Etanol: Mercado

Para conselheiro da Unica, venda direta de etanol só beneficiaria 5% do mercado


Notícias Agrícolas - 15 jan 2020 - 08:27

Os preços do etanol nos postos de combustíveis deverão começar a diminuir a partir de março com a chegada da nova safra, que já está sendo antecipada. Além disso, o novo mercado de bioenergia em formação no Brasil – com o RenovaBio – passará a dar previsibilidade na oferta e demanda para as usinas. Em consequência, as empresas poderão ter condições de manter estoques e fornecimento também durante a entressafra, equilibrando os preços.

Essa visão de mercado foi antecipada pelo conselheiro da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Luiz Carlos Carvalho, em entrevista ao Notícias Agrícolas. Diretor do grupo Monte Alegre, que controla cinco usinas de cana-de-açúcar em São Paulo e no Paraná, ele afirma que as usinas do Centro-Sul se posicionam contra a venda direta de etanol.

“Haveria poucas vantagens e muita confusão”, sintetiza Carvalho. De acordo com ele, os benefícios dessa mudança atingiriam apenas uma pequena parte da sociedade, no máximo, 5% de todo o mercado consumidor do País. “Somente quem mora ao lado de uma usina hipoteticamente teria benefícios de um preço menor. Quem reside em grandes centros, longe das usinas, por exemplo, continuaria pagando pelo combustível o preço da distribuição e os impostos correlatos”.

Carvalho ainda citou as possíveis consequências negativas de concorrência desleal e de evasão de divisas como inibidoras da proposta. Ele alega que existem alternativas mais adequada como forma de eliminar a instabilidade dos preços do etanol durante a entressafra, como o RenovaBio.

“Com o RenovaBio as produtoras de etanol lançarão títulos (os CBios) que, ao serem adquiridos pelo mercado financeiro, darão previsibilidade econômica para as usinas. A partir daí toda a relação produção-distribuição passará a ter nova realidade”, diz Carvalho.