A partir de três cenários, estudo da EPE projeta a quantidade de usinas em operação em 2030 como sendo entre 378 e 401
Com o RenovaBio batendo à porta, o estimulo ao aumento na produção de etanol deve gerar uma ampliação no número de usinas em operação no Brasil. No último dia 5, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), divulgou uma versão atualizada da demanda de etanol e do ciclo Otto de 2018 até 2030.
Apesar do conteúdo do documento não apresentar muitas novidades em relação à versão anterior, é possível destacar justamente o saldo de usinas em operação no Brasil. A estimativa passada era que, até 2030, o país teria entre 380 e 420 unidades em operação. Agora, essa projeção aponta para um número de 378 a 401 usinas sucroenergéticas.
No ano passado, de acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) citados pela EPE, havia 367 usinas em operação em 31 de dezembro. Assim, o crescimento no número de unidades até 2030 pode variar de 2,99% a 9,26%.
A sugestão do governo é que o RenovaBio não vai trazer um boom de novas unidades, mas o programa será atendido muito mais por reativações e ampliações. O resumo do trabalho e os gráficos reelaborados pelo NovaCana estão apresentados no texto a seguir.
Saiba mais:
- Projeção de número de novas usinas em operação
- Estimativa de unidades que serão reativadas nos próximos anos
- Perspectiva de fechamento de usinas
- Expansão de capacidade de moagem das usinas já existentes e do setor
- Evolução do setor sucroenergético – histórico de expansão e encolhimento
Com o RenovaBio batendo à porta, o estimulo ao aumento na produção de etanol deve gerar uma ampliação no número de usinas em operação no Brasil. No último dia 5, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), divulgou uma versão atualizada da demanda de etanol e do ciclo Otto de 2018 até 2030.
Apesar do conteúdo do documento não apresentar muitas novidades em relação à versão anterior, é possível destacar justamente o saldo de usinas em operação no Brasil. A estimativa passada era que, até 2030, o país teria entre 380 e 420 unidades em operação. Agora, essa projeção aponta para um número de 378 a 401 usinas sucroenergéticas.
Além disso, em fevereiro de 2017, a previsão da EPE em um panorama médio era de 395 usinas em 2026. Considerando as projeções atuais, no mesmo ano, o número máximo de unidades é de 393; já no cenário de crescimento moderado, o número cai para 385; e com crescimento baixo, fica em 374.
No ano passado, de acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) citados pela EPE, havia 367 usinas em operação em 31 de dezembro. Assim, o crescimento no número de unidades até 2030 pode variar de 2,99% a 9,26%.
Usinas novas, reativas e fechadas
Independente do cenário, o saldo de usinas previsto pelo governo envolve um crescimento equilibrado do setor.
Como de costume, a EPE elenca três panoramas possíveis. Em uma análise de 2018 com projeção até 2030, cenários de baixo, médio e alto crescimento são apresentados considerando variações em “incentivos governamentais e ações dos agentes do setor”. A partir disso, foi calculado o fluxo de usinas, incluindo novas unidades, reativações e fechamentos.

O cenário de médio crescimento considera que o período verá 19 novas unidades. Mas o de alto crescimento prevê 25 e o de baixo, dez – uma disparidade de 15 usinas.
Considerando contextos de médio e alto crescimento, as novas unidades devem começar a ser inauguradas em 2020. Na opção mais pessimista, o Brasil terá uma nova usina de cana-de-açúcar apenas no ano seguinte. A EPE também acredita que, a partir de 2021, o país terá ao menos uma nova usina por ano, mesmo em condições de baixo crescimento.

No panorama médio, as novas usinas aumentarão a capacidade nominal de moagem de cana em 67 milhões de toneladas; no alto, em 85 milhões; e no baixo, em 31 milhões.
Além disso, a EPE também projetou reativações de unidades já existentes. Nesse caso, de 2018 a 2021, a estimativa é de 10 reativações no panorama de baixo crescimento do setor; 12 no de médio e 13 no de alto. Em todos os três cenários projetados, não haverá reativações de 2022 em diante.

Por outro lado, os próximos anos ainda terão fechamentos. A EPE projeta que o número de usinas paralisando as atividades deve cair gradativamente até zerar – na melhor das hipóteses, isso acontece em 2019; na pior, em 2022.

Mudanças na moagem
O estudo também compara a capacidade instalada de moagem em relação a dezembro de 2017, levando em conta usinas novas, reativadas e expandidas. Em 2017, segundo a EPE, esse valor era de 827 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
De acordo com a EPE, as expansões de moagem nas unidades já instaladas no cenário médio são consideradas em 26 milhões de toneladas. No cenário de alto crescimento, a quantidade sobe para 82 milhões de toneladas; no baixo, não é previsto tal crescimento.
Na projeção total, em um médio crescimento, as usinas brasileiras podem atingir até 977 milhões de toneladas em 2030.

Considerando as unidades fechadas, entretanto, a projeção da capacidade de moagem das usinas brasileiras em 2030 cai para 864 milhões de toneladas (cenário pessimista), 936 milhões de toneladas (cenário médio) e 1,01 bilhão de toneladas (cenário otimista).
A EPE ainda considera que a capacidade de moagem efetiva é equivalente a 90% do valor da capacidade instalada. Desse modo, as perspectivas para 2030 iriam para 778 milhões, 842 milhões e 912 milhões, respectivamente.
Histórico de expansão e encolhimento
Segundo a EPE, o período entre 2006 e 2010 foi marcado por um boom de usinas sendo implantadas, com uma média de 24 a cada ano. Conforme o estudo, o fato está relacionado ao aumento da demanda por etanol no Brasil e pelo açúcar internacionalmente. Após o período, houve sensível redução de investimentos no setor sucroenergético por conta dos “altos endividamentos, menores despesas de produção e influências climáticas”, pontua o documento.
Entre 2005 e 2007, 139 usinas foram implantadas no país. Em contrapartida, desde 2008, 111 fecharam. O saldo gerado pelo fluxo, segundo o EPE, gerou um acréscimo de cerca de 165 milhões de toneladas em capacidade instalada nominal de processamento de cana.
A partir de 2011, o número de novas unidades caiu significativamente, cenário que se repetiu nos anos seguintes. Apenas 2016 fugiu à regra, pois nenhuma usina fechou naquele ano, segundo a EPE. Já no ano passado, o cenário de fechamento voltou a figurar no setor sucroenergético.
Download
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana
