Segundo CEO do grupo, leilão da unidade Queiroz deve acontecer em 31 de outubro, mas prazo final de venda é maio de 2020
Um ano após entrar em recuperação judicial, o grupo Clealco está operando com apenas uma de suas três unidades. Enquanto as usinas localizadas em Clementina (SP) e Penápolis (SP) estão paradas, a moagem é direcionada para a maior unidade do grupo, localizada em Queiroz (SP).
Os resultados financeiros referentes à 2018/19 também não escondem a situação financeira complicada da empresa. Ainda assim, eles podem ser considerados positivos no comparativo com temporadas passadas.
Ao longo da safra, o prejuízo registrado pela Clealco foi de R$ 97,96 milhões, uma perda 83% menor ante o ano anterior, quando a usina teve um resultado líquido negativo de R$ 577,88 milhões.
Segundo o CEO da Cleaco, Alberto Pedrosa, o resultado mais recente foi afetado pela contabilização negativa de R$ 50 milhões referente a ativos que não estão mais operacionais, além do impacto da variação de câmbio. “Considerando somente as nossas operações continuadas e excetuando essa variação de taxa cambial, nós teríamos tido um lucro líquido de mais de R$ 60 milhões”, afirma.
De acordo com os números apresentados, a variação cambial impactou os resultados de forma negativa em R$ 105,47 milhões na safra 2018/19. O montante é 247% superior em comparação com o visto na temporada anterior, quando o valor foi negativo em R$ 30,49 milhões.
Outra questão que afetou os resultados de 2018/19 foi justamente a paralisação da usina Penápolis, localizada no município paulista de mesmo nome. A expectativa é que a unidade seja reativada entre 2021 e 2022, quando houver uma maior disponibilidade de cana.
Confira, na versão completa, comentários exclusivos do CEO da Clealco, Alberto Pedrosa, sobre a venda da usina Queiroz, investimentos nos canaviais da empresa, busca da elevação na produtividade e relação com credores e fornecedores.
Um ano após entrar em recuperação judicial, o grupo Clealco está operando com apenas uma de suas três unidades. Enquanto as usinas localizadas em Clementina (SP) e Penápolis (SP) estão paradas, a moagem é direcionada para a maior unidade do grupo, localizada em Queiroz (SP).
Os resultados financeiros referentes à 2018/19 também não escondem a situação financeira complicada da empresa. Ainda assim, eles podem ser considerados positivos no comparativo com temporadas passadas.
Ao longo da safra, o prejuízo registrado pela Clealco foi de R$ 97,96 milhões, uma perda 83% menor ante o ano anterior, quando a usina teve um resultado líquido negativo de R$ 577,88 milhões.

Segundo o CEO da Cleaco, Alberto Pedrosa, o resultado mais recente foi afetado pela contabilização negativa de R$ 50 milhões referente a ativos que não estão mais operacionais, além do impacto da variação de câmbio. “Considerando somente as nossas operações continuadas e excetuando essa variação de taxa cambial, nós teríamos tido um lucro líquido de mais de R$ 60 milhões”, afirma.
De acordo com os números apresentados, a variação cambial impactou os resultados de forma negativa em R$ 105,47 milhões na safra 2018/19. O montante é 247% superior em comparação com o visto na temporada anterior, quando o valor foi negativo em R$ 30,49 milhões.

Outra questão que afetou os resultados de 2018/19 foi justamente a paralisação da usina Penápolis, localizada no município paulista de mesmo nome. A expectativa é que a unidade seja reativada entre 2021 e 2022, quando houver uma maior disponibilidade de cana.
Resultados operacionais
Ainda que o prejuízo tenha sido menor, isso não ocorreu por meio de um aumento na receita. Em 2018/19, a Clealco teve uma queda de 27,96% no valor recebido com a venda de produtos em comparação com 2017/18 – foram R$ 778,41 milhões ante R$ 1,08 bilhão.
Porém, os custos caíram 44,51%, indo de R$ 1,09 bilhão em 2017/18 para R$ 602,82 milhões na temporada passada. Dessa forma, as despesas com a produção deixaram de ser superiores à receita e passaram a representar 77,4% dos valores recebidos.

Pedrosa explica que o prejuízo acontecia por conta de “ineficiências” administrativas e organizacionais, mas que a estrutura foi reduzida em mais de 30%. “Conseguimos resultados operacionais bastante superiores aos que tínhamos até então”, completa.
Com isso, a relação entre receita e custos foi mais positiva para a empresa, possibilitando um resultado bruto de R$ 175,6 milhões. Na safra anterior, a Clealco havia registrado prejuízo já em sua fase operacional, com uma perda de R$ 5,95 milhões.

Em busca da elevação da produtividade
Além das questões organizacionais, a produtividade é outro desafio para a Clealco – sendo uma das justificativas para a paralisação das unidades. Atualmente, o rendimento dos canaviais é inferior a 60 toneladas de cana por hectare, mas o objetivo da empresa é atingir entre 75 e 80 t/ha. Segundo a companhia, isso garantiria um ganho de operação na colheita, além de uma maior eficiência no transporte e o uso total da capacidade instalada.
De acordo com Pedrosa, além da falta de investimento interno, a atual situação também é decorrente de dificuldades financeiras dos fornecedores. Eles foram afetados não somente pelo desempenho da Clealco, mas também pelo de outras unidades para as quais fornecem cana.
Ainda assim, a expectativa do executivo é esperançosa. “Atualmente, vemos um retorno ao investimento no canavial em nossa região, embora algumas empresas continuem em situação precária; está sendo feito um esforço grande não só pelas usinas, mas também pelos fornecedores”, completa.
Os investimentos nos canaviais também foram incluídos no plano de reestruturação da Clealco, uma vez que eles estão deteriorados em função da falta de recursos da companhia. O objetivo é garantir que, mesmo após a venda da unidade Queiroz, a companhia possua níveis operacionais favoráveis.
“Nesse ano, nós estamos plantando 12 mil hectares e pretendemos chegar a 15 mil hectares no ano que vem”, relata Pedrosa. A meta é recompor o canavial em três anos, a fim de aperfeiçoar a performance não apenas em volume de cana, mas em produtividade agrícola e industrial, melhorando a utilização da capacidade instalada das usinas.
Segundo o CEO, na safra 2018/19, o grupo teve resultados positivos em relação ao custo operacional na área agrícola. Isso permitiu o uso máximo da flexibilidade das unidades Clementina e Queiroz, que puderam maximizar a produção de etanol – produto mais remunerador do que o açúcar na temporada.
A empresa, que possui 10 milhões de capacidade instalada total, moeu 5,8 milhões durante a temporada, com duas de suas três usinas em funcionamento. Agora, com apenas a unidade Queiroz em operação, a expectativa é de uma moagem de 4,5 milhões de toneladas para 2019/20.
O cenário demonstra progressivas reduções na moagem, já que no ciclo 2017/18 o grupo esmagou 7,7 milhões de toneladas de cana. De acordo com Pedrosa, a situação se deve principalmente pela indisponibilidade da matéria-prima.
“As expectativas do grupo são positivas para moagem da safra vigente, que, nos primeiros quatro meses, atingiu as 2,3 milhões de toneladas”, pondera o executivo.
Os investimentos na área foram possíveis após o encerramento da safra 2018/19 devido ao saldo operacional positivo. O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da empresa foi de R$ 461 milhões, com margem Ebitda de 59,3%, um aumento expressivo de 47,5 pontos percentuais ante o ciclo anterior.
Venda da unidade Queiroz
Conforme o plano de recuperação judicial em andamento, a principal fonte de pagamento dos credores da Clealco será a venda da usina Queiroz. Única usina do grupo em operação na atual safra, a unidade tem capacidade de moagem de 4,5 milhões de toneladas e está localizada na cidade paulista de mesmo nome.
Nos próximos meses, a Clealco deve criar uma Unidade Produtiva Isolada (UPI). O prazo de venda é até maio de 2020, sendo o que um leilão deve ocorrer em 31 de outubro deste ano. “Esperamos ter sucesso nesse prazo, que é o determinado pelo plano [de recuperação judicial]”, afirma.
Conforme Pedrosa, não há nenhuma exigência de preço mínimo, mas também não há estimativa do valor da unidade. “O que há é uma dívida da ordem de R$ 900 a R$ 950 milhões e ela será paga com o produto da venda dessa unidade. Quem decidirá se aceita ou não a proposta do leilão é o comitê de credores que detém essa dívida”, explica Pedrosa, que complementa: “Se a unidade for vendida por um preço maior ou menor não tem nenhum impacto para a Clealco. É uma questão dos credores, que poderão recuperar mais ou menos da dívida deles”.
Segundo o mais recente balanço financeiro do grupo, a dívida total da Clealco com empréstimos e financiamentos totalizava R$ 1,1 bilhão em 31 de março – um valor 2% superior ao registrado um ano antes. Além disso, foram contabilizados débitos de 36,7 milhões com produtores de cana e outros R$ 73 milhões com fornecedores diversos.

Ainda que grande parte dos débitos seja paga com a venda da unidade, devem restar ainda R$ 250 milhões devidos aos fornecedores estratégicos, que seguem fornecendo cana para o grupo e aceitaram estender seus contratos por mais cinco ou seis anos, com as mesmas condições ou condições melhores do que as atuais. O valor, segundo Pedrosa, não será pago com os recursos de venda da unidade Queiroz, mas com os resultados da própria operação.
“Eles vão receber integralmente os créditos em três anos. Essa é um grande diferencial do nosso plano em relação a outras usinas e que acabou impondo aos nossos fornecedores um deságio significativo. Nós entendemos que nossos fornecedores são nossos parceiros e temos que, na medida do possível, ajudá-los para que eles possam nos ajudar a melhorar a situação”, explica Pedrosa.
Em junho, a Clealco iniciou o pagamento dos valores aos credores trabalhistas, o que deve ser quitado até final do ano. “A Clealco praticamente não atrasou nenhum salário, tinha somente alguns parcelamentos que acabaram caindo depois do pedido de recuperação. O plano de pagamento dos credores está saindo como previsto”, assegura.
Portanto, segundo o CEO da empresa, o principal problema da Clealco – as dívidas elevadas que desembocaram na recuperação judicial – está se desenrolando de forma positiva. “Conseguimos um prazo recorde de 10 meses para aprovação do plano por mais de 90% dos credores, começamos a fazer pagamentos desses créditos desde o mês de maio e, com isso, temos equacionado o problema”, explica.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana