadores financeiros do setor de 2009 a 2017
- Evolução das principais empresas sucroenergéticas, considerando vendas, resultados financeiros e taxa de endividamento

Os últimos anos não têm sido estáveis para o setor sucroenergético. Por mais que, em 2016, os preços do açúcar no mercado internacional e o aumento na demanda por etanol tenham aliviado os ânimos, a crise de 2017 apresentou inúmeros desafios para as usinas. Ainda assim, parte do setor pode ter sentido as mudanças de forma diferente.

O ranking das mil maiores empresas brasileiras por faturamento – publicado pela Revista Exame e feito em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) – traz informações das principais companhias do país e mostra que, para os maiores nomes do setor sucroenergético, 2017 foi um ano favorável, com uma visível recuperação em alguns indicadores. O número de companhias na relação, porém, diminuiu.

O segmento aparece representado por 83 companhias que, juntas, faturaram US$ 28,4 bilhões – valor 4,36% superior aos US$ 27,3 bilhões do ano anterior. O aumento não é expressivo, mas, considerando as dificuldades da safra, um resultado positivo é surpreendente.

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Além disso, este crescimento no valor total das vendas líquidas ocorreu mesmo com a diminuição no número de empresas. Enquanto em 2017 foram 83, em 2016 eram 89 e, em 2015, 88. Assim, a relação entre a quantidade de companhias presente na lista e as vendas líquidas totais fez com que o faturamento médio aumentasse: US$ 342,46 milhões contra US$ 306,02 milhões na temporada anterior.

Em relação às companhias, a Copersucar Cooperativa segue em primeiro lugar pelo terceiro ano consecutivo, com mais um aumento em seu faturamento. Em 2017, ele foi de US$ 4 bilhões; em 2016, de US$ 3,7 bilhões; e, em 2015, US$ 2,9 bilhões. Mesmo que a diferença não seja tão grande quanto nos últimos anos, as cifras seguem crescendo.

As cinco primeiras posições entre as sucroenergéticas, aliás, estão constantes desde 2015. Além disso, as dez primeiras empresas do ranking são as mesmas de 2016, com a diferença de que a Usina São Martinho e a Coruripe inverteram posições.

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Especificamente para as 50 maiores sucroenergéticas de 2017, o cenário pode ser considerado positivo. Em comparação com 2016, apenas nove companhias tiveram queda nas vendas. Por mais que esse número de empresas seja maior do que no ano anterior – quando apenas duas apresentaram recuo –, ele é um dos menores das últimas análises.

A companhia que teve maior queda foi a Petrobras Biocombustível, com uma redução de 21,5% entre os dois anos – passando de US$ 266,6 milhões para US$ 209,3 milhões em faturamento e caindo da 23ª para a 36ª posição no ranking.

As outras maiores quedas foram, respectivamente, 10,1% da Raízen Energia, após pico de vendas em 2016; 8,5% da Usina Caeté, que vem mantendo um baixo nível de vendas desde 2013; e 7,8% da Adecoagro Vale do Ivinhema.

Por outro lado, dentre as empresas que melhoraram na comparação entre 2016 e 2017, o destaque fica para a Usina Eldorado, que aumentou suas vendas líquidas em 96,2% – passando de US$ 92,4 milhões para US$ 181,2 milhões – e ficou em 45º lugar, subindo 25 posições. A empresa nem constava entre as 50 maiores de 2016.

Já a Usina Santa Isabel subiu 16 posições, ficando em 22º lugar após chegar a US$ 316,3 milhões em vendas líquidas. A Conquista do Pontal teve um aumento de 56,8% entre os dois anos, subindo 14 posições e ficando em 26ª. Por sua vez, o Grupo Colombo, que subiu 12 posições, ficou em 30º lugar após um aumento de 42% nas suas vendas líquidas.

Top 50: Melhora em todos os índices

Analisando a média das 50 maiores empresas do setor – e comparando seus resultados com os vistos nos últimos anos –, 2017 terminou com um saldo positivo, especialmente para as companhias que estão no topo.

Um dos indicadores que demonstra isso é o de vendas líquidas, que terminou o ano com a média de US$ 497,5 milhões, 5,99% a mais do que os US$ 469,4 milhões do ano anterior. Considerando que 2016 foi um ano bom para o setor, o aumento no índice é positivo. Além disso, esse é o valor mais alto já registrado nos nove anos do ranking, ficando 35,36% acima da média de US$ 367,55 milhões.

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A média do lucro líquido corrobora com a imagem de ano positivo que a publicação da Exame trouxe para o setor, pelo menos para as maiores empresas. Inclusive, essa é a segunda vez desde 2012 em que o resultado médio não é negativo.

Dentre as 50 empresas de maior faturamento, o lucro líquido médio foi de US$ 21,16 milhões, o segundo maior já registrado pelo setor desde que o ranking começou a ser realizado, em 2009. Esse resultado mostra que a diferença entre as vendas e os custos administrativos e de produção está cada vez maior nas grandes empresas, o que pode proporcionar um retorno positivo.

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Já a taxa média de endividamento, que é calculada pela soma das dívidas e obrigações de curto prazo e de longo prazo em relação ao ativo total ajustado, representa a participação equivalente de recursos financiados por terceiros na operação da empresa. Em 2017, apesar de ter diminuído, esse indicador manteve-se alto.

Na média das 50 maiores empresas de 2017, o endividamento ficou em 73,3%, o menor valor desde 2014, mas ainda acima da média de 72,4% dos últimos nove anos. Isso demonstra que mesmo as companhias que estão melhor posicionadas no ranking têm dívidas expressivas, de modo que uma parte significativa de seus rendimentos são utilizados para quitá-las ou, pelo menos, pagar os juros, impedindo maiores investimentos na melhoria da produção.

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Assim, por mais que as vendas e o lucro líquidos de 2017 tenham sido positivos e acima da média dos últimos anos, isso não necessariamente indica que o setor está entrando em uma fase boa. Em setembro de 2018, o diretor de agronegócios do Itaú BBA Pedro Fernandes afirmou, durante o NovaCana Ethanol Conference, que a safra 2017/18 reverteu o otimismo esperado em 2016.

“A consolidação do setor, que era esperada, não aconteceu. Mudamos de opinião ao longo do ano [de 2017] e constatamos que este crescimento não está ocorrendo, pois há um baixo apetite”, constatou.

O banco esperava que ocorresse uma “consolidação silenciosa” do setor, graças a uma retomada de investimentos e à diminuição de dívidas, o que levaria as companhias em melhores condições a adquirir terras. Entretanto, o ritmo de crescimento do canavial tem decrescido na última década.

As 10 companhias de destaque e seus indicadores

Para uma visão mais ampla das diferenças do cenário em 2017, conheça a evolução das dez maiores empresas do setor no resultado das suas vendas líquidas, resultados financeiros líquidos e taxa de endividamento.

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Metodologia aplicada

A avaliação da Exame referente a 2017 foi feita com mais de três mil empresas brasileiras e teve a coordenação da Fipecafi, compreendendo as demonstrações contábeis publicadas em Diário Oficial até 14 de maio de 2018. As companhias limitadas, que mandaram resultados para análise e responderam aos questionários, também foram incluídas.

O efeito da inflação foi considerado no resultado, assim como os resultados individuais e não consolidados, para medir o desempenho por empresa. A ideia é que não houvesse prejuízos na avaliação, além de padronizar os números para o caso de companhias que fecham o balanço antes ou depois da maioria. Os valores são divulgados em dólares, de acordo com a flutuação e o câmbio do último dia do ano analisado.

Dentre os critérios de seleção estão ser uma das mil maiores empresas privadas ou estatais, com vendas líquidas anuais superiores a US$ 152,3 milhões, ser uma das dez maiores ou 15 melhores do respectivo setor e ser uma das 100 maiores das regiões Centro-Oeste, Norte-Nordeste e Sul.

Para o setor sucroenergético, a metodologia escolhida é problemática, pois considera o ano civil de 2017 e não o ano fiscal das companhias – que envolve a temporada inteira –, deixando de fora o último trimestre da safra, já que os resultados começam a ser divulgados em junho do ano seguinte. Desta forma, os valores divulgados no ranking não necessariamente correspondem à situação da companhia em uma safra completa.

Outro porém é que a lista não agrupa o balanço dos mesmos grupos, permitindo uma separação entre as unidades do Grupo Virgolino de Oliveira e da Atvos (ex-Odebrecht Agroindustrial), por exemplo. Quanto às empresas de porte significativo que são bem conhecidas no mercado, mas preferem não divulgar seus números, os analistas da revista estimam seu faturamento para que elas não fiquem de fora da lista.

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Rafaella Coury – NovaCana

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