Financeiro

Financeiro

Zilor dribla quebra de safra em 2025/26 e lucro vai a R$ 107,7 milhões

Companhia elevou processamento de cana-de-açúcar em 20% na temporada passada


Globo Rural - Publicado: 24 Jun 2026 - 08:16 | Atualizado: 24 Jun 2026 - 09:09

Maior acionista da Copersucar, a Zilor foi uma das usinas associadas à gigante de açúcar e etanol que escapou da quebra de safra em 2025/26 e registrou crescimento tanto na moagem de cana como nos resultados financeiros. O lucro líquido ajustado da companhia encerrou a temporada em R$ 107,7 milhões, quase cinco vezes acima do resultado da safra anterior.

Na safra passada, a Zilor contou com as operações adicionais da usina Salto Botelho, planta que a empresa comprou no fim da temporada anterior e deu forte contribuição para a moagem.

Segundo o CEO da Zilor, André Inserra, os canaviais da usina tiveram desempenho melhor que o esperado, e a moagem do polo de Quatá, onde está a usina, ajudou a compensar o impacto que episódios de geada tiveram sobre as lavouras do polo de Lençóis Paulista.

A companhia processou 12,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, um salto de 20% em relação ao ciclo anterior. E, apesar da safra considerada “desafiadora” por Inserra devido à queda dos preços do açúcar e às oscilações no câmbio, a companhia aumentou sua receita líquida em 10,1%, para R$ 3,6 bilhões.

zilor 240626 moagem producao

Com isso, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado cresceu 20%, para R$ 1,3 bilhão, um recorde.

O principal avanço ocorreu no negócio de etanol, cuja receita teve um incremento de 22% e alcançou R$ 1,3 bilhão.

Segundo Inserra, a Zilor iniciou sua moagem com foco na produção de açúcar, mas migrou seu mix para o etanol em meados do segundo semestre, quando o biocombustível passou a oferecer remuneração melhor. “A Copersucar começou a alertar que a demanda estava crescendo, e mudamos o mix”, disse.

A companhia também teve alta nas receitas com as vendas de açúcar e energia. No caso da cogeração, o resultado foi fortalecido pela maior capacidade de cogeração na usina Barra Grande, plenamente utilizada.

Os resultados foram utilizados para desalavancar a companhia e melhorar o perfil da dívida. No fim da safra, a dívida líquida da Zilor representava 1,1 vez seu Ebitda, abaixo de 1,6 vez de um ano antes.

zilor 240626 resultados

Para Inserra, a Zilor alcançou o nível de alavancagem esperado, mas isso não significa que a empresa deve relaxar. “Com essa taxa de juros, requer atenção, de qualquer forma”, disse. Segundo ele, a despesa com juros em 2025/26 já ficou acima do esperado.

Para a safra atual, o executivo vê no momento “margens um tanto quanto apertadas” e pretende focar em economia de custos e despesas – com exceção do canavial, que é o que garante os resultados das safras futuras. “Estamos revisando indicadores e buscando melhores práticas”, disse.

Por ora, a companhia espera enfrentar a safra pela frente com um caixa de R$ 2,5 bilhões, suficiente para cobrir quatro anos de compromissos financeiros, e espera ainda aumentar o volume de cana processado.

Camila Souza Ramos