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BNDES aprova financiamento de R$ 21,9 mi para planta de biogás de vinhaça no Paraná

Segundo o banco, energia distribuída no sistema interligado deve chegar a quase 50 GWh por ano, o suficiente para atender o consumo de eletricidade de 25 mil domicílios


BNDES - 20 out 2020 - 08:06

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou na tarde de ontem, 19, que aprovou um financiamento de R$ 21,9 milhões à Geo Elétrica Tamboara para ampliação de um projeto de produção de energia elétrica a partir de biogás gerado pela vinhaça, resíduo industrial gerado pela produção de etanol.

De acordo com o banco, a tecnologia desenvolvida pela companhia é pioneira no uso de resíduos do setor sucroalcooleiro e pode contribuir para a ampliação da oferta de energia limpa no país e diminuição da emissão de gás carbônico.

Com o apoio do BNDES, a capacidade de geração da planta da empresa, localizada no município de Tamboara – no noroeste do Paraná –, será ampliada em 123%, chegando a 59,85 GWh por ano em 2022. Desse total, cerca de 50 GWh serão distribuídos para o sistema interligado de energia, volume capaz de atender ao consumo anual de cerca de 25 mil residências.

“Do ponto de vista ambiental, estima-se que o projeto, após concluído, evitará a emissão de 90,2 toneladas de gases poluentes ao ano, considerando-se o volume de dióxido de carbono que seria gerado se a vinhaça fosse descartada diretamente na natureza. Esse efeito equivale ao plantio de 631 árvores ou ainda à retirada de circulação de 45 veículos a gasolina”, aponta o comunicado do BNDES.

Ainda conforme a instituição, o financiamento correspondente a 73% do investimento total (R$ 30 milhões), ampliará a capacidade de tratamento da vinhaça em 464%, chegando a 12 milhões de litros por dia. O aumento da produção se dará com a instalação de quatro novos biodigestores e também contribuirá para o aumento de rentabilidade da unidade por conta do ganho de escala.

A empresa já processa cerca de 30% da vinhaça gerada pela Cooperativa Agrícola Regional de Produtores de Cana (Coopcana). Com a conclusão do projeto, o insumo passará a ser transportado por dutos de 1,6 km de extensão e será possível utilizar quase todo o resíduo produzido pela Coopcana.

“A utilização da vinhaça nesta solução pode representar uma revolução no campo, pois embora possa servir como fertilizante, esse tipo de uso é limitado, já que se aplicada em dose excessiva pode contaminar a água dos lençóis freáticos”, justifica o banco, que segue: “Assim, além de gerar menos poluentes do que outras fontes (como o diesel e mesmo o gás natural), mitiga a poluição que poderia ser causada pelos resíduos da vinhaça”.

Enquanto o diesel gera cerca de 90 gramas de poluentes para gerar um megajoule de energia e o gás natural gera 80 gramas, o biometano (combustível produzido a partir do biogás) deixa de lançar 20 gramas, ou seja, tem uma pegada de carbono negativa. “Esse cálculo leva em conta a quantidade de gases poluentes que seria gerada se a vinhaça não fosse tratada. Na prática, o produto possibilita a transformação de um passivo ambiental em um ativo energético relevante”, complementa.

O biogás é um tipo de combustível gerado a partir do processo de biodigestão feito por bactérias fermentadoras em material orgânico, como o lixo. A geração a partir da vinhaça ainda é recente. Desta forma, o projeto no Paraná pode contribuir para a diversificação da matriz energética a partir de fontes renováveis e para o desenvolvimento de um mercado para o biogás. Além da capacidade de gerar energia elétrica, se for purificado pode ser utilizado em veículos, como substituto do diesel (combustível fóssil).


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