O atual suplente do senador Antonio Anastasia, Alexandre Silveira, foi convidado por Bolsonaro para assumir liderança no Senado
Presidente do PSD de Minas Gerais, Alexandre da Silveira, escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para ser o novo líder do governo no Senado, é quem deve apresentar o texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que vai tentar alterar a lei e baixar o preço do combustível e da luz em ano eleitoral.
O governo tem sofrido pressões com a alta dos preços, mas, por causa da legislação eleitoral, tem limitações para conceder benefícios. Por isso, se quiser abrir mão de arrecadação sem uma medida compensatória, precisará alterar a lei, com apoio de maioria qualificada do Congresso.
Silveira é suplente do senador Antonio Anastasia (PSD-MG) e só poderá assumir o mandato quando Anastasia for de fato nomeado para o Tribunal de Contas da União (TCU), o que só deve acontecer na volta do recesso parlamentar, em 1º de fevereiro.
Mesmo sem ter se tornado líder ainda, o político mineiro, que quer buscar protagonismo em ano eleitoral, teve a iniciativa de oferecer a proposta, segundo fontes do governo. “Ele é um bom articulador e está apresentando a ideia de um jeito bem mineiro, negociador”, disse um auxiliar do governo.
A avaliação é de que o tema tem alto impacto na sociedade e poderia render frutos eleitorais ao presidente e, consequentemente, credenciar uma candidatura de Silveira, que precisará de votos para se eleger, já que está no Senado atualmente apenas como suplente.
Silveira é aliado do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e, mesmo sem a vaga oficial de senador, vinha atuando nos bastidores do Congresso pela aprovação de matérias de interesse do governo.
No ano passado, o político ganhou espaço e simpatia na equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, durante a tramitação da PEC dos Precatórios, e também manteve boa interlocução com os ministros palacianos Ciro Nogueira (Casa Civil) e Flávia Arruda (Secretaria de Governo).
O presidente Bolsonaro confirmou em sua live semanal nesta quinta-feira, 20, que indicará Silveira para o cargo, que tem a atribuição de atuar pelos interesses do governo no Senado. Mas, por outro lado, não mostrou tanta proximidade e até errou o nome do mineiro. “Tem que convidar todo mundo, convidar o novo líder do governo que vai assumir agora em fevereiro, o Alexandre Vieira. Silveira. Desculpa aí, Silveira”, disse Bolsonaro.
Guedes “de fora”
Paulo Guedes não participou das primeiras discussões da PEC, que começou a ser desenhada por Silveira com integrantes do Palácio do Planalto. Mas, segundo auxiliares, o ministro se mostrou a favor da medida.
Há uma simpatia da equipe econômica pela proposta de Silveira, já que a reforma tributária acabou ficando pelo caminho. A aposta de Guedes era que o aumento de arrecadação que a reforma poderia gerar permitiria a redução de impostos e, consequentemente, dos preços.
“É importante que o Congresso busque meio de alterar a lei porque, realmente, o custo do combustível está insuportável”, disse um membro da equipe econômica.
A avaliação é de que Silveira pode ter um papel importante também para ajudar a salvar um pouco da agenda de Guedes, que começou o ano enfraquecido.
Integrantes da pasta afirmam, porém, que ainda não tiveram acesso ao texto ou à minuta da PEC e que o Ministério de Minas e Energia é que deve liderar a parte técnica da discussão.
Carla Araújo