Veja a seguir um resumo destacando os resultados financeiros, de venda de etanol e açúcar, nível de moagem, mix da produção e os indicadores agrícolas obtidos pela empresa no primeiro trimestre da safra 2015/16
As sete usinas sucroenergéticas do grupo francês Tereos Internacional no Brasil, controladas através da Guarani, apresentaram um prejuízo operacional (Ebit) de R$ 77 milhões no período de abril a junho, que corresponde ao primeiro trimestre da safra canavieira.
Veja a seguir um resumo destacando os resultados financeiros, de venda de etanol e açúcar, nível de moagem, mix da produção e os indicadores agrícolas obtidos pela empresa no primeiro trimestre da safra 2015/16.
As sete usinas sucroenergéticas do grupo francês Tereos Internacional no Brasil, controladas através da Guarani, apresentaram um prejuízo operacional (Ebit) de R$ 77 milhões no período de abril a junho, que corresponde ao primeiro trimestre da safra canavieira.
A perda acentua em 467% o Ebit de R$ 14 milhões negativos registrados no mesmo período do ano passado. O desempenho do segmento de açúcar e energia no Brasil foi apresentado dentro dos resultados trimestrais do grupo francês, na noite de quarta-feira (05).
O Ebitda (sigla, em inglês, para Lucro antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) ajustado ao valor justo dos canaviais da Guarani, totalizou R$ 93 milhões trimestre, com sutil retração em relação aos R$ 95,1 milhões do ano anterior, resultando em uma margem Ebitda ajustado de 19,5%, o que significa uma redução de 1,3 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.
No trimestre, a Guarani celebrou um novo acordo de acionistas relacionado ao seu investimento na Usina Vertente, em cumprimento a legislação contábil e sem alteração na participação acionária – que é compartilhada com o Grupo Humus, cada um com 50% –, e por isso passou a consolidar integralmente os resultados desta unidade.
A consolidação integral do desempenho da Vertente trouxe uma receita extra de R$ 51 milhões para a Guarani que, no trimestre, obteve com as vendas de açúcar, etanol e energia R$ 478 milhões. O valor significa um avanço de 4,5% em relação ao registrado um ano atrás.
Mas, na comparação proforma, (que permite um comparativo mais adequado ao considerar os resultados anteriores da Vertente como se a usina já pertencesse integralmente a Guarani), houve queda de 1% na receita, em relação aos R$ 483 milhões do primeiro trimestre de 2014/15. Já o crescimento do prejuízo operacional, no proforma, seria de 266% comparado ao Ebit negativo em R$ 21 milhões.
No trimestre, foram investidos R$ 104,2 milhões, concentrados em manutenção, que correspondeu a 83% do aporte, e o restante foi destinado a ganhos de eficiência.
Vendas de açúcar e etanol
Com a valorização do dólar, apesar dos baixos preços do açúcar no mercado internacional, a receita do trimestre foi puxada, principalmente, devido ao aumento do valor do adoçante convertido em reais, que foi 2,4% superior na comparação em base anual, atingindo R$ 914/ton.
Com a venda de 303 mil toneladas de açúcar, incremento de 2,4%, a receita resultou em R$ 277 milhões, 9,8% superior ao mesmo período do ano passado.
Já as vendas de etanol somaram R$ 155 milhões, alta 8,8%, respondendo por um terço da receita trimestral das usinas brasileiras. No trimestre, foram negociados 128 milhões de litros, crescimento de 12%, com preço médio 3,4% inferior, de R$ 1.212/m³.
O segmento de outros produtos, que abrange a cogeração de bioeletricidade, apresentou queda de 26,3%, para R$ 46 milhões. Em volume, a comercialização de energia foi 27% inferior no período e atingiu 202 GWh, ante 274 GWh no ano anterior, refletindo a queda na atividade de trading e o atraso na produção canavieira.
Moagem 7,5% menor
Impactada pelo maior índice de chuvas e o início mais tardio da safra, a moagem do período foi 7,5% inferior ao primeiro trimestre da safra 2014/15, atingindo 6,5 milhões de toneladas ante 7 milhões de toneladas.
Afastando o receio de um processamento inferior ao da safra passada, o grupo afirma que, após junho, a moagem já avançou consideravelmente e, reforça, que nos primeiros 100 dias da safra, o volume processado era 4% superior ao do ano anterior.

Desempenho agrícola
Segundo a companhia, o primeiro trimestre de 2015/16 foi marcado pelo bom início da safra e progresso na eficiência da colheita em relação ao ano passado. No entanto, os indicadores agrícolas regrediram.
A produtividade de cana atingiu 87 toneladas por hectare (tons/ha), queda de 9% ante 95 tons/ha no ano anterior. Já o nível de concentração de sacarose, medido pelo ATR (Açúcar Total Recuperável), atingiu 123 quilos por tonelada (kg/ton), 7,5% inferior aos 133 kg/ton no mesmo trimestre de 2014/15.
Apesar dos índices inferiores na comparação entre safras, a Tereos comemora ter obtido marcas acima da média do setor. No indicador de ATR por tonelada, o índice está 4% superior à média do centro-sul, ou 10,6 kg/ton, afirma a empresa.
Em chamada com inventores, os dirigentes franceses sustentaram que no Brasil a área agrícola recebeu fortes investimentos nos últimos dois anos para manter uma boa idade média do canavial, replantando anualmente entre 18% e 20% da área.
Além do compromisso com a manutenção da baixa idade média dos canaviais, nos últimos 18 meses a companhia se concentrou na eficiência dos processos de plantio e colheita. Com isso, elevou em 6% a média da colheita de cana por máquina.
Mix menos açucareiro
A produção total de matéria-prima, medida em ATR, atingiu 806 mil toneladas, resultado 13% inferior em relação ao mesmo período do ano passado. Com forte perfil exportador, a Tereos destinou 55% do ATR para a produção de açúcar, no entanto, o índice foi inferior 57% conferidos à commodity anteriormente.
“O aumento relativo da remuneração do preço do etanol em comparação ao açúcar, somado ao menor rendimento agrícola, levou a um mix menos direcionado para produção de açúcar”, justifica o relatório.
Com isso, a produção da commodity no primeiro trimestre, de 427 mil toneladas, foi 15,6% menor na comparação com o mesmo período da safra passada, já a de etanol caiu 9,7%, para 213 milhões de litros.
Segundo a empresa, a “cogeração de energia está temporariamente atrasada, embora seja esperada uma recuperação dos volumes no decorrer do ano”.
Na área industrial o foco está em manutenção preventiva, ao invés de manter a mesma rotina de verificar todos os equipamentos ano a ano, a companhia está usando testes para verificar se um equipamento precisa de manutenção ou não. Com essa mudança de abordagem, feita desde o ano passado, as usinas estão entregando uma melhora significativa na eficiência industrial.
Consolidado Tereos Internacional
No consolidado, que inclui ainda os segmentos de amidos e adoçantes, além do negócios em etanol e açúcar na Europa, África e Oceano Índico, a Tereos Internacional presentou um prejuízo líquido de R$ 141 milhões no trimestre.
A receita líquida foi de R$ 1,95 bilhão no período, sendo 25% (R$ 457 milhões) originários das usinas brasileiras. Em relação ao Ebitda ajustado, que foi de R$ 123 milhões, as mesmas usinas respondem pela maior parte da receita, 75% ou R$ 93 milhões.
Em 30 de junho de 2015, a dívida líquida da Tereos Internacional (incluindo partes relacionadas e a consolidação integral da Vertente) totalizava R$ 5,3 bilhões, contra R$ 4 bilhões em 30 de junho de 2014.

Amanda SchArr – NovaCana


