Etanol: Preços

Preços nos postos: Etanol não é competitivo na média de todos os estados

Renovável teve aumento de 0,5% nas bombas, enquanto a gasolina caiu 0,2%; relação entre os valores na média nacional foi de 76,6%


NovaCana - 28 nov 2022 - 10:38 - Última atualização em: 05 dez 2022 - 11:29

Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 20 a 26 de novembro:

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  1. O valor do etanol subiu em 15 estados e no Distrito Federal, já o da gasolina aumentou em oito unidades da federação

  2. O consumo do biocombustível não é considerado economicamente vantajoso em qualquer estado

  3. O preço do etanol hidratado teve redução nas usinas paulistas e goianas e aumento nas mato-grossenses

  4. Levantamento de preços da ANP foi realizado em 222 cidades brasileiras, quatro a mais ante a semana anterior


Após seis semanas consecutivas de crescimento, o preço da gasolina nos postos brasileiros apresentou uma leve queda na semana. Já o etanol acumula oito semanas consecutivas de elevação.

De 20 a 26 de novembro, na média nacional, o biocombustível passou de R$ 3,84 por litro para R$ 3,86/L, alta de 0,5%. Já a gasolina foi de R$ 5,05/L para R$ 5,04/L, redução de 0,2%.

Os valores foram divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e correspondem a 222 cidades, incluindo a maioria das capitais brasileiras.

Conforme analistas consultados pela Agência Estado, o leve recuo dos últimos dias se deve ao esgotamento do movimento de alta de preços do etanol anidro, relacionado à entressafra.

Nas últimas onze semanas, desde quando o etanol anidro começou a subir, a alta acumulada do insumo ainda é de 10,7%, o que ainda pressiona os preços. Quedas mais intensas do etanol poderiam aliviar a gasolina no curto prazo, dizem especialistas ouvidos pela Agência Estado.

Outro fator que pode levar a uma queda dos combustíveis são eventuais reduções nos preços da gasolina praticados pela Petrobras em suas refinarias.

De acordo com a ANP, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil nos postos foi de 76,6% na semana. Com a alta do etanol e redução da gasolina, o resultado ficou acima do visto uma semana antes, de 76%, além de ser superior ao limite considerado economicamente vantajoso para o etanol, de 70%.

Nas médias estaduais, por sua vez, o renovável deixa de ser vantajoso em qualquer uma delas.

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Nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 2,8115/L para R$ 2,8094/L. A redução foi de 0,1%, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Além disso, houve uma queda de 0,6% nas produtoras goianas e aumento de 0,8% nas mato-grossenses.

Variações nos estados

Em meio à troca da empresa terceirizada responsável pelo levantamento da ANP, a amostragem de municípios tem mudado a cada análise. No período mais recente, a pesquisa foi feita em 222 cidades, quatro a mais do que uma semana antes. Esta diferença no número compromete a comparação.

Segundo a ANP, de 20 a 26 de novembro, os preços do etanol caíram em seis estados, subiram em 15 e no Distrito Federal, não foram divulgadas em um e ficaram estáveis em quatro. Já os da gasolina tiveram redução em 15 estados, subiram em oito e ficaram estáveis em quatro.

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Em São Paulo, o biocombustível teve incremento de 0,3%, custando R$ 3,78/L em média. Já a gasolina foi vendida a R$ 4,93/L, aumento de 0,4%. Com isso, a relação entre os preços ficou em 76,7%, um resultado que não é economicamente favorável ao renovável, ainda que levemente abaixo dos 76,8% de uma semana antes.

Já em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 3,75/L na média, estabilidade em relação ao período analisado; enquanto isso, a gasolina caiu 0,6%, para R$ 5,07/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 74%, com elevação ante os 73,5% do período anterior e também desfavorável ao etanol.

Por sua vez, Minas Gerais registrou uma estabilidade no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 3,84/L, assim como a gasolina, que ficou em R$ 4,93/L, em média. Desta forma, o renovável seguiu custando o equivalente a 77,9% do preço do combustível fóssil, com o etanol ainda sem competitividade.

Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve uma alta de 4,3%, indo para R$ 3,61/L – o menor valor entre os seis maiores produtores. No período, a gasolina subiu 2,6%, para R$ 5,11/L. Com isso, a relação entre os preços subiu para 70,6%, ante 69,5% na semana anterior. Deste modo, a relação entre os preços deixou de ser vantajosa ao etanol.

Já em Mato Grosso do Sul, o etanol ficou estável em R$ 3,77/L. A gasolina, por sua vez, caiu para R$ 4,80/L. Assim, o valor biocombustível correspondeu a 78,5% do preço de seu concorrente fóssil, acima dos 77,9% registrados uma semana antes.

Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 80,2% do preço da gasolina, a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país. No período, o renovável teve elevação de 0,5%, sendo vendido por R$ 4,24/L na média estadual, o valor mais alto entre os maiores produtores do biocombustível. Já a gasolina teve incremento de 0,2%, para R$ 5,29/L.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Ausência de dados

Os dados estaduais de preços dos combustíveis referentes à semana de 18 a 24 de setembro não foram divulgados pela ANP e, portanto, não puderam ser comparados. Isso ocorreu, conforme a agência, por conta do fim do contrato com a empresa que realizava o levantamento de preços de combustíveis, em 13 de setembro.

Nas semanas de 25 de setembro a 1º de outubro e de 2 a 8 de outubro, foram divulgados números apenas das capitais brasileiras. Nas semanas subsequentes, outras cidades passaram a elencar a pesquisa, sendo que o levantamento mais recente totalizou 222 municípios.

Atualmente, a empresa contratada pela ANP para a realização do levantamento é a Triad Research Consultoria e Pesquisa de Mercado. A vigência do acordo começou em 26 de setembro e o cronograma prevê um crescimento gradual da amostragem, atingindo 459 municípios até 16 de abril de 2023.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana


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