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Investimento

Millenium Bioenergy vai produzir etanol a partir do milho no Amazonas

Multinacional investirá R$ 1,2 bilhão no projeto inicial do Amazonas; parceria para cultivo deve gerar renda para aproximadamente 4,2 mil famílias


Em Tempo (AM) - 02 dez 2019 - 08:14

A produção do etanol a partir do milho será possível no Amazonas. A Millenium Bioenergy, grupo empresarial fundado em 2014, pretende investir pelo menos R$ 1,2 bilhão na construção três usinas de etanol de milho e outros produtos derivados do processamento de grãos no Amazonas, uma em Manaus, a outra na região de Rio Preto da Eva e Itacoatiara.

Estas são duas das oito unidades de etanol que a companhia pretende erguer nos próximos anos, boa parte delas nas áreas de abrangência da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) – estados do Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia e Amapá.

Segundo o diretor comercial da Millenium Bioenergy, Acácio Rozendo, o momento agora é dar entrada em órgão ambiental para solicitação da licença de instalação, que será após o término do projeto de terraplanagem e drenagem. A diretoria da empresa esteve presente em Manaus na última quarta-feira (27) durante a abertura da 1ª Feira de Sustentabilidade do Polo Industrial de Manaus (FesPIM).

“A indústria vai produzir cinco produtos à base de milho na segunda fase: 1,2 milhão de litros de etanol; 300 mil toneladas de farelo de milho (DDGS); gás dióxido de carbono (CO) alimentício engarrafado, 16 mil toneladas bio-óleo comestível; e de oito a 15 megawatts de energia excedente”, enumera.

Para a usina em Roraima, o lançamento da pedra fundamental será no município de Bonfim, no dia 7 de dezembro. A empresa prevê a produção de 600 mil litros de biocombustível por dia no local.

A área onde será construída a empresa é localizada na região do Tucano e possui 270 mil m² de obra. Nesse local, estima-se que o investimento seja de R$ 1 bilhão e que 1500 trabalhadores sejam utilizados na construção da fábrica.

Etanol mais barato

Para Acácio Rozendo, o etanol de milho vai beneficiar o consumidor final com economia de dinheiro na hora que for abastecer o veículo, além de ajudar a preservar o meio ambiente.

“Imagina que na região Norte do país, onde todo mundo usa gasolina porque o preço do etanol não dá a diferença na bomba. As pessoas vão abastecer com um combustível limpo e vai ajudar a preservar o meio ambiente. Vai sair mais barato e será possível vender direto para os postos de combustíveis”, revela.

A primeira fase da obra deve durar 18 meses. Os recursos para os projetos são de fundos de investimentos, principalmente europeus e asiáticos, e todas as futuras usinas só sairão do papel com uma demanda garantida pelo etanol e o DDGS exportado.

“A matéria-prima que é o milho vai vir todo da região e isso vai ser feito graças a parceira com governo, prefeitura, associações e cooperativas para haver o fomento das famílias de agricultura familiar. Elas vão poder fazer o plantio nas áreas já degradas e nós iremos comprar. No Amazonas a maior de produção de milho vai ser em terra de várzea”, acrescenta.

Em Rio Preto da Eva (distante de 79 quilômetros de Manaus), 4,2 mil famílias já estão cadastradas e aptas para receber o fomento. A Millenium fechou uma parceria com comunidades de diversas etnias.

“Não será só o plantio do milho, cada família poderá cuidar do seu peixe, frango e suíno e ainda contar com contrato a longo prazo com a indústria onde serão beneficiadas com a ração”, diz.

Acácio Rozendo afirmou que, por conta da parceria, a Millenium irá destinar recursos para a construção de um hospital para as comunidades indígenas. “Em cada município que nós nos instalamos, criamos um fundo e esse recurso é administrado pela sociedade civil organizada: pessoas do poder executivo e legislativo, ministérios públicos e outros administram o montante para a prioridade do município”, conta.