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Zilor faz primeira emissão de CPR-Fs em busca de R$ 500 milhões para operação de cana

Açucareira Quatá, braço sucroenergético do grupo paulista, diversifica fontes de captação após safra recorde de 12,7 milhões de toneladas

AgFeed 3 min de leitura

No ano em que se torna octagenário, a Zilor está estreitando ainda mais os seus laços com o mercado de capitais. Por meio de sua subsidiária Açucareira Quatá, o conglomerado controlado pela família Zillo, anunciou nesta sexta-feira, 9, sua primeira captação com Cédulas de Produto Rural com Liquidação Financeira (CPR-Fs).

A estreia nesse mercado busca levantar, junto a investidores profissionais, até R$ 500 milhões, com a emissão de uma série única de 500 mil títulos. A operação, coordenada pelo Banco Bradesco BBI, tem data de emissão marcada para 15 de outubro de 2026 e vencimento em 15 de outubro de 2031.

Como manda a natureza das CPR-Fs, a emissão é lastreada em produção rural futura. No caso, são 4,31 milhões toneladas de cana-de-açúcar, avaliadas a R$ 116,00 por tonelada (cotação do Consecana de setembro de 2026), a serem colhidas entre as safras 2026/27 e 2031/32.

As lavouras que formam o lastro estão em mais de 30 propriedades rurais nos municípios de Paraguaçu Paulista, Quatá, Lençóis Paulista e Pratânia, no interior paulista, o coração da operação sucroenergética do grupo.

A remuneração oferecida aos investidores é de 93,5% do DI, com juros pagos semestralmente, em abril e outubro, ao longo de dez parcelas. A amortização do principal ocorre em três etapas: 33,33% em outubro de 2029, 50% em outubro de 2030 e o saldo remanescente no vencimento, em 2031.

Segundo documento protocolado na CVM, os recursos captados serão destinados à produção e comercialização de cana-de-açúcar, açúcar e etanol.

A estrutura traz a garantia do Bradesco, que responde pela fiança bancária irrevogável e incondicional por 100% das obrigações da emissão, com validade estendida até 15 de novembro de 2031, um mês após o vencimento dos títulos.

A Pentágono S.A. atua como agente de CPR-F, enquanto o Itaú Unibanco é o banco liquidante e a Itaú Corretora, a escrituradora.

Safra recorde e desalavancagem

A estreia no mercado de CPR-Fs ocorre em um bom momento para a Zilor. Na safra 2025/26, encerrada em março, a companhia foi uma das usinas do Centro-Sul que escaparam dos problemas climáticos que derrubaram a moagem do setor.

Pelo contrário, o grupo processou 12,7 milhões de toneladas de cana, alta de 20,1% e recorde histórico, impulsionada pela aquisição da Usina Salto Botelho, comprada em outubro de 2024 por R$ 600 milhões da gestora americana Amerra.

A receita líquida cresceu 10,1%, para R$ 3,6 bilhões, e o Ebitda ajustado avançou 20%, para R$ 1,3 bilhão, também uma marca recorde para a empresa. O lucro líquido da safra somou R$ 364 milhões.

A desalavancagem foi o outro destaque do ciclo. A dívida líquida recuou 14,6% em um ano, para R$ 1,77 bilhão, e a alavancagem caiu de 1,6 para 1,1 vez o Ebitda no fim da safra, o que abriu caminho para novas operações no mercado de capitais.

A companhia entrou na safra atual com caixa de R$ 2,5 bilhões, o equivalente a quatro anos de compromissos financeiros. O CEO André Inserra alertou, no entanto, que as margens da temporada 2026/27 estão “um tanto quanto apertadas”, com foco em economia de custos, sem tocar no canavial.

A emissão da Zilor se insere em um movimento de consolidação das CPR-Fs como fonte de financiamento do agro. Em agosto passado, outra empresa a estrear nesse mercado foi SLC Agrícola no mercado, com a captação de R$ 515 milhões lastreados na produção em algodão.

Em junho, o grupo Amaggi já tinha recorrido ao mesmo instrumento para levantar R$ 3,5 bilhões, tendo como lastro algodão e soja produzidos pela companhia.

Luiz Fernando Sá

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