Diretor do grupo detalha ações para ganho de eficiência e melhoria das avaliações no programa
A primeira empresa a vender créditos de descarbonização (CBios) do programa RenovaBio foi a Adecogro, em 12 de junho deste ano. Foram 100 créditos comercializados por R$ 50 reais cada, totalizando uma receita de R$ 5 mil.
Durante a Conferência Internacional Datagro, o diretor de açúcar, etanol e energia da Adecoagro, Renato Junqueira Pereira, detalhou algumas projeções da empresa em relação à emissão dos créditos. Ele também apresentou pontos que precisam ser melhorados para tornar a produção das usinas do grupo mais eficiente, ampliar a nota de eficiência energética no RenovaBio e, consequentemente, aumentar a receita com CBios.
Atualmente, o grupo tem suas três usinas certificadas no programa, duas situadas em Mato Grosso do Sul e uma em Minas Gerais. Junqueira utilizou a unidade Adecoagro, localizada em Ivinhema (MS) para exemplificar o quanto as melhorias podem ser instituídas pelo grupo.
A nota de eficiência energética da usina é de 68 gCO2/MJ, ou seja, esta é a quantidade de dióxido de carbono que deixa de entrar na atmosfera em comparação com a gasolina, que emite 87,4 gCO2/MJ. Assim, no caso da unidade localizada em Ivinhema, a diferença entre os valores é de 19,4 gCO2/MJ, o que corresponde às emissões do processo produtivo da usina.
“A nossa eficiência seria 19,4 gCO2/MJ. Os dois principais fatores que podemos melhorar para ampliar a nossa nota é no uso de fertilizantes e no consumo de combustível, principalmente o diesel”, afirma Junqueira. O primeiro destes elementos é responsável por 30% do valor, enquanto o consumo de combustível corresponde a 28%.
Ele detalha que uma das possibilidades de melhoria se dá pela adoção de algumas tecnologias, como a produção de biometano. “Já temos um projeto começando e que terá um futuro muito promissor. Se funcionar do jeito que estamos imaginando, vamos conseguir substituir 100% da utilização de diesel”, completa.
Além disso, Junqueira relata que a Adecoagro está fazendo uso de vinhaça concentrada, o que exime a necessidade de adquirir adubo potássico. A companhia também tem feito a mistura de adubo nitrogenado e de nitro nutrientes à vinhaça, o que diminui as aplicações dos produtos no canavial e, por sua vez, reduz o consumo de óleo diesel usado pelo maquinário.
Confira na versão completa a análise detalhada do diretor da Adecoagro, além das projeções de produção de CBios e de receita adicional com as vendas de créditos do grupo.
A primeira empresa a vender créditos de descarbonização (CBios) do programa RenovaBio foi a Adecogro, em 12 de junho deste ano. Foram 100 créditos comercializados por R$ 50 reais cada, totalizando uma receita de R$ 5 mil.
Durante a Conferência Internacional Datagro, o diretor de açúcar, etanol e energia da Adecoagro, Renato Junqueira Pereira, detalhou algumas projeções da empresa em relação à emissão dos créditos. Ele também apresentou pontos que precisam ser melhorados para tornar a produção das usinas do grupo mais eficiente, ampliar a nota de eficiência energética no RenovaBio e, consequentemente, aumentar a receita com CBios.
Atualmente, o grupo tem suas três usinas certificadas no programa, duas situadas em Mato Grosso do Sul e uma em Minas Gerais. Junqueira utilizou a unidade Adecoagro, localizada em Ivinhema (MS) para exemplificar o quanto as melhorias podem ser instituídas pelo grupo.
A nota de eficiência energética da usina é de 68 gCO2/MJ, ou seja, esta é a quantidade de dióxido de carbono que deixa de entrar na atmosfera em comparação com a gasolina, que emite 87,4 gCO2/MJ. Assim, no caso da unidade localizada em Ivinhema, a diferença entre os valores é de 19,4 gCO2/MJ, o que corresponde às emissões do processo produtivo da usina.
“A nossa ineficiência seria 19,4 gCO2/MJ. Os dois principais fatores que podemos melhorar para ampliar a nossa nota é no uso de fertilizantes e no consumo de combustível, principalmente o diesel”, afirma Junqueira. O primeiro destes elementos é responsável por 30% do valor, enquanto o consumo de combustível corresponde a 28%.
Biometano e vinhaça são aliados
Ele detalha que uma das possibilidades de melhoria se dá pela adoção de algumas tecnologias, como a produção de biometano.
“Já temos um projeto começando e que terá um futuro muito promissor. Se funcionar do jeito que estamos imaginando, vamos conseguir substituir 100% da utilização de diesel”, afirma e completa: “Se isso acontecer, a nossa nota vai melhorar de tal forma que teremos uma receita adicional de aproximadamente R$ 4 milhões, substituindo 100% do diesel por biometano”.
Além disso, Junqueira relata que a Adecoagro está fazendo uso de vinhaça concentrada, o que exime a necessidade de adquirir adubo potássico. A companhia também tem feito a mistura de adubo nitrogenado e de nitro nutrientes à vinhaça, o que diminui as aplicações dos produtos no canavial e, por sua vez, reduz o consumo de óleo diesel usado pelo maquinário.
Dentre os nutrientes existentes na vinhaça, ele destaca o potássio de sódio, que é amplamente consumido pela cana-de-açúcar. Assim, quando concentrada, a vinhaça pode ser aplicada no solo como fertilizante.
“Fazemos as contas para ver onde é possível melhorar a nota com projetos sustentáveis e ampliar a competitividade do etanol a longo prazo”, explica Junqueira. “A partir do momento em que adotamos essas tecnologias, os custos de produção baixam e o consumidor final será beneficiado por um combustível mais limpo e mais barato, inclusive a gasolina, por conta da mistura de 27% de anidro”.
Nesse sentido, o diretor aponta que o RenovaBio não só incrementa a renda do produtor de biocombustível, mas também melhora a relação de preço do etanol com o açúcar.
Considerando o cenário da Adecoagro, Junqueira relata que o etanol teria um incremento de valor de 0,26 centavos de dólar por libra-peso, o que amplia a competitividade do biocombustível em relação ao açúcar.
Além disso, o programa ajuda a incentivar o investimento em tecnologias renováveis, com adoção de práticas para melhoria da nota, conforme o diretor acrescenta. “Isso converge com que a sociedade precisa, que é uma matriz energética mais limpa”, pontua.
“A beleza do RenovaBio está nos investimentos para melhorar a nota, no incentivo para que a matriz de energia fique cada vez mais limpa”, Renato Junqueira Pereira (Adecoagro)
Notas e eficiência
Conforme dados de consulta pública ocorrida entre 3 de dezembro de 2019 e 1º de janeiro de 2020, divulgados pela firma inspetora SGS e expostos pelo diretor em sua apresentação, as notas das usinas da Adecoagro variam entre 66,4 e 70,0 gCO2/MJ. A usina com o melhor desempenho é a Monte Alegre, localizada em Monte Belo (MG), com 70,0 gCO2/MJ para o etanol hidratado.
Já a usina Adecoagro, localizada em Ivinhema (MS), teve nota de 68,1 gCO2/MJ para o etanol hidratado. Por fim, a unidade Angélica, localizada em município sul-mato-grossense de mesmo nome, teve notas de 66,4 gCO2/MJ para o etanol hidratado e de 66,7 gCO2/MJ para o anidro.

Conforme Junqueira, tais desempenhos fizeram com que as usinas ficassem entre as 20 mais bem classificadas do setor.
Ele pontua que o grupo consegue vender, considerando a média das quatro rotas certificadas, 1,4 CBio a cada mil litros de etanol. Considerando a produção do grupo no ciclo 2019/20, isso resultaria em um milhão de CBios.
“A receita adicional, com o preço atual [dos créditos], seria entre R$ 50 e 60 milhões”, afirma o diretor. Considerando impostos e taxas bancárias, ele estima que 75% do valor iria para o caixa da empresa.
O NovaCana consultou os dados do grupo para visualizar valores mais exatos de emissão dos créditos e de receita extra. A partir dos fatores de emissão das rotas certificadas, as unidades precisam de entre 677,54 mil e 737,46 mil litros para emitir um CBio. Na média, seria emitido 1,41 CBio a cada mil litros, em linha com os valores apresentados por Junqueira.
Conforme dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na temporada 2019/20 as usinas do grupo produziram 747,96 milhões de litros de etanol. Com isso, a estimativa de produção de CBios para a safra seria de 1,06 milhão de créditos, sendo a unidade Adecoagro a responsável pelo maior volume de créditos: 548,31 mil.
Levando em conta um preço de R$ 44,05 por CBio, conforme o valor médio histórico até 30 de outubro, a receita adicional que o grupo teria obtido com a produção de 2019/20 seria de R$ 46,7 milhões.
Já com um preço de R$ 60, em linha com valores atuais e com a projeção do Ministério de Minas e Energia (MME) – de US$ 10 por CBio –, a receita da Adecoagro com os créditos teria sido R$ 63,6 milhões.

Outro fator importante destacado por Junqueira foi a elegibilidade das áreas. Conforme as regras em vigor, só pode ser considerado no RenovaBio o etanol produzido a partir da matéria-prima produzida em fazendas que possuam o Cadastro Ambiental Rural (CAR), documento que comprova que o terreno está cumprindo as regras do Código Florestal.
Neste quesito, a usina da Adecoagro com pior desempenho é a Monte Alegre, com 90,8% de áreas elegíveis, enquanto a Ivinhema tem 95,7% e a Angélica tem 99%.
Sobre o assunto, o diretor da Adecoagro disse que as usinas “estão fazendo a lição de casa” para regularizar a totalidade das áreas. “Em algumas áreas, onde tivemos problema de CAR, temos conversado muito com os proprietários, de forma que isso seja resolvido”, completa.
Boas perspectivas
Junqueira destaca que o programa vem funcionando muito bem, ficando acima das expectativas. “Quando conversamos com os investidores e falamos sobre o funcionamento do programa, todos ficam surpresos”, relata.
Segundo o diretor da Adecoagro, as vendas dos créditos até a publicação das metas atualizadas era, em média, de 6,7 mil CBios por dia. Entretanto, o montante subiu para 146 mil CBios por dia após a revisão.
Ele também compara os preços dos créditos do RenovaBio com outros mercados, como o IHS Markit Global Carbon. “Fazendo uma média ponderada do preço dos créditos de carbono dos Estados Unidos e da Europa, o preço médio é de US$ 20, enquanto o nosso é US$ 10”, relata. “Imaginamos que esses valores tendem a se convergir, pois é o mesmo produto: uma tonelada de carbono evitada na atmosfera, e estamos falando do mesmo meio ambiente”.
Ainda segundo ele, os temas da sustentabilidade e saúde ganharam muita importância recentemente – e o setor sucroenergético está muito bem posicionado nesse sentido.
“A [pandemia de] covid-19 mostrou que uma crise de saúde pública nestas proporções pode causar uma verdadeira tragédia tanto na saúde, com mais de 1,2 milhões de mortes, quanto na economia, com o PIB das nações em geral caindo entre 4 e 5%. As pessoas começaram a perceber que o aquecimento global pode ser a próxima ameaça”, detalhou.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana