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Estados Unidos estima exportação de 2 bi de litros de etanol para o Brasil em 2018

Mesmo com maior oferta doméstica, órgão do governo norte-americano projeta arbitragem favorável para comercialização do biocombustível

NovaCana 6 min de leitura

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) está atento às mudanças no setor de biocombustíveis brasileiro. O mais recente relatório da instituição comenta, entre outros aspectos, as causas e consequência do protesto de caminhoneiros realizado em maio.

“O governo intermediou uma solução de curto prazo para acabar com a greve e, embora uma solução de longo prazo ainda não tenha sido alcançada, a greve não deverá ter um impacto duradouro no mercado brasileiro de combustíveis em 2018”, resume.

O documento também explicita como deve funcionar a nova política nacional de combustíveis (RenovaBio), salientando que “informações sobre a criação do programa estão lentamente se tornando disponíveis”.

Mas, por enquanto, o que mais interessa o USDA é o crescimento na produção e no consumo do combustível – fatores que afetam o comércio com os Estados Unidos no curto prazo.

Leia mais:

- Projeção de exportação e importação de etanol
- Estimativas para a safra 2017/18
- Dados sobre etanol de milho e etanol celulósico
- Evolução da demanda nacional por etanol

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) está atento às mudanças no setor de biocombustíveis brasileiro. O mais recente relatório da instituição comenta, entre outros aspectos, as causas e consequência do protesto de caminhoneiros realizado em maio.

“O governo intermediou uma solução de curto prazo para acabar com a greve e, embora uma solução de longo prazo ainda não tenha sido alcançada, a greve não deverá ter um impacto duradouro no mercado brasileiro de combustíveis em 2018”, resume.

O documento também explicita como deve funcionar a nova política nacional de combustíveis (RenovaBio), salientando que “informações sobre a criação do programa estão lentamente se tornando disponíveis”.

Mas, por enquanto, o que mais interessa o USDA é o crescimento na produção e no consumo do combustível – fatores que afetam o comércio com os Estados Unidos no curto prazo.

Mesmo com o aumento na produção, a expectativa do órgão é que as importações de etanol em 2018 cheguem a 2 bilhões de litros. Isso ocorrerá, segundo o USDA, porque a oferta nacional não será suficiente para atingir a demanda projetada, encorajando as importações.

O relatório ainda traz que, mesmo com a tarifa de importação de 20% sobre volumes que ultrapassem a cota trimestral de 150 milhões de litros, a arbitragem de preço favorece exportações de etanol dos Estados Unidos para o Brasil.

O USDA também projeta que o Brasil deve exportar 1,12 bilhão de litros de etanol em 2018 – queda de 18% no comparativo anual. “A oferta ampliada, mas limitada, para atender ao esperado aumento da demanda doméstica impôs restrições às exportações”, pondera o órgão.

Problemas na renovação dos canaviais

Conforme o próprio USDA, os dados são baseados em fontes da indústria. O órgão espera uma moagem de 610 milhões de toneladas na safra 2018/19 – sendo que a região Centro-Sul seria responsável por 563 milhões de toneladas.

O documento aponta que problemas relacionados ao clima – especialmente a estiagem por mais de quatro meses em São Paulo e no Paraná –, afetaram negativamente a cana-de-açúcar. Além disso, a baixa taxa de renovação dos canaviais também contribuiu para reduzir a oferta.

“Diversos canaviais renovados mostram falhas de brotação, que não foram adequadamente substituídas devido a restrições de custo. As restrições financeiras também limitaram o investimento no manejo da cultura, resultando em uma maior incidência de pragas e ervas daninhas”, complementa.

Produção de etanol de cana, de milho e celulósico

Segundo o USDA, a produção brasileira de etanol combustível deve chegar a 27,81 bilhões de litros em 2018 – um aumento de 7,6% em relação aos 25,85 bilhões de litros contabilizados em 2017. Os números também trazem um crescimento em relação às estimativas divulgadas em setembro do ano passado, quando o órgão projetava 24,09 bilhões de litros para 2017 e 26,56 bilhões de litros para 2018. Não foram divulgados valores para 2019.

O órgão ainda estimou que 61% da produção de cana-de-açúcar seja direcionada para o etanol, ante 53,6% no ano anterior. “Essa taxa mais alta é atribuída à expectativa de um excedente de açúcar no mercado global em 2018/19, tornando os mercados mundiais de açúcar menos atraentes”, afirma e continua: “O aumento da demanda doméstica por etanol, influenciado pelos altos preços da gasolina, também incentivou as usinas de etanol a desviarem mais cana-de-açúcar para a produção de etanol”.

Além disso, o USDA estimou uma produção de 830 milhões de litros de etanol de milho, ante 305 milhões de litros em 2017. Contudo, seis projetos em construção já fazem parte do radar do órgão norte-americano, que espera que as novas usinas entrem em operação no período de dois a três anos.

Já a produção de etanol celulósico foi projetada em 25 milhões de litros. Conforme o documento, o número já inclui um aumento de oito milhões de litros, considerando que as atuais plantas em operação – a Bioflex, da Granbio, e a Costa Pinto, da Raízen – consigam superar seus desafios operacionais.

Consumo nacional em alta

O USDA também estima que o consumo de etanol combustível em 2018, de janeiro a dezembro, será de 26,57 bilhões de litros, um aumento de 4% em relação à demanda de 2017. O crescimento, ainda segundo o relatório, pode ser atribuído a um crescimento do consumo de etanol hidratado, motivado pelos altos valores da gasolina nas bombas de diversos estados.

“O tamanho da frota brasileira de veículos leves desempenha um papel importante no incentivo ao consumo de etanol. De fato, é o principal fator considerado pela ANP ao projetar o uso de combustível para o Brasil”, afirma o USDA.

De acordo com o documento, a frota foi estimada em 36,5 milhões de unidades em junho de 2018 e os veículos flex fuel ou movidos apenas a etanol hidratado representam, juntos, 77% da frota total (28,1 milhões de unidades). Essa frota representa um aumento de um milhão de unidades em relação ao mesmo período do ano passado.

Renata Bossle – NovaCana

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