Embora exista um consenso de superávit na produção global de açúcar, consultorias variam projeções entre 430 mil e 10 milhões de toneladas
O NovaCana atualizou seu balanço com as previsões de consultorias e empresas ligadas ao comércio de açúcar sobre o balanço do mercado global do adoçante na temporada mundial 2017/18. Como já é de conhecimento de mercado, depois de dois anos de déficit, a previsão é que a safra em andamento termine em superávit, ou seja, a produção superará o consumo global.
O levantamento engloba as projeções de 13 instituições sobre a atual safra global, que vai de 1º de outubro de 2017 a 30 de setembro de 2018.
Confira a seguir as previsões e os principais fundamentos dessas projeções.
A seguir, as previsões de:
- Abares
- BTG Pactual
- Datagro
- F.O. Licht
- Greenpool
- INTL FCStone
- ISO
- Louis Dreyfus
- Platts
- Rabobank
- Sucden
- TRS
- USDA
O NovaCana atualizou seu balanço com as previsões de consultorias e empresas ligadas ao comércio de açúcar sobre o balanço do mercado global do adoçante na temporada mundial 2017/18. Como já é de conhecimento de mercado, depois de dois anos de déficit, a previsão é que a safra em andamento termine em superávit, ou seja, a produção superará o consumo global.
O levantamento engloba as projeções de 13 instituições sobre a atual safra global, que vai de 1º de outubro de 2017 a 30 de setembro de 2018.
Se no último levantamento algumas consultorias ainda discordavam sobre o superávit, agora é consenso que haverá um excedente de açúcar na safra global 2017/18. A “sobra” é prevista entre 430 mil toneladas e 10 milhões de toneladas de açúcar. A média das estimativas das 13 instituições é de 3,79 milhões de toneladas do adoçante.


A maior previsão de excedente é do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O órgão projeta que a produção seja maior do que o consumo em mais de 10 milhões de toneladas de açúcar, frente a uma estimativa de 8,07 milhões de toneladas prevista em maio de 2017.
De acordo com os técnicos da instituição, entre os fatores para a revisão de safra global está a expectativa de aumento da produção brasileira no ciclo 2017/18. Nesse caso, o número passou de 39,65 milhões para 40,2 milhões de toneladas de açúcar. O que favorece o crescimento é o clima favorável, a melhora de tratos culturais e o menor uso da cana para etanol. Ainda segundo o departamento de agricultura dos Estados Unidos, o Brasil deve consumir 10,6 milhões e exportar 29,6 milhões de toneladas de açúcar.


No balanço global, somam-se outros fatores para que a produção seja maior. A Índia e a Tailândia devem recuperar volumes de produção no atual ano-safra também por conta do clima favorável. Os dois países devem colocar no mercado 27,7 milhões e 11,2 milhões de toneladas, respectivamente. Outros motivos para aumentar a estimativa de produção global são o fim das cotas na União Europeia e o aumento da oferta local na China.
Por fim, o USDA também revisou para cima a estimativa de consumo global de açúcar no ciclo 2017/2018, de 171,559 milhões em maio para 174,223 milhões de toneladas.

A menor previsão de superávit, por sua vez, é da Datagro, que reduziu sua projeção de superávit global de açúcar no ciclo 2017/18 de um excedente de 590 mil toneladas (valor bruto) para um de 430 mil toneladas de açúcar. A consultoria justifica o corte principalmente com a menor produção vista no Centro-Sul do Brasil.
Além disso, a Datagro destaca que, assim como em Cuba, os impactos do furacão Irma sobre os canaviais da Flórida começam a ficar mais evidentes, de tal modo que a previsão de açúcar em 2017/18 nos EUA foi revisada para baixo, de 8,10 para 8,04 milhões de toneladas.
A Datagro – que foi a única consultoria a reduzir a estimativa para o superávit de açúcar – ainda aponta que, mesmo diante de melhores prognósticos sobre a produção de açúcar na União Europeia e na Rússia, o cenário fica menos promissor devido ao clima.
Outras projeções
Entre as atualizações mais recentes está a da FCStone, que também elevou sua projeção de superávit no balanço mundial de oferta e demanda de açúcar das 2,6 milhões de toneladas estimadas no início de setembro para 2,8 milhões de toneladas em novembro. A previsão levaria os estoques mundiais a registrar 72,4 milhões de toneladas ao final do ciclo 2017/18, versus 69,6 milhões de toneladas projetados para o ano-safra anterior.
"Esses níveis de estoques finais representariam 39,5% da demanda mundial na safra atual, uma relação estoque/uso em linha com a vista em 2015/16 e acima das 38,3% estimadas para 2016/17", observa o analista de mercado da INTL FCStone, Pedro Shinzato.
A consultoria projetou a procura pelo produto em 183,1 milhões de toneladas durante o ano-safra iniciado em outubro recente, marcando avanço de 0,8% em comparação com 2016/17.
"No lado da oferta, ao contrário do esperado para a safra passada, estimamos uma redução na produção de açúcar no Centro-Sul brasileiro ao longo de 2017/18 (out-set)", destaca Shinzato. A FCStone considera provável que unidades produtoras brasileiras destinem maior parcela de sua matéria-prima para a fabricação de etanol. A perspectiva de produção de açúcar no Centro-Sul brasileiro ao longo da safra-global 2017/18 (que coincide majoritariamente com a safra 2018/19 no Brasil) foi reduzida para 31 milhões de toneladas.
No segundo maior produtor mundial, a Índia, a safra 2017/18 reserva perspectivas de grande recuperação após dois ciclos consecutivos de quebra, associados à forte seca que atingiu o país com o El Niño de 2015.
A produção indiana de açúcar na safra 2017/18 foi elevada para 25 milhões de toneladas (valor branco) – um montante 23% maior que no ciclo anterior e acima das 24,5 milhões de toneladas estimadas pela FCStone em setembro.
Já na União Europeia, a safra 2017/18 já teve início dando sinais de maior disponibilidade de açúcar no bloco.
Com ampla expansão da área plantada com beterrabas açucareiras principalmente na França e na Alemanha, em conjunto com um cenário climático mais favorável que o visto em meados de 2017, a FCStone projeta que a produção de açúcar do bloco alcancará 18,9 milhões de toneladas (valor branco), um crescimento de quase 21% em comparação com 2016/17.
Além do USDA e da FCStone, aumentaram as estimativas para excedente de açúcar a Platts (de 3,13 para 3,87 milhões de toneladas), a ISO (de 3 para 4 milhões de toneladas) e o Rabobank (de 2,7 para 4,5 milhões de toneladas). Também foi inclusa no levantamento a previsão de excedente da Louis Dreyfus, que projeta 3 milhões de toneladas de açúcar excedido no balanço entre produção e consumo.

Preços
As projeções de nova abundância de açúcar na próxima temporada provavelmente manterão os preços baixos, na visão dos especialistas de mercado. Na temporada global em andamento, a ED&F Man Sugar, prevê preços entre 12,5 centavos e 16 centavos de dólar.
O que poderia acabar com a queda do preço do açúcar seria o clima – fator que ainda pode frustrar os ganhos da safra. No Brasil, a seca do início de 2017 pode ter prejudicado o potencial de rendimento, de modo que as lavouras antigas de cana-de-açúcar do País podem ter uma produtividade limitada.
Segundo a consultoria, preços de menos de 15 centavos de dólar não são viáveis para os produtores da Tailândia, da Índia e da UE. Além disso, o açúcar mais barato também estimularia a demanda – o que poderia afetar o balanço.
Além disso, há ainda uma perspectiva positiva para a indústria de etanol do Brasil. Com a decisão do País de impor taxas às importações do biocombustível, uma parcela maior da cana pode ser desviada para a produção de etanol. Dessa maneira, os preços do açúcar poderão subir para 17 centavos de dólar em 2018.
NovaCana DATA
Marina Gallucci – NovaCana