Matéria-prima foi responsável por 16,4% da oferta interna e registrou primeira queda em três anos na quantidade de energia; geração total por fontes renováveis também caiu
O Brasil é um dos países que mais utiliza fontes renováveis em sua matriz energética. Ainda assim, em 2021, a parcela de energia sustentável ficou em 44,7%, uma queda de 3,7 pontos percentuais ante 2020, quando foi de 48,4%. O resultado ficou abaixo até mesmo do registrado em 2019, de 46,1%.
Responsável pela maior parte da energia renovável gerada no país, a cana-de-açúcar somou um volume energético de 49,4 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep) em 2021, queda de 10% na comparação anual – o primeiro decréscimo em três anos. Na série histórica, a última vez que o volume de energia gerada pela biomassa de cana ficou abaixo de 50 Mtep foi em 2017.
Os dados foram compilados no Balanço Energético Nacional (BEN), realizado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), coordenada pelo Ministério de Minas e Energia (MME).
De acordo com o relatório, a biomassa de cana ainda é a fonte renovável que engloba a maior parcela da matriz energética, com 16,4%. O resultado representa uma queda de 2,7 pontos percentuais ante a porcentagem de 2020, de 19,1%.
Este é o menor resultado desde 2013, quando a biomassa representou 16,1% da energia fornecida. Ainda assim, o total de 2021 fica levemente acima da meta de 16% estabelecida pelo governo para 2030 como parte dos compromissos assumidos no Acordo de Paris.
Desde o início da série histórica, em 2006, os resultados variaram entre 14,6% e 19,1%.
No texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana, você confere:
- Oferta energética do etanol e do bagaço de cana
- Geração de energia por fontes renováveis e não-renováveis
- Formação da matriz energética nacional
- Consumo de energia por fonte
- Consumo de energia por setor: transportes, indústria e energético
O Brasil é um dos países que mais utiliza fontes renováveis em sua matriz energética. Ainda assim, em 2021, a parcela de energia sustentável ficou em 44,7%, uma queda de 3,7 pontos percentuais ante 2020, quando foi de 48,4%. O resultado ficou abaixo até mesmo do registrado em 2019, de 46,1%.
Responsável pela maior parte da energia renovável gerada no país, a cana-de-açúcar somou um volume energético de 49,4 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep) em 2021, queda de 10% na comparação anual – o primeiro decréscimo em três anos. Na série histórica, a última vez que o volume de energia gerada pela biomassa de cana ficou abaixo de 50 Mtep foi em 2017.
Os dados foram compilados no Balanço Energético Nacional (BEN), realizado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), coordenada pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

De acordo com o relatório, a biomassa de cana ainda é a fonte renovável que engloba a maior parcela da matriz energética, com 16,4%. O resultado representa uma queda de 2,7 pontos percentuais ante a porcentagem de 2020, de 19,1%.
Este é o menor resultado desde 2013, quando a biomassa representou 16,1% da energia fornecida. Ainda assim, o total de 2021 fica levemente acima da meta de 16% estabelecida pelo governo para 2030 como parte dos compromissos assumidos no Acordo de Paris.
Desde o início da série histórica, em 2006, os resultados variaram entre 14,6% e 19,1%.

No grupo de fontes sustentáveis que fazem parte da oferta nacional estão: cana-de-açúcar (16,4%); hidráulica (11%); lenha e carvão vegetal (8,7%); eólica (2,1%); solar fotovoltaica e térmica (0,8%); e outras renováveis (5,8%), o que inclui lixívia, biodiesel, biogás, gás industrial de carvão vegetal e outras biomassas.
O papel das energias renováveis no Brasil
Segundo o relatório da EPE, o total de energia disponibilizado no país foi de 301,5 Mtep, contabilizando fontes renováveis e não renováveis. O avanço foi de 4,5% em comparação com o ano anterior, de 288,5 Mtep. Considerando a perda de participação das renováveis, este crescimento ficou ainda mais acentuado para as fontes fósseis.
Mas, apesar da queda das fontes sustentáveis, a participação ainda está muito acima dos 14,1% registrados na média mundial em 2019, de acordo com o relatório da EPE. A entidade argumenta que, durante 2021, alguns efeitos da pandemia de covid-19 ainda foram sentidos, o que poderia justificar quedas relacionadas à energia renovável.
A EPE explica que a fatia dos renováveis na matriz energética foi marcada pela queda na geração de energia hidráulica, devido à falta de chuvas e ao acionamento das usinas termelétricas. As secas também afetaram os canaviais, inclusive causando a quebra da safra 2021/22, o que resultou na diminuição da parcela de participação da cana-de-açúcar na matriz energética, tanto com o bagaço de cana na energia térmica, quanto com o etanol no setor de transportes.
As renováveis só não perderam mais espaço por conta do aumento da geração pelas energias eólica e solar. Também houve crescimento no consumo do biodiesel, favorecido pela política de adição em seu concorrente fóssil, que chegou a 13% no primeiro trimestre de 2021, embora tenha caído para 10% posteriormente.
Ao mesmo tempo, as energias não-renováveis voltaram a ganhar espaço na matriz energética brasileira em 2021. O petróleo subiu 8,8% na comparação anual, depois de ter registrado uma queda de 5,6% no último balanço. O óleo fóssil ainda segue como a fonte energética mais usada no país, com uma participação de 34,4%.
Os acréscimos mais significativos foram do carvão mineral (+21,3%) e do gás natural (+18,9%).

Em volume, a geração de energia com fontes renováveis chegou a 134,9 Mtep em 2021, uma queda de 3,6% ante o ano anterior, quando somou 140 Mtep. Já as não-renováveis representaram 166,6 Mtep, 12,2% acima dos 148,5 Mtep vistos em 2020.
Queda na produção
Dentro da matriz energética nacional, a cana-de-açúcar participa por meio do etanol, utilizado no transporte, e também com a sua biomassa, que em 2021 representou uma parcela de 8,2% do total, uma queda de quase 1 ponto percentual ante os 9,1% do ano anterior. No período, a quantia disponibilizada foi de 55,4 terawatts-hora, retração anual de 5,3%.
De acordo com o relatório da EPE, as mudanças aconteceram em função da escassez hídrica que ocorreu ao longo de 2021.
Ainda assim, a matriz elétrica brasileira conseguiu aumentar sua oferta em 3,9%, passando de 653,5 TWh em 2020 para 679,2 TWh em 2021. A biomassa foi a quarta fonte com maior presença, ficando atrás da hidráulica (53,4%), do gás natural (12,8%) e da energia eólica (10,6%).

Mesmo com as quedas vistas em 2021, as fontes renováveis ainda contam com a maior participação na matriz elétrica, com 78,1% – um decréscimo de 6,7 pontos percentuais em relação a 2020, quando chegou a 84,8%. A EPE explica que essa redução ocorreu principalmente devido à oscilação da oferta hidráulica, que teve de ser compensada pelo aumento da geração termelétrica, principalmente a gás natural, uma fonte não-renovável.
O resultado de 2021 se mostra ainda mais distante do recorde da série histórica, visto em 2009. Naquele ano, as fontes renováveis representaram 90% da matriz elétrica nacional.
Ainda assim o Brasil se mantém como referência no uso de fontes renováveis. Segundo o relatório da EPE, em 2019, este percentual foi de 26,6% no mundo.
O texto segue afirmando que, apesar da queda na geração de energia a partir das usinas hidrelétricas e da biomassa em termelétricas, cerca de 15 TWh adicionais vieram da evolução da energia eólica, que se manteve em um crescimento constante nos últimos anos, chegando a 72,2 TWh em 2021, um acréscimo de 26,7% ante o ano anterior.

Já a geração termelétrica avançou 24% entre 2020 e 2021, aumentando sua participação na matriz elétrica. Dentre as fontes, o gás natural teve o maior acréscimo, chegando a 36,1%. Já a biomassa, segunda maior fonte termelétrica, caiu para 27,3%.
Entre as fontes não-renováveis, petróleo, carvão e seus derivados também aumentaram a participação, enquanto a nuclear caiu.
Consumo de energia
O consumo total, energético e não energético, avançou 3% em 2021, chegando a 262,12 Mtep. A oferta interna acompanhou o movimento, com um aumento de 4,8%.
A biomassa de cana teve uma queda no consumo final de energia. O bagaço caiu 11,9% entre os dois últimos anos da análise, com 28,27 Mtep em 2021, e totalizou 11,4% do consumo. Enquanto isso, o etanol registrou uma queda de 3,2%, com 14,84 Mtep.

O setor de transportes foi o que mais consumiu energia em 2021, com 85,1 Mtep, crescimento de 7,3% ante 2020, quando ficou em segundo lugar com 79,4 Mtep devido ao impacto da pandemia de covid-19.
A participação dos renováveis caiu 2 pontos percentuais entre um ano e outro, fechando 2021 em 23%. O etanol teve uma queda de 3,2% no mercado de veículos leves, perdendo espaço para a gasolina. Já no caso do transporte de cargas, o biodiesel cresceu 6,5%.
Segundo o relatório da EPE, esse avanço se deve tanto pelo preço do diesel quanto pela utilização de B13 no começo de 2021.
Do lado dos não-renováveis, o querosene de aviação teve o maior acréscimo, 32,8%, seguido pela gasolina (+9,8%) e pelo óleo diesel (+9,1%).

O setor industrial, que foi o maior consumidor energético de 2020, teve um aumento de 3,6%, chegando a 84,8 Mtep, mas ficando ainda atrás do transporte em 2021. Juntos, os dois setores são responsáveis por mais de 60% do total da energia usada no ano.
De acordo com a EPE, com exceção do segmento de alimentos e bebidas, todos os demais setores industriais registraram aumento de consumo energético.
Mas, assim como nos transportes, a participação dos renováveis na indústria também caiu, ficando em 58%. A queda é baseada na diminuição do uso de bagaço de cana na geração de energia, que no setor teve um decréscimo de 14,8%, enquanto outros renováveis apresentaram aumentos, como a lixívia (+6,2%).

Entre as fontes não-renováveis, o gás natural apresentou uma alta de 20,8%, seguido pelo carvão mineral com 11,8%.
Por fim, o setor energético foi o único da publicação a registrar uma redução, de 5,5%, em relação à 2020 – sendo responsável por 9,5% do uso total. Em 2021, o setor somou 24,86 Mtep, contra 26,31 Mtep do ano anterior.
O relatório da EPE explica que, neste caso, foi usada menos energia para transformação no Brasil em 2021.

Com a maior parcela do consumo, 12,87 Mtep, o bagaço de cana sofreu uma queda anual de 8,3%. Os não-renováveis também tiveram um decréscimo, como o gás natural (-5,4%) e os derivados de petróleo (-2,7%).
Entre os aumentos, o destaque foi o gás de coqueria, com uma alta de 17,2%, seguido pela eletricidade, que subiu 1,4%.
Giully Regina – NovaCana