Cana: Safra / Moagem

Clima desfavorável derruba a produção de cana no Centro-Sul em 2021/22, afirma StoneX

Baixa umidade impacta a moagem, mas sustenta ATR médio dos canaviais


StoneX - 03 ago 2021 - 12:04

A continuidade do tempo seco sobre o Centro-Sul, aliada à ocorrência de geadas em áreas produtoras de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná, aumentou as preocupações em torno do real tamanho da quebra de safra em 2021/22.

Segundo relatório assinado pelas analistas de inteligência de mercado da StoneX, Marina Malzoni e Rafaela Souza, a manutenção do clima atipicamente seco e os impactos localizados das geadas já contribuem para perspectivas mais pessimistas em relação ao rendimento médio das lavouras do Centro-Sul. Por isso, a consultoria projeta que o rendimento dos canaviais seja de 71,5 toneladas de cana por hectare em 2021/22, retração de 7,9% frente ao ciclo anterior.

Embora o último relatório da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), referente à primeira quinzena de julho, evidencie o ambiente de pressão sobre o rendimento médio dos canaviais, ainda é cedo para afirmar perdas históricas, acreditam as analistas. A produtividade média em junho superou a mínima histórica em mais de 6 t/ha, ao passo que em abril e maio essa diferença era de cerca de 4,4 t/ha e 2,8 t/ha, respectivamente.

“Apesar da quebra de produtividade frente ao ano anterior se mostrar clara, ainda é cedo para afirmar quedas tão abruptas, tal como a observada em 2011/12 (-17% no comparativo anual), por exemplo”, disseram, em relatório.

Considerando que a área canavieira alcance 7,6 milhões de hectares na temporada corrente, cerca de 2% abaixo do esperado pela Unica para 2020/21, a StoneX estima que a moagem de cana totalize 541 milhões de toneladas no Centro-Sul brasileiro – queda de 4,8% em relação à sua estimativa anterior (divulgada em maio), além de se posicionar 10,6% abaixo do registrado na safra passada.

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“Vale ponderar que, dado que os impactos das ondas de frio que atingiram o Centro-Sul ainda estão sendo computados, novas revisões negativas nesses números não são descartadas, a depender da extensão das áreas canavieiras atingidas”, ressaltaram as analistas.

Por outro lado, a menor umidade tem corroborado para a sustentação do açúcar total recuperável (ATR) médio dos canaviais. Considerando que as chuvas devem permanecer abaixo da média ao longo dos próximos meses, e que a safra 2021/22 pode ter fim antecipado entre outubro e novembro, a StoneX revisou positivamente sua estimativa para a concentração de açúcares no colmo da cana, na ordem de 3,1%, para 145,5 kg/t, valor 0,6% acima de 2020/21.

No tocante ao mix produtivo, a maior parte das usinas continua maximizando a produção de açúcar, de modo a saldar os contratos de exportação previamente acordados. No entanto, parcela das unidades produtoras já tem direcionado maior quantidade de cana para a produção de etanol, em meio ao estreitamento da paridade de preços do álcool com o açúcar – sendo que, em algumas localidades, o biocombustível já vem se mostrando mais competitivo.

Com isso, a inteligência de mercado da StoneX prevê que o mix açucareiro se mantenha inalterado frente ao ciclo 2020/21, em 46,1%. A produção de açúcar pelo Centro-Sul é estimada em 34,6 milhões de toneladas, posicionando-se 10,1% abaixo da safra anterior. Como consequência, a produção de etanol de cana deve totalizar 24,9 bilhões de litros, volume que representa queda anual de 10,4%.

“Tal como já vem sendo observado no acumulado da temporada, espera-se que a produção de anidro se eleve em 7,6% frente a 2020/21, para 9,7 bilhões de litros, dado que a maior parte do consumo de combustíveis do ciclo Otto deve ser suprida pela gasolina”, afirmam as analistas Marina Malzoni e Rafaela Souza. Em paralelo, a destilação de hidratado é projetada para alcançar 15,2 bilhões de litros (queda de 19,1% no comparativo anual).

Embora tal dinâmica sinalize balanço de oferta e demanda apertado para o biocombustível, a produção de etanol de milho deve ajudar a contrabalancear, ainda que parcialmente, esse cenário. Considerando o avanço da destilação a partir do cereal e a contínua expansão deste mercado, a produção de etanol de milho está projetada para alcançar 3,5 bilhões de litros em 2021/22, crescimento anual de 37,1%. Deste total, 2,5 bilhões representam fabricação de hidratado (+31%), ao passo que a produção de anidro deve ser de 1 bilhão (+54,2%).