O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, anunciou, nesta quinta-feira, 15, que a Ucrânia retomará seus ataques contra refinarias russas, desafiando a trégua energética anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, e instou os Estados Unidos a não ficarem do lado do “agressor” em sua guerra contra Moscou.
As relações entre Kiev e Washington se deterioraram na última semana, depois que Trump decidiu suavizar as sanções contra a Rússia em troca do fornecimento, por parte de Moscou, de diesel para os mercados globais, incluindo o americano.
Zelensky classificou o acordo como “fraco” e “indigno”, e afirmou que ele incentivará a Rússia a continuar sua guerra contra a Ucrânia, iniciada há mais de quatro anos. Vários aliados europeus de Kiev também criticaram o pacto.
Trump está sob pressão pela alta dos preços do combustível, resultante da guerra contra o Irã, antes das eleições de meio de mandato de 3 de novembro, e afirmou no sábado que se o preço do diesel subiu, isso se deveu aos ataques ucranianos contra refinarias de petróleo russas.
Além disso, investiu contra o presidente da Ucrânia, ao reivindicar a realização de eleições no país, algo impossível na situação atual, pois vigora a lei marcial.
Zelensky afirmou, em entrevista ao jornal Financial Times, publicada nesta quinta-feira,15, que “acabaram” as restrições para atacar as refinarias.
No domingo, Trump anunciou de surpresa um “cessar-fogo energético” entre Rússia e Ucrânia, do qual Zelensky disse não estar ciente. E, no início desta semana, a Ucrânia relatou interrupções no sistema americano de comunicação via satélite utilizado por suas tropas.
“Precisamos de HONESTIDADE de nossos parceiros sobre esta guerra: é importante que todos nos Estados Unidos não fiquem do lado do agressor, mas do lado de nossos esforços para proteger vidas, acabar com esta guerra e garantir a segurança”, escreveu Zelensky no X, usando letras maiúsculas ao estilo do presidente americano.
Durante uma entrevista ao jornalista britânico Piers Morgan, na quarta-feira, Zelensky admitiu ter se sentido “traído” pelo acordo assinado por Trump e Putin sobre o diesel.