2ª Geração

CTC e Embrapa desenvolvem enzima para produção de etanol celulósico


Dinheiro Rural - 28 mai 2020 - 08:15

Pesquisadores brasileiros criaram um método para obter etanol a partir do bagaço e da palha da cana-de-açúcar. O projeto, feito pela Embrapa Agroenergia e pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), visa impulsionar a indústria do etanol de segunda geração (E2G) do País.

A novidade é um coquetel enzimático CMX, uma mistura de enzimas produzidas a partir de três diferentes microrganismos. Ela demonstrou alto desempenho para desconstruir a biomassa da planta, ação fundamental para retirar dela o açúcar, que se transformará em biocombustível.

Um estudo de impacto do coquetel estimou que uma usina com capacidade de produção anual de 70 mil toneladas de E2G será capaz de obter ganhos da ordem de R$ 50 milhões por ano. O investimento teria uma taxa interna de retorno de 19,2% e um valor presente líquido de R$ 76,69 mil em 20 anos.

De acordo com os criadores, o coquetel enzimático pode ter sua aplicação expandida para outros setores, como as indústrias de rações e têxtil. O objetivo é colocar o Brasil no mercado bilionário de produção de enzimas. Atualmente, o País importa enzimas celulolíticas, empregadas na desconstrução de biomassa lignocelulósica.

A maior parte das enzimas que compõem o coquetel foi obtida a partir de microrganismos da biodiversidade brasileira. A pesquisadora da Embrapa Betania Quirino destaca que o coquetel tem tecnologia 100% nacional e poderá ser produzido no próprio ambiente industrial.

Segundo os cientistas, agora, um dos principais desafios para a inserção da tecnologia no mercado é aprimorar o processo de produção dessas enzimas. Eles precisam aumentar a concentração no meio de produção, o que pode ser alcançado por meio de melhoramento genético dos microrganismos.