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Canaviais velhos dificultam a recuperação da produtividade – mas há uma saída

Pesquisadores do IAC propõem soluções de manejo para driblar situações adversas e aumentar rendimentos

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A seca nos principais estados produtores de cana-de-açúcar já dura mais de uma estação. O clima, que estava beneficiando a colheita do início da safra 2018/19, não é positivo a longo prazo, especialmente considerando a idade média dos canaviais do Centro-Sul.

O mais recente estudo realizado pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), representado pelo consultor Rubens Braga e pelo coordenador do programa de cana, Marcos Landell, traz os dados dos canaviais nos últimos anos. O documento mostra que a falta de investimentos está causando uma queda de produtividade preocupante – e a perspectiva não deve se alterar nas próximas safras.

“Chegamos a um nível crítico de envelhecimento do canavial e, como se não bastasse, ainda estamos passando por um período complicado de seca, então, a cana está secando em pé”, explica Braga, em entrevista ao NovaCana.

No estudo, os pesquisadores relacionam a idade do canavial com a produtividade da plantação, trazendo gráficos e algumas soluções de manejo que podem ajudar em uma tentativa de reverter o cenário negativo.

A seca nos principais estados produtores de cana-de-açúcar já dura mais de uma estação. O clima, que estava beneficiando a colheita do início da safra 2018/19, não é positivo a longo prazo, especialmente considerando a idade média dos canaviais do Centro-Sul.

O mais recente estudo realizado pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), representado pelo consultor Rubens Braga e pelo coordenador do programa de cana, Marcos Landell, traz os dados dos canaviais nos últimos anos. O documento mostra que a falta de investimentos está causando uma queda de produtividade preocupante – e a perspectiva não deve se alterar nas próximas safras.

“Chegamos a um nível crítico de envelhecimento do canavial e, como se não bastasse, ainda estamos passando por um período complicado de seca, então, a cana está secando em pé”, explica Braga, em entrevista ao NovaCana. Ele completa: “A plantação é como o ser humano. Se é jovem, ela aguenta melhor o estresse, mas sendo uma planta velha, ela sofre um estrago muito maior”.

No estudo, os pesquisadores demonstram que a falta de investimentos em todas as áreas do manejo, assim como a redução no uso de adubo, herbicidas, inseticidas e outros, provocou uma queda no rendimento agrícola de 4,4 toneladas de cana por hectare, ou 5,3%, na média das últimas dez safras da região Centro-Sul.

IAC 1 produtividade

Um dos fatores que está contribuindo fortemente com a diminuição da produtividade é a elevação da idade média dos canaviais. A falta de recursos e o baixo índice de renovação estão aumentando o estágio médio de corte – índice que determina a idade da plantação. Nos dez últimos anos, este índice dos produtores da região Centro-Sul cresceu 19%, atingindo a marca recorde de 3,8 cortes na safra 2017/18.

IAC 2 estagio

Braga explica que, para chegar no índice do estágio de corte, é feita uma média ponderada da área plantada em relação ao número de cortes pelos quais a planta já passou.

“Como a média histórica do Centro-Sul é de cinco cortes, o número ideal seria menor que três. Anteriormente, os produtores deixavam menos áreas nos estágios avançados, então, a área do quinto corte era menor que a do primeiro, diminuindo a idade média da plantação. Hoje, está totalmente o contrário e os primeiros estágios têm menos áreas do que os últimos”, explica.

A relação entre produtividade e estágio de corte é inversamente proporcional, ou seja, quanto menos cortes, mais produtividade. Ainda assim, não é como se fosse viável renovar a plantação a cada corte, mesmo que isso maximize a produtividade. “Como o plantio é a fase mais cara da produção dos derivados da cana, se o produtor planta, colhe e já planta novamente, o processo fica inviável economicamente”, completa o consultor.

IAC 3 estxprod

E as perspectivas se mantêm negativas a não ser que haja alguma mudança climática, afirma Braga: “Sem investimentos na renovação do canavial, a plantação tende a estar ainda mais velha no ano que vem e o clima tem influência. Então, se a questão climática puder ser revertida e tivermos um ano agrícola um pouco melhor, podemos ter uma elevação na produtividade”.

Uma luz no fim do túnel

Mesmo com perspectivas nada animadoras, o pesquisador Marcos Landell propõe, no estudo, uma saída para a questão do déficit hídrico – e, consequentemente, da baixa produtividade.

O uso do chamado “3º Eixo da Matriz” é uma forma de manejo que sugere que o produtor colha os primeiros cortes da cana-de-açúcar logo no início da safra, independente se a plantação é precoce ou tardia.

“Quando colhemos os primeiros cortes no início da safra, mesmo que a planta tenha pouca raiz, a grande quantidade de água presente no solo faz com que ela se recupere melhor do impacto do corte. Se você deixa o primeiro corte para o final da safra, as condições serão adversas e o próximo será muito ruim”, explica Braga.

De acordo com o consultor, essa forma de manejo já está sendo testada em algumas usinas e dando bons resultados – recuperando a produtividade em lugares que estavam em condições difíceis, apenas por mudar a época de colheita dos talhões. “Mesmo em uma situação de estresse hídrico, e até neste cenário de envelhecimento dos canaviais, há uma alternativa para os produtores que diz respeito apenas à escolha de quando colher a cana; isso já dá uma elevação significativa no resultado”, explica.

Além disso, o manejo de 3º Eixo faz com que a cana tenha mais saúde e fique mais longeva, permitindo cortes mais avançados, como o sexto e o sétimo, ainda com alta produtividade. Dessa forma, é possível demorar mais na renovação do canavial, gerando economia. “Até nisso esse sistema é vantajoso”, Braga defende.

Ainda assim, o consultor vê uma resistência do setor em adotar novas práticas que quebram o “estilo tradicional de colheita – precoce, média e tardia”. “Precisamos conscientizar os técnicos de que há uma melhor maneira de fazer”, ele afirma, dizendo que os rendimentos provindos desse manejo podem ser utilizados para a renovação do canavial, o que é muito importante para o momento.

Mudar “internamente”

Outra prática que os pesquisadores acreditam que deve ser aplicada pelos produtores a fim de aumentar a produtividade é o investimento em novas variedades de cana-de-açúcar.

“Existem espécies hoje muito mais adaptadas à mecanização e que ainda não são muito usadas”, alega e continua: “Está demorando mais do que deveria para acontecer essa troca. E, com o plantio reduzido, fica ainda mais difícil renovar, pois plantando pouco obviamente não serão plantadas variedades novas. É importante investir em novos tipos de cana para [o produtor] poder se blindar de questões adversas”.

O consultor conclui dizendo que a plantação de cana-de-açúcar é um processo antigo e que funcionou bem por muito tempo, o que torna difícil fazer grandes modificações. Ainda assim, a realidade do setor mudou. “Antes, era o Brasil quem segurava o preço do açúcar a nível internacional, a nossa produtividade era altíssima e o custo, muito baixo. Hoje, outros países estão aumentando cada vez mais sua produção, então, não influenciamos mais o mercado como fazíamos antes. Se até isso mudou, temos que mudar internamente para continuar tendo bons rendimentos”, reforça.

Rafaella Coury – NovaCana

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