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Preço dos CBios segue em alta, mesmo com oferta 9,4% superior à meta de 2021

Na segunda quinzena de setembro, valor médio dos créditos foi de R$ 45,62


NovaCana - 01 out 2021 - 16:10

Os créditos de descarbonização (CBios), criados pelo RenovaBio, bateram recordes na metade final de setembro. No período, quase 6,55 milhões de títulos mudaram de mãos – 7,5% a mais que os 6,09 milhões vistos na primeira quinzena de dezembro de 2020, quando o programa se aproximava do prazo para o cumprimento da meta anual das distribuidoras.

Os dados fazem parte do acompanhamento da bolsa de valores brasileira (B3), única entidade registradora do RenovaBio.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.

Além disso, também foi registrado o maior valor anual de comercialização, com títulos sendo negociados por R$ 49,90 no dia 22 de setembro. No período, aliás, o preço mais baixo foi observado no dia 16, com R$ 40.

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Desta forma, todas as negociações ficaram acima da marca de R$ 30, valor médio projetado pelo Santander e pelo Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege) para 2021.

Desde o início da comercialização dos créditos, em junho do ano passado, o valor variou entre R$ 15 e R$ 72. Em 2021, a oscilação foi menos ampla, indo de R$ 26,75 a R$ 49,90.

Na segunda quinzena de setembro, especificamente, o preço médio dos CBios foi de R$ 45,62. O resultado está 19,7% acima da média histórica do RenovaBio, de R$ 38,13, além de ser 33,3% mais alto que a média de 2021, de R$ 34,22.

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Oferta maior que a meta

Hoje, 1º, o número de CBios inicialmente disponível para compra e venda na B3 era de 22,35 milhões. A maior parte destes títulos estava em posse das distribuidoras de combustíveis fósseis – que possuem metas a cumprir no RenovaBio –, com 16,29 milhões de unidades.

Por sua vez, as usinas produtoras de biocombustíveis possuíam 5,88 milhões de títulos, enquanto investidores sem metas armazenavam 184,64 mil CBios.

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Ainda que o total seja inferior à meta de 24,86 milhões estipulada para 2021, é preciso contabilizar que 4,85 milhões de CBios já foram retirados de circulação neste ano por meio de um processo chamado de aposentadoria – é com este recurso que as distribuidoras cumprem suas cotas individuais.

Assim, no total, 27,2 milhões de CBios foram disponibilizados ao mercado neste ano, ultrapassando o objetivo anual em 9,4%. Por ora, entretanto, o volume aposentado é suficiente para atender a 19,5% da meta, cujo prazo é 31 de dezembro.

Já quando se considera a posição atual das distribuidoras e os créditos aposentados, o número de títulos é de 21,13 milhões. Desta forma, o equivalente a 85% do objetivo para 2021 já pode ser cumprido por estas companhias, mesmo faltando três meses para o fim do limite. Os 15% restantes demandam a aquisição de, pelo menos, mais 3,73 milhões de CBios.

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No entanto, é preciso considerar que a B3 não informa se as aposentadorias foram feitas por distribuidoras ou por investidores sem metas. Conforme regulamentação aprovada pela ANP em maio deste ano, os CBios que forem aposentados por agentes sem obrigações a cumprir poderão ser abatidos das obrigações das distribuidoras. Esta redução, entretanto, só deve ser contabilizada para os objetivos de 2022.

Novas emissões

Ainda que a moagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul possa estar se aproximando da entressafra, o número de CBios escriturados junto à B3 segue subindo, uma vez que ele é vinculado ao volume comercializado de biocombustível.

Na segunda quinzena de setembro, foram escrituradas 1,63 milhão de unidades. O montante quinzenal representa uma alta de 19,7% ante os 1,36 milhão vistos na primeira metade do mês. Com isso, no acumulado do ano, o número de CBios chega a 23,23 milhões.

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Esta quantidade está 67,92 mil créditos acima da registrada no acompanhamento realizado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), de 23,16 milhões. O valor é calculado com base nas notas fiscais de comercialização cadastradas para gerar o lastro dos CBios em 2021, de modo que estes títulos adicionais podem ser referentes a cadastros feitos ainda em 2020.

Segundo a ANP, atualmente, 293 unidades participam do RenovaBio; destas, três fabricam biometano e 30, biodiesel. Dentre as 260 usinas de etanol certificadas, 250 utilizam apenas a cana-de-açúcar; seis processam milho e cana; três, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.

Renata Bossle – NovaCana


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