Há um ano atrás, logo após as primeiras usinas de etanol celulósico em larga escala serem inauguradas pelo mundo, a Novozymes evidenciou que a tecnologia enfrentava mais problemas para alcançar escala do que havia sido antecipado. Agora, uma nova perspectiva alerta que o momento delicado de um ano atrás ficou mais problemático
Um ano atrás, logo após as primeiras usinas de etanol celulósico em larga escala serem inauguradas pelo mundo, a Novozymes evidenciou que a tecnologia enfrentava mais problemas para alcançar escala do que havia sido antecipado.
Agora, uma nova perspectiva estabelecida pela empresa alerta que o momento delicado de um ano atrás ficou mais problemático.
Confira a seguir a nova visão da Novozymes —parceira de alguns dos principais players do mercado, como a Beta Renewables, Raízen, GranBio e POET — sobre o desenvolvimento do etanol celulósico no mundo e as explicações que motivaram o segundo reajuste em menos de um ano.
Um ano atrás, logo após as primeiras usinas de etanol celulósico em larga escala serem inauguradas pelo mundo, a Novozymes evidenciou que a tecnologia enfrentava mais problemas para alcançar escala do que havia sido antecipado.
Agora, uma nova perspectiva estabelecida pela empresa alerta que o momento delicado de um ano atrás ficou mais problemático.
A Novozymes apresentou na última semana uma atualização da sua perspectiva para os próximos anos. E o cenário piorou na visão da empresa, que possui como parceira a Beta Renewables, Raízen, GranBio e POET, alguns dos principais players do mercado de biocombustíveis celulósicos.
O primeiro sinal de problemas foi dado há um ano, quando a fabricante de enzimas teve que reajustar seus planos. Até a inauguração das usinas da GranBio, Raizen e Poet, a meta era fornecer a sua tecnologia para pelo menos 15 usinas até 2017, mas o prazo foi estendido para 2020.
Agora a situação ficou mais nebulosa e a Novozymes já não espera que existirão 15 usinas até 2020 para serem atendidas.
Segundo a companhia, a perspectiva do ano passado se tornou improvável por dois motivos principais: a lenta evolução da primeira planta em escala comercial e a ausência de um forte apoio político para assegurar mercado aos biocombustíveis avançados.
Além disso, a empresa admitiu que o prolongado baixo preço do petróleo adicionou mais incerteza sobre o desenvolvimento dessa indústria nos próximos anos, além de prejudicar vendas em outros setores. Este cenário assusta ainda mais os investidores, que seguem com receio de colocar mais dinheiro nas ainda caras — e incertas — unidades industriais.
“Obviamente, o preço do barril de petróleo a US$ 30 faz com que seja difícil para muitos governos darem suporte a essas indústrias. Mas nós acreditamos que isso irá mudar, pois se trata de uma forma sustentável de produzir energia”, reforçou o diretor executivo da Novozymes, Benny Loft em entrevista à Reuters.
Diante deste cenário, o foco atual da Novozymes está no apoio às usinas pioneiras, para que elas possam operar de forma confiável e “passem o teste decisivo de mostrar ao mundo que os biocombustíveis celulósicos são possíveis”. A empresa ressaltou também que está trabalhando de forma intensa “para demonstrar que o etanol celulósico é tecnicamente viável e para provar que essa é uma indústria possível”.
Ondas de usinas
A Novozymes dividiu o desenvolvimento do etanol celulósico no mundo em duas ondas. A primeira ainda está acontecendo, embora esteja estagnada, e deveria ir até 2020. Nesta fase a fabricante de enzimas atenderá os primeiros players do mercado ao mesmo tempo em que aprende com eles através das parcerias.
Já a próxima fase carrega o “poder transformador da conversão da biomassa”. No entanto, o potencial desta segunda onda “dependerá de como a mercado se desenhará nos dez anos após 2020”, afirmou a empresa no ano passado.
O prazo de 2020 para a transição entre as fases já não é mais tão realista e o prazo agora é incerto. “A próxima onda de plantas industriais não deve vir, provavelmente, até o final dessa década”, afirmou Loft na semana passada, considerando a mudança de perspectiva.
Atualmente, sete plantas de etanol celulósico estão operando mundialmente, mas nenhuma atingiu suas expectativas de produção.
Potencial está no longo prazo
Apesar dos problemas no curto e médio prazo, a Novozymes demonstra confiança que passada essa fase, a segunda geração do etanol vai deslanchar. “Os baixos preços do petróleo e a incerteza em torno do apoio político para biocombustíveis avançados criaram incertezas quanto ao momento certo para a comercialização, mas continuamos convencidos de que veremos um dia em que o mundo usará resíduos para a produção de biocombustíveis.”
Novozymes
A empresa também diminuiu suas expectativas de crescimento a longo prazo. Atuando com a aceleração e melhoramento de processos químicos em indústrias de diversos setores, a Novozymes agora espera um crescimento orgânico nas vendas de 6% a 7% ao ano entre 2017 e 2020. E essa é a segunda vez em menos de um ano que a empresa diminui suas metas de crescimento orgânico até 2020. Em 2015, a estimativa foi reduzida de 10% ou mais para de 8% a 10%.
Os resultados trimestrais da companhia apontaram um lucro de aproximadamente US$ 139,49 milhões – levemente acima da expectativa dos analistas, que apostaram em US$ 139,05 milhões. Por sua vez, as vendas ficaram abaixo do esperado, somando US$ 500,23 milhões, ante uma previsão de US$ 506,03 milhões.
Outro dado que desapontou os analistas foi a previsão de um crescimento anual de 3% a 5% nas vendas e no lucro operacional para 2016.
NovaCana