Etanol: Mercado

CBios oscilam ao longo da quinzena e preço médio tem leve queda

Número de títulos disponibilizados ao mercado já é suficiente para atender meta anual das distribuidoras


NovaCana - 18 out 2021 - 14:00

O mercado de CBios segue registrando valores acima da média. Entre 1º e 15 de outubro, 790 negociações foram acompanhadas pela B3, única entidade registradora do programa RenovaBio, resultando na movimentação de 1,52 milhão de títulos.

Segundo a bolsa de valor brasileira, o valor médio observado no período foi de R$ 44,14 por CBio. Este resultado está 15,3% acima da média histórica do programa, de R$ 38,28, além de estar 27,5% mais elevado que a média de 2021, de R$ 34,63.

Entretanto, o valor representa uma redução de 3,2% ante o preço de R$ 45,62, visto na segunda quinzena de setembro. Na ocasião, o número de negociações foi recorde, com quase 6,55 milhões de títulos mudando de mãos.

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“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.

Em entrevista ao Valor Econômico publicada no começo do mês, a analista do Itaú BBA, Annelise Izumi, relatou que a aproximação do final do ano e, consequentemente, do prazo para que as distribuidoras cumpram suas metas anuais pode estar influenciando o preço dos títulos. Outro fator levantado por ela é a quebra na atual safra de cana-de-açúcar e seu reflexo na produção de etanol hidratado, que pode levar a uma menor geração de CBios durante a entressafra.

Entretanto, ela reforça que a atual oferta de CBios já é suficiente para que as distribuidoras batam suas metas, o que pode levar a um enfraquecimento dos preços.

O gerente do Itaú BBA, Guilherme Belotti, complementa que algumas distribuidoras podem já estar comprando CBios para 2022. Afinal, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou um objetivo 44,7% maior, indo para 35,98 milhões de CBios.

Por enquanto, embora o valor médio tenha permanecido elevado, a primeira quinzena de outubro apresentou flutuações amplas.

Em 4 e 8 de outubro, por exemplo, a diferença entre os maiores e os menores preços registrados chegou a R$ 11. Estes mesmos dias, aliás, contabilizaram os extremos da quinzena, com o menor valor, R$ 35,80, sendo observado no dia 8; já o maior, R$ 47,20, foi visto no dia 4.

Desde o início da comercialização dos créditos, em junho do ano passado, o CBio variou entre R$ 15 e R$ 72. Em 2021, a oscilação foi menos ampla, indo de R$ 26,75 a R$ 49,90.

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Assim, todas as negociações feitas na primeira metade de outubro ficaram acima da marca de R$ 30, valor médio projetado pelo Santander e pelo Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege) para 2021.

Posse e aposentadoria

Nesta segunda-feira, 18, as distribuidoras com metas a cumprir no programa RenovaBio começaram o dia com um estoque de 15,83 milhões de CBios. Neste caso, a quantia está 2,8% menor que a visto no começo do mês.

Por sua vez, outros 6 milhões de CBios estão nas mãos das usinas produtoras de biocombustíveis, caracterizando uma alta quinzenal de 2%. Já investidores sem metas detêm 190 mil créditos, uma variação positiva de 2,9%.

Com isso, o número de CBios disponível para compra e venda é de 22,01 milhões – queda de 1,5% na comparação com a posição no começo do mês.

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Esta redução é atribuída ao maior número de títulos retirados de circulação no período, em um processo conhecido como aposentadoria. É por meio deste recurso que as distribuidoras devem atender aos objetivos do RenovaBio.

Ao longo da quinzena, 1,25 milhão de CBios foram aposentados, totalizando 6,1 milhões de títulos retirados do mercado em 2021. Este valor é suficiente para atender a 24,5% da meta estipulada para este ano, de 24,86 milhões de CBios.

Considerando estes créditos já aposentados e os ainda em circulação, o total de CBios chega a 28,11 milhões, ultrapassando o objetivo anual em 13,1%. O prazo para cumprimento da meta é 31 de dezembro.

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No entanto, é preciso considerar que a B3 não informa se as aposentadorias foram feitas por distribuidoras ou por investidores sem metas. Conforme regulamentação aprovada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em maio deste ano, os CBios que forem aposentados por agentes sem obrigações a cumprir serão abatidos das obrigações das distribuidoras. Esta redução, entretanto, só deve ser contabilizada para os objetivos de 2022.

Novas emissões

Por mais que a moagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul esteja se aproximando da entressafra, o número de CBios escriturados junto à B3 segue subindo, uma vez que ele é vinculado ao volume comercializado de biocombustível.

Na primeira metade de outubro, foram escrituradas 925,75 mil unidades. O montante quinzenal representa uma queda de 43,1% ante os 1,63 milhão vistos na segunda parte de setembro; ainda assim, o volume está em linha com o registrado no mesmo período de meses anteriores.

Com isso, no acumulado do ano, o número de CBios chega a 24,15 milhões.

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Segundo a ANP, atualmente, 295 unidades participam do RenovaBio; destas, três fabricam biometano e 30, biodiesel. Dentre as 262 usinas de etanol certificadas, 252 utilizam apenas a cana-de-açúcar; seis processam milho e cana; três, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.

Renata Bossle – NovaCana
Com informações adicionais do Valor Econômico


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