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“O mercado demanda E2G”, declara vice-presidente de etanol da Raízen

Francis Queen cita que a Europa está em busca de uma solução para combustíveis que não tenha concorrência com a produção de alimentos

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Um antigo revés industrial tem potencial para se tornar uma grande oportunidade para o setor sucroenergético. É assim que o vice-presidente executivo de etanol, açúcar e bioenergia da Raízen, Francis Queen, define a biomassa da cana-de-açúcar.

“Nossa indústria queimava palha no campo e ainda tinha incinerador de bagaço. A biomassa era um problema”, declarou na última Conferência Datagro sobre açúcar e etanol, realizada em São Paulo (SP).

Atualmente, apesar de muitas usinas terem se tornado autossuficientes na geração de energia por meio de termelétricas a bagaço de cana, ele ainda considera o uso deste resíduo agrícola como sendo “bastante ineficiente”.

Já em relação à palha da cana-de-açúcar, Queen observa: “Hoje, a gente deixa na nossa área de produção porque não temos o que fazer com essa biomassa”.

Assim, o executivo reforça que as sucroenergéticas poderiam ser mais produtivas. Para que isso aconteça, um dos principais fatores é o uso de tecnologia. “Foi esse o caminho que a Raízen trilhou, buscando soluções para usar toda a energia que a planta estava produzindo no campo”, afirma.

Ele relata que a gigante sucroenergética, que atualmente comanda 35 usinas, investiu em diversas áreas, como a fabricação de biogás a partir da vinhaça – o volume deste resíduo rico em matéria orgânica pode chegar a até 12 litros para cada litro de etanol produzido. “A vinhaça tem muita energia para ser aproveitada”, destaca o vice-presidente.

Queen ainda menciona o etanol de segunda geração (E2G). Segundo o executivo, este é o produto mais eficiente a partir da biomassa. Apesar disso, existem ainda outras opções, como o pellet, uma alternativa para substituir o carvão para combustão.

Ele projeta que, logo, a energia da cana poderá ser utilizada para fabricação de um novo portifólio. “O excedente de biomassa ainda tem potencial para se transformar em outros produtos”, afirma.

Por sua vez, o diretor industrial corporativo da Raízen, Juliano Oliveira, abordou outras estratégias da Raízen nesse sentido, ressaltando que a companhia se tornou um “ecossistema integrado”, indo do campo até o consumidor.

No texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana, confira mais detalhes sobre os novos produtos que podem ser fabricados a partir da biomassa, assim como os planos da Raízen para o etanol de segunda geração.

Um antigo revés industrial tem potencial para se tornar uma grande oportunidade para o setor sucroenergético. É assim que o vice-presidente executivo de etanol, açúcar e bioenergia da Raízen, Francis Queen, define a biomassa da cana-de-açúcar.

“Nossa indústria queimava palha no campo e ainda tinha incinerador de bagaço. A biomassa era um problema”, declarou na última Conferência Datagro sobre açúcar e etanol, realizada em São Paulo (SP).

Atualmente, apesar de muitas usinas terem se tornado autossuficientes na geração de energia por meio de termelétricas a bagaço de cana, ele ainda considera o uso deste resíduo agrícola como sendo “bastante ineficiente”.

Já em relação à palha da cana-de-açúcar, Queen observa: “Hoje, a gente deixa na nossa área de produção porque não temos o que fazer com essa biomassa”.

Assim, o executivo reforça que as sucroenergéticas poderiam ser mais produtivas. Para que isso aconteça, um dos principais fatores é o uso de tecnologia. “Foi esse o caminho que a Raízen trilhou, buscando soluções para usar toda a energia que a planta estava produzindo no campo”, afirma.

Ele relata que a gigante sucroenergética, que atualmente comanda 35 usinas, investiu em diversas áreas, como a fabricação de biogás a partir da vinhaça – o volume deste resíduo rico em matéria orgânica pode chegar a até 12 litros para cada litro de etanol produzido. “A vinhaça tem muita energia para ser aproveitada”, destaca o vice-presidente.

Queen ainda menciona o etanol de segunda geração (E2G). Segundo o executivo, este é o produto mais eficiente a partir da biomassa. Apesar disso, existem ainda outras opções, como o pellet, uma alternativa para substituir o carvão para combustão.

Ele projeta que, logo, a energia da cana poderá ser utilizada para fabricação de um novo portifólio. “O excedente de biomassa ainda tem potencial para se transformar em outros produtos”, afirma.

Futuros mercados

Assim, de acordo com Queen, uma vez superada a questão da ociosidade da biomassa, será possível atingir uma nova gama produtos. Ele cita, por exemplo, uma rota de produção para biocombustíveis de aviação, que seria “uma das maiores demandas do setor”.

Segundo o vice-presidente da Raízen, as alternativas já conhecidas para este combustível, como óleo usado e sebo bovino, estão se saturando. “A próxima grande onda para o combustível de aviação será através do etanol, o que vai ser bastante importante para nossa indústria”, afirma.

“Há muita energia enorme sendo produzida no campo. A gente não consegue extrair todo o valor da planta e isso é muito relevante para o nosso negócio”, Francis Queen (Raízen)

Ele também considera o mercado de hidrogênio a partir do biocombustível, destacando como vantagem a solução logística para disponibilizar o produto final. Outra possibilidade é o bioplástico que, como explica Queen, pode ser fabricado tanto com etanol de primeira quanto de segunda geração.

O combustível para navios também entra na discussão do futuro da cana-de-açúcar. Queen explica que, dentro do bagaço, a macromolécula lignina é retirada durante a produção do E2G, podendo apresentar grande valor: o resultado da mistura de lignina com etanol, chamado de óleo de lignina, poderia ser utilizado em navios.

Ainda segundo Queen, este seria o segundo maior demandador de biocombustíveis, atrás apenas do setor de aviação. “O óleo de lignina vai vir muito forte no médio e longo prazo, como solução alternativa”, declara.

Novos projetos em E2G

Embora a Raízen invista na tecnologia de produção de etanol de segunda geração desde 2011, o biocombustível demorou alguns anos para ganhar destaque. Mesmo assim, Queen afirma que, atualmente, a Raízen é praticamente a única empresa no mundo com uma solução de fabricação em escala industrial de E2G.

Por sua vez, o diretor industrial corporativo da Raízen, Juliano Oliveira, ressalta que o mecanismo vem evoluindo desde 2014, com a inauguração da planta de E2G na usina Costa Pinto, em Piracicaba (SP). A unidade, que iniciou com uma capacidade de produção entre 30 e 32 milhões de litros por ano, entrou em expansão no ano passado.

Além disso, a Raízen também já está investindo em uma nova usina de E2G em Guariba (SP) que, com capacidade de produção de entre 77 milhões e 82 milhões de litros, terá praticamente o dobro do tamanho da primeira. Oliveira explica que o processo de fabricação atual é totalmente integrado com o tradicional (de primeira geração) desde o transporte de bagaço até a ida para a destilaria.

Para completar, outras duas novas plantas de E2G foram anunciadas em maio e mais cinco em novembro. Segundo os executivos, os investimentos giram em torno de R$ 1 bilhão por projeto, prevendo uma produção individual de 82 milhões de litros de biocombustível por ano.

E isto é só o começo: Oliveira compartilha a ambição de alcançar 20 plantas de E2G até 2030. Ele afirma que a estratégia da Raízen é recolher entre 50% e 60% da palha no campo – o que representaria um aumento frente aos atuais 30% a 40%. Com isso e mais outras fontes de biomassa disponíveis, o diretor acredita que já seria possível abastecer as dez primeiras plantas.

“Estamos indo com força nesta direção porque este é realmente um produto diferenciado”, complementa o vice-presidente de etanol da companhia.

Segundo Queen, com a implementação dos novos empreendimentos, seria possível aumentar a produção de etanol em até 50% sem acréscimo de área plantada. Ainda de acordo com ele, isso significa que a Raízen teria potencial para acrescentar até 2 bilhões de litros de E2G em seu processo produtivo. Assim, contabilizando com a fabricação de etanol de primeira geração, a companhia totalizaria 4 bilhões de litros do biocombustível por temporada.

“Esse é o caminho da indústria: fazer melhor uso da terra, com mais energia por hectare”, Francis Queen (Raízen)

Ele frisa que o mercado está tão demandante pelo produto que as plantas já têm contratos para até dez anos, com preço fixado. “A Europa tem um dilema forte de alternativas que não tenham concorrência com a produção de alimentos. Essa solução é perfeita e super aderente nessa visão de combustíveis alternativos a partir de resíduos”, esclarece Queen.

Já Oliveira destaca que uma das principais vantagens é a baixa emissão de carbono. O diretor exemplifica que o etanol de primeira geração emite cerca de 23 gramas de dióxido de carbono por megajoule, bem abaixo dos combustíveis fósseis. O E2G, por sua vez, emite 16 gCO2/MJ.

Giully Regina – NovaCana

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