Indústria

Indústria

Vinhaça e torta de filtro serão usadas para produzir amônia e adubo


Reuters - Publicado: 09 Dez 2024 - 08:54 | Atualizado: 10 Dez 2024 - 08:32

O biometano, produzido a partir da vinhaça e da torta de filtro – resíduos da indústria da cana-de-açúcar – chega à unidade da Yara em Cubatão por gasodutos, após ser produzido pela Raízen em Piracicaba, no interior de São Paulo.

Com a atual contratação de biometano, a Yara consegue produzir 6 mil toneladas de amônia renovável ao ano, de um total de 200 mil toneladas/ano da produção da unidade de Cubatão, que ainda utiliza o gás natural na maior parte da operação.

Mas a companhia idealiza que, até 2030, toda a unidade rode com biometano.

"Vamos testar a demanda, fomentar a demanda, e a nossa missão é ter a planta inteira rodando a biometano", afirmou o vice-presidente de Soluções Industriais da Yara International, Daniel Hubner, à Reuters.

Segundo ele, a empresa mapeia oportunidades de trabalhar com novos produtores de biometano.

"Se pudesse dizer como objetivo, eu gostaria de ver a plantada rodando 100% com biometano até 2030, mas ainda tem chão para chegar lá", destacou.

Com o volume de amônia renovável produzido, a empresa consegue fabricar de 15 mil a 20 mil toneladas em fertilizantes, se transformar todo o insumo em adubo, uma vez que há outros clientes, que não pertencem ao agronegócio, interessados no produto.

Com a produção total de amônia, incluindo a fatia fabricada a partir de gás natural, a Yara consegue produzir em Cubatão entre 450 mil e 500 mil toneladas de fertilizantes nitrogenados, um produto que o país importa em grandes volumes, especialmente da Rússia.

O vice-presidente de Marketing e Agronomia da Yara Brasil, Guilherme Schmitz, admitiu que a empresa espera obter prêmios pelo fertilizante produzido a partir da amônia renovável, já que o setor agrícola também busca se descarbonizar.

"O prêmio vai depender da geração da demanda e quanto este mercado está disposto a valorizar o produto final", destacou, sem dar um número.

Ele citou que já há produtores de café interessados, já que o fertilizante produzido a partir da amônia renovável consegue reduzir até 40% a pegada de carbono do grão colhido.

Hubner lembrou que a pegada da CO2, quando se quebra hidrocarboneto (gás natural, por exemplo) no processo produtivo da amônia, é considerável.

"Quando pega o biometano, não tem esse problema... não estou colocando carbono novo na atmosfera", afirmou.

A unidade de Cubatão é hoje o maior consumidor de gás natural do estado de São Paulo, sendo também o principal produtor de amônia do país.

Com a introdução do biometano, a empresa descarboniza parte de sua operação e consequentemente abre um potencial para impactar toda a cadeia que faz uso dos fertilizantes nitrogenados.

Globalmente, a Yara desenvolve outros projetos de amônia renovável baseados em energias solar e hídrica.

Roberto Samora