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A visão de 11 empresas especializadas para a safra 2018/19 de cana-de-açúcar [atualizado]

cana colheita 111115Perspectivas são cautelosas e trazem números similares aos vistos em 2017/18, mas projetam queda tanto na moagem total quanto na qualidade da cana-de-açúcar

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Não demorou para que as consultorias e empresas especializadas no mercado sucroenergético chegassem a um aparente consenso sobre suas expectativas para a safra 2018/19. Em setembro do ano passado, as perspectivas preliminares variavam a moagem entre 560 milhões e 625 milhões de toneladas, a depender da renovação dos canaviais.

Agora, no entanto, com o cenário mais estabelecido e a divulgação de um número maior de estimativas, é possível perceber que a maior parte das empresas acredita em um valor que varia de 580 a 590 milhões de toneladas. Inclusive, conforme levantamento realizado pelo NovaCana com 11 consultorias e empresas do setor, a média das projeções é de 584,35 milhões de toneladas – um valor bastante próximo das atuais 583,96 mi t vistas até a segunda quinzena de janeiro.

estimativa evolução 19fev

Esse número, ainda que represente relativa estabilidade, vem acompanhado de uma perspectiva de queda na quantidade de açúcar total recuperável (ATR), motivada pela idade avançada dos canaviais e por fatores climáticos.

O levantamento realizado pelo NovaCana inclui gráficos e análises relativos aos seguintes indicadores para a safra 2018/19:

- Moagem total
- Produção de açúcar
- Produção de etanol
- Etanol anidro x etanol hidratado
- Mix de produção
- Qualidade da cana-de-açúcar (kg ATR/t)
- ATR total da safra

Atualização (22/02, às 9h30): O texto e os gráficos abaixo foram atualizados para incluir os dados completos da projeção da Agroconsult.

Não demorou para que as consultorias e empresas especializadas no mercado sucroenergético chegassem a um aparente consenso sobre suas expectativas para a safra 2018/19. Em setembro do ano passado, as perspectivas preliminares variavam a moagem entre 560 milhões e 625 milhões de toneladas, a depender da renovação dos canaviais.

Agora, no entanto, com o cenário mais estabelecido e a divulgação de um número maior de estimativas, é possível perceber que a maior parte das empresas acredita em um valor que varia de 580 a 590 milhões de toneladas. Inclusive, conforme levantamento realizado pelo NovaCana com 11 consultorias e empresas do setor, a média das projeções é de 584,35 milhões de toneladas – um valor bastante próximo das atuais 583,96 mi t vistas até a segunda quinzena de janeiro.

estimativa evolução 19fev

Esse número, ainda que represente relativa estabilidade, vem acompanhado de uma perspectiva de queda na quantidade de açúcar total recuperável (ATR), motivada pela idade avançada dos canaviais e por fatores climáticos. Para completar, aspectos de mercado também apontam que as usinas devem priorizar a fabricação de etanol em detrimento ao açúcar, que enfrenta preços baixos no cenário internacional.

Uma safra menor

Por mais que a média das previsões para 2018/19 seja similar ao resultado da atual safra, a maior parte das empresas consultadas aposta em uma diminuição da moagem. A menor estimativa é de 560 milhões de toneladas e foi dada pelo Banco Pine em setembro de 2017. “Tendo a olhar o problema da idade do canavial como grande driver da próxima safra”, disse o economista do Banco Pine, Lucas Brunetti, na ocasião.

Em contrapartida, a projeção mais otimista é da Agroconsult, que atualizou seus números para 600 milhões de toneladas de cana moída. Mesmo sendo mais alto, esse número já representa uma redução de 4% em relação à primeira previsão da consultoria para a temporada, também apresentada em setembro.

estimativa elasticidade 19fev

Entre as empresas que também puxam a média para cima também está a consultoria FCStone – que chegou a prever uma moagem de 587,5 milhões de toneladas em novembro. Em fevereiro, ela aumentou sua perspectiva para 592,5 milhões de toneladas. Segundo a empresa, a idade média avançada dos canaviais será parcialmente compensada pelo clima favorável na entressafra e por um ligeiro aumento na área colhida.

Já o banco holandês Rabobank calcula que a moagem deve se situar entre 580 e 590 milhões de toneladas. No entanto, a instituição faz uma ressalva de que esse volume pode cair ainda mais devido ao aumento na idade média dos canaviais e a incertezas em relação ao clima no período da colheita.

estimativa moagem 19fev

Além disso, há outros fatores que travam perspectivas otimistas: “Primeiramente, a área total de cana praticamente parou de crescer. E, em segundo lugar, o aperto das margens em 2017/18 para muitos players sugere que a taxa de renovação não seja muito diferente dos 13% registrados no ano anterior”.

Por sua vez, em novembro, a Datagro apostou em uma moagem de 580 milhões de toneladas de cana-de-açúcar para a próxima safra. A queda em relação à temporada atual, segundo a consultoria, seria devido às adversidades climáticas que impactaram o desenvolvimento dos canaviais. “Tivemos até 120 dias sem chuvas em algumas áreas neste ano. Isso causou incêndios e desenvolvimento irregular dos canaviais”, disse o presidente da Datagro, Plinio Nastari.

Entre as usinas, as apostas também estão cautelosas. Já no final de 2017, a Biosev projetava uma moagem de 586 milhões de toneladas para 2018/19. Segundo o CEO da companhia, Rui Chammas, o motivo seria uma redução na renovação dos canaviais por parte das usinas, que também teriam cortado os gastos com tratos culturais para diminuir custos.

Na ocasião, ele comentou que menos unidades estarão em atividade na próxima safra. “Também temos visto usinas paradas. Suspendemos a produção em uma planta, a Raízen desligou outras duas, a Renuka demitiu muitos funcionários e pode não operar na próxima safra”, afirmou.

Inclusive, uma das perspectivas mais pessimistas para a moagem nacional vem da própria Raízen. No começo de fevereiro, a companhia divulgou em evento do setor uma projeção de 578 milhões de toneladas de cana-de-açúcar para 2018/19.

Rumo a uma safra mais alcooleira

Conforme a Datagro, mesmo com uma safra menor, a produção de etanol deve se manter praticamente estável devido a uma mudança no mix de produção das usinas. Em novembro, a consultoria projetou uma produção total de 25,3 bilhões de litros para 2018/19, com 56% da cana sendo direcionada para o biocombustível (ante 53% em 2017/18).

“Estamos surpresos em ver quão rápido as usinas mudaram o mix recentemente”, afirmou Plínio Nastari na ocasião. De acordo com ele, as usinas têm reduzido a produção de açúcar e elevado a fabricação de etanol desde que o biocombustível passou a dar melhores retornos.

A FCStone, por sua vez, aumentou ainda mais suas perspectivas de um mix alcooleiro. Em novembro, a companhia estimava que 56% da matéria-prima seria direcionada para o biocombustível, mas esse percentual aumentou para 57,6% na atualização de fevereiro.

De acordo com a companhia, os preços de gasolina mais elevados e o sistema de cotas e tributação sobre etanol importado dos Estados Unidos oferecem perspectivas positivas para os preços do etanol. Além disso, a projeção de superávit global para o açúcar tem mantido em baixa as cotações da commodity na bolsa de Nova York.

estimativa mix 22fev

Além disso, a estratégia de adotar um perfil mais alcooleiro já foi assumida por algumas companhias, como a Biosev. Segundo Rui Chammas, além dos preços mais baixos do açúcar, as cotações do petróleo e a nova política de preços da Petrobras também funcionaram como motivadoras da decisão.

“As condições atuais do mercado indicam que a safra de cana 2018/19 no centro-sul do Brasil será alcooleira ao máximo. Na busca por rentabilidade, as usinas devem produzir o máximo que puderem de etanol”, afirmou.

Para completar, a mudança na preferência das usinas para o etanol pode ser essencial para evitar um excedente ainda maior de açúcar em nível global, o que pressionaria ainda mais os preços. “O mundo conta com essa mudança no mix para o etanol no Brasil para consolidar essa redução esperada para o excedente global de açúcar e dar suporte aos preços”, disse o chefe de trading de açúcar da Louis Dreyfus, Enrico Biancheri.

A Raízen, por sua vez, acredita que a moagem da safra 2018/19 pode até mesmo ser adiantada por algumas companhias, visando aproveitar o bom momento do etanol. Segundo o diretor comercial da companhia, Ivan Melo, em participação durante um evento internacional do setor, essa será a opção das usinas que têm problemas de fluxo de caixa e que desejam aproveitar o momento dos preços. Já as usinas que não precisam gerar caixa imediatamente vão aumentar a produção de modo mais lento, com o objetivo de maximizar a capacidade de fabricação de etanol.

Pela média das empresas e consultorias consultadas pelo NovaCana, a produção de etanol em 2018/19 deve ficar em torno de 26,19 bilhões de litros. Entretanto, em estimativas mais recentes, algumas companhias – como FCStone, GreenPool e Agroconsult – chegam a apostar em valores superiores a 27 bilhões de litros.

estimativa etanoltotal 22fev

Hidratado versus anidro

Para a FCStone, o crescimento na produção de etanol deve trazer resultados positivos tanto para o anidro quanto para o hidratado. Ainda assim, a maior parte do aumento deve ser sentida pela versão do combustível que vai diretamente para o tanque dos motoristas. O aumento seria justificado pela expectativa de uma queda nas importações vindas dos Estados Unidos e por um cenário econômico mais favorável ao consumo de combustíveis.

Dessa forma, a estimativa da consultoria é que a produção total de etanol fique em 27,1 bilhões de litros. Desse total, 16,4 bilhões de litros devem ser de etanol hidratado (+7,2%) e 10,7 bilhões litros devem ser de anidro (+2,2%).

Esse valor representa a mais alta projeção até o momento para o etanol hidratado. Por sua vez, a companhia que estima o mais alto montante para o etanol anidro é a Archer Consulting, com 11,9 bilhões.

estimativa etanois 22fev

O Rabobank parece concordar com esse olhar. O banco projeta o preço do petróleo Brent entre US$ 55 e US$ 60/barril e, dessa forma, acredita que as perspectivas para o consumo de hidratado seriam promissoras. Contudo, a instituição ressalva que a trajetória dos preços de etanol em 2018 está longe de ser previsível. O principal motivo para isso seria justamente a política de preços da Petrobras para a gasolina, que acompanha as cotações internacionais.

Mais açúcar no mundo e menos no Brasil

Seguindo a tendência de um mix mais alcooleiro e de uma moagem menor do que na safra atual, a perspectiva das companhias é de uma redução na produção de açúcar. Inclusive, não é raro quem projete quedas em torno de 10% na produção de açúcar para a próxima safra.

A FCStone aposta justamente nesse percentual e prevê uma produção nacional de 32,4 milhões de toneladas do adoçante. Com um número próximo, a Datagro divulgou em novembro a perspectiva de uma queda de 3,8 milhões de toneladas, com a produção de açúcar indo de 36,4 mi t para 32,6 mi t (-10,4%).

Mas também há quem ultrapasse essa marca, como a Louis Dreyfus, controladora da Biosev, que em novembro já previa uma queda de 4,1 milhões de toneladas – assim, a produção de açúcar iria de 36,2 mi t em 2017/18 para 32,1 mi t em 2018/19 (-11,3%). Já a Raízen aposta em 31,5 mi t, o que seria o menor volume desde as 31,2 milhões de toneladas registradas pelo Centro-Sul em 2015/16.

estimativa acucar 22fev V2

O principal motivo dessa falta de interesse das empresas pelo adoçante está justamente na expectativa de um excedente de açúcar em nível mundial. Esse fator pressiona os preços da commodity em bolsa de valores, de modo que o produto deixa de ser vantajoso para as usinas brasileiras, que – ao contrário do que ocorre em muitas partes do mundo – possuem a possibilidade de direcionar matéria-prima para a produção de etanol.

Qualidade da cana

Outro ponto importante nas análises sobre a safra 2018/19 é a qualidade da matéria-prima. Todas as consultorias que projetaram esse indicador apostaram em uma queda na quantidade de ATR por tonelada de cana. Enquanto o resultado parcial da safra 2017/18 é de 137,3 t/kg, a atual média das estimativas é de 134,92 kg/t.

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Por conta dos canaviais envelhecidos e de uma renovação que segue abaixo dos níveis recomendados, a FCStone – que possui a segunda maior estimativa nesse quesito – acredita que o indicador de produtividade agroindustrial pode ir para 135,2 kg ATR/tonelada de cana. Considerando também a moagem prevista para a safra, a quantidade absoluta de ATR seria de 80,1 milhões de toneladas. Esse valor é 6,4% maior que as 75,3 milhões de toneladas previstas pelo Banco Pine.

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“O ATR médio surpreendente da safra 2017/18 foi favorecido pelo clima extraordinariamente seco entre junho e setembro do ano passado, que aumentou a participação da moagem de cana neste período para 60,5% do total estimado para a safra, versus 55,1% na média das últimas três safras para essa época”, afirmou a INTL FCStone em relatório.

Embora não aponte números específicos, o Rabobank segue um raciocínio similar e prevê uma queda no índice. Para o banco, as condições secas durante a safra 2017/18 contribuíram para um ATR maior do que esperado inicialmente. Esse mesmo fator, no entanto, pode trazer consequências para a qualidade média da cana em 2018/19, que poderá ficar levemente abaixo do nível atingido na atual temporada.

Renata Bossle – NovaCana

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