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Mesmo daqui a 10 anos, produção brasileira de etanol celulósico não deve superar 640 milhões de litros

bagaco cana 160817Usinas previstas tiveram seus projetos cancelados ou adiados, enquanto unidades em atividade ainda enfrentam problemas técnicos

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As expectativas em relação ao etanol celulósico continuam em baixa. Agora a perspectiva para o curto e médio prazo ficou mais esfriada com a visão oficial do governo para os próximos dez anos. De acordo com o texto, a produção de etanol de segunda geração (E2G) passará a ser significativa apenas no final da próxima década, atingindo 634 milhões de litros em 2026.

O número está distante dos 2,5 bilhões de litros estimados para 2030. Esse montante, projetado no ano passado pelo próprio governo, implicaria em um aumento de produção de 1,8 bilhão de litros no período de quatro anos entre 2027 e 2030.

Na reportagem a seguir a visão dos analistas do governo sobre o etanol de segunda geração.

E mais:

- O destino dos projetos de novas usinas de E2G
- Comparativo com projeção anterior

As expectativas em relação ao etanol celulósico continuam em baixa. Agora a perspectiva para o curto e médio prazo ficou mais esfriada com a visão oficial do governo publicada no Plano Decenal de Energia 2026 (PDE 2026), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). De acordo com o texto, a produção de etanol de segunda geração (E2G) passará a ser significativa apenas no final do período analisado, atingindo 634 milhões de litros em 2026.

Esse discurso é bastante similar ao visto no PDE 2024, quando foi estimada uma produção de 429 milhões de litros em 2024. Contudo, enquanto antes se projetava uma participação de cerca de 0,98% da produção total, agora, esse número subiu para 1,44%.

O número, entretanto, ainda está distante dos 2,5 bilhões de litros estimados para 2030. Esse montante, projetado no ano passado pela própria EPE, implicaria em um aumento de produção de 1,8 bilhão de litros no período de quatro anos entre 2027 e 2030.

Na ocasião, a empresa de pesquisa, que é vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), apostava que o etanol celulósico se tornaria viável comercialmente a partir de 2023, apresentando uma trajetória de crescimento a partir desse ponto. A data não foi mencionada no estudo mais recente e também não foi apresentado um gráfico atualizado da projeção de crescimento do E2G.

Usinas previstas e em funcionamento

Para sua projeção, a EPE considera que o Brasil possui duas plantas comerciais (Granbio e Raízen) e uma experimental do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), com capacidade de produção de 82, 42 e 3 milhões de litros, por ano, respectivamente. Apesar da capacidade total de 127 milhões de litros, a expectativa no curto-prazo está distante desse valor.

“As plantas comerciais enfrentam problemas técnicos (como na etapa de pré-tratamento e filtragem da lignina) que estão sendo resolvidos. Entretanto, ainda operam bem abaixo da capacidade nominal”, justifica a EPE.

Segundo o estudo, a produção do E2G é mais econômica e competitiva quando integrada com a produção convencional. “As usinas que já possuem cogeração e tiverem interesse em produzir etanol lignocelulósico deverão avaliar a disponibilidade e diversidade de matéria-prima (recolhimento de palhas e pontas e a possibilidade de cana-energia), bem como a eficientização do processo produtivo (troca de caldeiras e turbinas e eletrificação de equipamentos)”, recomenda.

Apesar disso, o estudo não menciona a possibilidade de inauguração de novas usinas. No PDE 2024, publicado há dois anos, a EPE ainda contava com a abertura de unidades da Odebrecht Agroindustrial, da Abengoa e da São Martinho em parceria com a Petrobras Biocombustíveis (PBio).

A primeira unidade, da ODB Agro, estava prevista para 2016/17, com capacidade de 80 milhões de litros. No entanto, o projeto foi paralisado por “desafios na safra”, conforme justificado pelo gerente comercial sênior da Inbicon, Jesper Dohrup, em maio de 2015.

Já a unidade da Abengoa, que teria uma capacidade de 64 milhões de litros, estava prevista para entrar em operação este ano. A situação da companhia, entretanto, também é delicada. Além dos problemas enfrentados mundialmente pelo grupo – que pretende vender as usinas de etanol brasileiras –, a unidade de E2G que estava em funcionamento nos Estados Unidos encerrou suas atividades em dezembro do ano passado.

Apesar disso, em abril de 2016, o diretor da Abengoa Bioenergia Brasil, Rogério Ribeiro Abreu dos Santos, afirmou que o cronograma de implantação continuava em andamento e que a expectativa da empresa era colocar a unidade em operação antes de 2018. Uma visão que na época já era vista com ceticismo.

A equipe do NovaCana entrou em contato com a assessoria de imprensa da companhia e questionou sobre o andamento do projeto, mas não obteve retorno.

Por fim, com uma capacidade de 40 milhões de litros, o projeto da planta da São Martinho e da PBio já estava parado antes mesmo da publicação do PDE 2024 e sua inauguração foi classificada como “sem definição”.

“Paramos na fase de estudos e engenharia. Analisamos as tecnologias que existiam, fizemos um projeto conceitual da nossa tecnologia, analisamos o que tem no mercado e criamos um pacote de engenharia, mas não iniciamos nenhuma etapa de construção ou montagem”, disse, em março de 2015, o então gerente de projetos de segunda geração da PBio, André Bello.

Renata Bossle – NovaCana

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