2ª Geração

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Com Virdia, Stora Enso dá passo rumo à diversificação


Valor Econômico - Publicado: 24 Jun 2014 - 08:01 | Atualizado: 30 Nov -0001 - 21:00
A Stora Enso avançou na estratégia de diversificação dos seus negócios e redução do peso da área de papéis no faturamento com a compra da Virdia, empresa especializada no desenvolvimento de tecnologias de extração e conversão de biomassa em açúcares de alta pureza, anunciada ontem. Em uma operação que pode alcançar US$ 62 milhões, a companhia sueco-finlandesa levou 100% das ações da companhia americana e pode ter encurtado o caminho de acesso a novos mercados.

No ano passado, das vendas de € 10,5 bilhões da sueco-finlandesa, quase a metade foi proveniente do segmento de papel - a área de cartões, que segue em crescimento, não está computada nesse valor e gerou vendas de € 3,5 bilhões, e o restante é proveniente das vendas de celulose e produtos de madeira. Porém, há algum tempo, um dos principais objetivos do comando da Stora Enso tem sido a transformação da companhia para reduzir a exposição ao mercado de papel e desenvolver novas plataformas de negócios atreladas a mercados em expansão.

"Esse foi o primeiro passo para algo que pode ser muito significativo no futuro", disse ao Valor o vice-presidente executivo da divisão de Biomateriais da Stora Enso, Juan Carlos Bueno. Cada vez mais, diante da retração das vendas de papel nos mercados maduros em razão do avanço das mídias eletrônicas, a indústria global de papel e celulose tem se empenhado em desenvolver novos negócios a partir de sua base florestal. Nesse sentido, por exemplo, a Fibria, maior produtora mundial de celulose de eucalipto e sócia da Stora na produtora de celulose Veracel, comprou uma fatia na americana Ensyn, de biocombustíveis.

Na Stora Enso, a meta é desenvolver bioquímicos e biomateriais a partir de fonte renovável, que possam atender a uma ampla gama de indústrias, entre elas a de construção, química e alimentos. A área de biocombustíveis não interessa comercialmente neste momento. Conforme Bueno, o avanço do gás de xisto nos Estados Unidos, na avaliação da companhia europeia, retira o brilho de oportunidade desse produto. "Não vemos que esse seja um mercado onde vamos apostar", disse o executivo.

As tecnologias desenvolvidas pela Virdia permitem a separação da celulose, da lignina e da hemicelulose de diferentes tipos de biomassa. Esses subprodutos podem ser transformados em açúcares, que serão usados como insumos intermediários, de origem renovável, nas indústrias de construção, química, revestimentos, higiene pessoal e alimentos, entre outros. E ainda complementam a aposta da Stora Enso nas chamadas biorrefinarias, para produção de lignina - que pode substituir produtos a base de petróleo na obtenção de determinadas especialidades químicas, entre outras aplicações.

A primeira biorrefinaria da companhia recebeu investimento de € 33 milhões e deve entrar em operação em Sunila, na Finlândia, no início de 2015. "Essas novas tecnologias nos abrem oportunidades de entrar em mercados completamente distintos, que agora serão estudados", disse Bueno. A compra da Virdia envolve valor inicial, livre de endividamento, de US$ 33 milhões, com pagamento adicional potencial de US$ 29 milhões, conforme o cumprimento de determinadas metas tecnológicas e comerciais estabelecidas até 2017.

A expectativa é a de que os primeiros produtos obtidos a partir de alguma tecnologia da companhia americana cheguem a mercado em dois anos. Em alguns casos, a etapa de aprovações, rumo à produção em escala industrial, já está em curso. Os estudos e tratativas que culminaram na aquisição consumiram mais de seis meses e tiveram como ponto de partida a preocupação de não aproveitar toda a biomassa disponível. Considerando-se o processo tradicional de produção de celulose, explicou Bueno, cerca de metade do material proveniente da árvore é aproveitada. O restante é transformado em combustível, por meio de queima. "Diante disso, fomos em busca de tecnologias que proporcionem melhor aproveitamento da matéria-prima", disse.

De acordo com o vice-presidente da Stora Enso para América Latina, Otavio Pontes, essa disponibilidade de matéria-prima nas próprias fábricas da Stora reduz o investimento na implantação de novas tecnologias de conversão de biomassa. "Não é preciso grande investimento, uma vez que a corrente de matéria-prima já está lá", explicou o executivo.

Stella Fontes