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Vibra pede mudanças no RenovaBio e quer transferir metas a produtores e importadores

Maior distribuidora de combustíveis do país pediu ao MME que iguale responsabilidades entre distribuidoras, produtores e importadores


EPBR - Publicado: 03 Jun 2024 - 11:04

A Vibra está pedindo ao governo federal uma série de mudanças no programa RenovaBio, que na visão da empresa precisa de melhorias para ter maior efetividade. Entre as medidas, a maior distribuidora de combustíveis do país quer igualar responsabilidades entre distribuidoras, produtores e importadores.

O pedido faz parte da contribuição enviada pela Vibra para a consulta pública aberta pelo Ministério de Minas e Energia (MME) para discutir transição energética justa, inclusiva e equilibrada, caminhos para o setor de óleo e gás, e viabilizar a nova economia verde.

A empresa também pretende transferir as metas de créditos de descarbonização (CBios) aos produtores e importadores.

Em resumo, a Vibra defende:

  1. Adotar formas de promover o equilíbrio entre oferta e demanda de CBios, com o estabelecimento de prazo para os emissores ofertarem o título para venda
  2. Incentivar a certificação e emissão de CBios pelas novas rotas de combustíveis sustentáveis para aumentar a oferta do título
  3. Buscar pela integração do RenovaBio com o mercado de carbono permitindo o cumprimento de meta com créditos de carbono para gerar maior concorrência no mercado de CBios
  4. Igualar as obrigações de distribuidoras, produtores e importadores de fósseis nas vendas diretas para o consumidor final para eliminar as assimetrias concorrenciais
  5. Buscar formas mais efetivas para garantir o cumprimento das metas pelos agentes inadimplentes para eliminar as assimetrias concorrenciais
  6. Avaliar formas de transferir as metas de CBios aos produtores e importadores de combustíveis fósseis para tornar o programa mais sustentável e aplicar o princípio do poluidor pagador

Contexto

Desde que passou a valer no Brasil, em 2020, a obrigação para que as empresas compensem as emissões dos combustíveis fósseis que distribuem, o cenário macroeconômico atravessou diversas turbulências, com efeitos também sobre o funcionamento da nova política.

Em novembro do ano passado, um grupo formado pelas maiores distribuidoras do país retomou oficialmente a agenda de mudanças do programa de descarbonização do setor de combustíveis, alegando que o RenovaBio falhou em elevar a oferta de biocombustíveis e representa um peso nos consumidores de gasolina e diesel.

A frente batizada de Movimento + Bio é formada por Vibra, Ipiranga, e Brasilcom, federação que representa mais de 40 empresas com atuação regional. Ela pretende transferir a obrigação de CBios para as refinarias, além de transformar o RenovaBio em um mercado regulado de carbono compatível com outros setores.

As propostas foram entregues a Uallace Moreira Lima, secretário de desenvolvimento industrial, comércio, serviços e inovação.

Produtores

Os produtores de biocombustíveis defendem o RenovaBio. Na visão da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica), da Bioenergia Brasil e da Indústrias de Bioenergia de Mato Grosso (Bioind-MT), as propostas de reforma no RenovaBio descaracterizam a política de descarbonização a favor de interesses “meramente comerciais” e ignoram fatores externos que impactaram o mercado nacional de combustíveis.

Os produtores listam a pandemia de covid-19; a quebra de safra de cana-de-açúcar por questões climáticas; e intervenções federais no RenovaBio para rebater as críticas das distribuidoras. Também dizem que a política cumpre seus objetivos, apesar das adversidades políticas e econômicas.

Defesa do coprocessado

A Vibra também defende que a política para combustíveis sustentáveis deve buscar estabelecer um ambiente de competição isonômica entre as diversas rotas de produção, como HVO, biodiesel base éster, coprocessado e SAF.

“Evitando a criação de reserva de mercado ou subsídio para rotas específicas, o que dificulta o desenvolvimento e o aperfeiçoamento da indústria e dos produtos”, diz a empresa.

Esse é o mesmo pleito que vem sendo feito pela Petrobras, que defende o diesel coprocessado entre as alternativas para descarbonizar veículos pesados para fins de atendimento a metas ou mandatos dentro das políticas estabelecidas pelo Combustível do Futuro, em discussão no Senado.