Cana: Plantio

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Yara vê parte de produtores em antecipação de compra de adubo após conflito no Irã


Agência Estado - Publicado: 13 Mar 2026 - 09:21

A Yara Brasil, fabricante de fertilizantes, vê parte dos produtores antecipando as compras de fertilizantes para a safra 2026/27 após o aumento dos preços internacionais dos adubos, impulsionados pela elevação do gás natural e pelo conflito no Irã.

“Após o início do conflito, vimos avanço nas compras em alguns mercados. Paraná e Mato Grosso do Sul estão mais acelerados, mas outros estados da região Sudeste, Centro-Oeste e Sul estão mais lentos nas compras”, afirmou o vice-presidente de marketing e agronomia da Yara Brasil, Guilherme Schmitz, ao Broadcast Agro durante os bastidores da Expodireto Cotrijal.

Ele acredita que se trata de um movimento pontual, com um pico de comercialização e depois reacomodação dos negócios, como foi visto na iminência da guerra entre Rússia e Ucrânia e Hamas e Israel.

Segundo Schmitz, o ritmo de compra de fertilizantes para a próxima safra está estável ante a temporada passada, mas retraído em relação à média de cinco anos.

“Produtores buscam entender as relações de troca e as rentabilidades esperadas para os cultivos. Produtores de culturas de inverno ainda observando a rentabilidade, com margens mais achatadas devido à relação entre custo de produção e preços de commodities, o mesmo quadro se observa na comercialização de adubos para a safra de soja, que está mais retraída”, analisou o vice-presidente da Yara.

Schmitz ainda aponta: “Dada a rentabilidade mais baixa dos grãos na comparação com o histórico das safras, agricultores postergam as compras aguardando melhores oportunidades de relações de troca”.

Para o vice-presidente de vendas da Yara Brasil, Diogo Rezende, o principal impacto da guerra no mercado de fertilizantes será o aumento do preço dos nitrogenados, após o gás natural ter subido cerca de 30%.

“Não temos fornecimento de ureia do Irã, mas há efeito em preços. Se a guerra perdurar, é difícil estimar até quando as empresas e o setor vão conseguir segurar o custo e não repassar integralmente”, apontou Rezende.

Ele mencionou que a companhia não repassou o aumento do preço dos nitrogenados observados desde o início da guerra no Irã ao valor final dos produtos da Yara. “O cenário agora é de incerteza e insegurança em dificuldade de oferta de matéria-prima e de custo de matéria-prima, visto que o Brasil ainda demanda importar boa parte dos seus fertilizantes”, disse.

Isadora Duarte
A jornalista viajou a convite da Bayer