Política

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Raízen e Vibra estão entre empresas que mais descumprem frete mínimo, diz Renan Filho

Governo anunciou medidas de punição que começam a valer a partir de hoje, 18


Reuters - Publicado: 18 Mar 2026 - 15:46 | Atualizado: 19 Mar 2026 - 07:58

MBRF, Raízen, Cargill, Vibra e Ambev estão entre as empresas que mais descumpriram o frete mínimo nos transportes no Brasil nos últimos quatro meses, disse nesta quarta-feira, 18, o ministro dos Transportes, Renan Filho, ao anunciar medidas para endurecer a fiscalização contra esse descumprimento.

Em entrevista coletiva em Brasília, o ministro disse ainda que o governo vai adotar medidas para que as empresas que reiteradamente descumprem o frete mínimo sejam impedidas de contratar frete e transportar, citando que a lógica é a mesma adotada em relação aos devedores contumazes de tributos.

Em nota, a Raízen disse que tem relação contratual com grandes empresas e não faz uso de transporte autônomo. Disse ainda que o cálculo para o pagamento do frete é baseado em dois componentes, o fixo e o variável.

“Entendemos que esta fiscalização está considerando apenas um dos componentes e não o frete total pago nas operações”, afirmou a companhia.

A Vibra disse que contrata os fretes por meio de processos “transparentes e alinhados às práticas de mercado”.

“A empresa esclarece ainda que os valores que paga em fretes são estruturados a partir de componentes fixos e variáveis, que não podem ser avaliados de forma separada para comparação do valor total”, acrescentou a empresa em nota.

As demais empresas citadas pelo ministro não responderam de imediato a pedidos de comentários enviados pela Reuters.

O anúncio do governo ocorre depois que caminhoneiros de diferentes setores defenderam na terça-feira, 17, uma paralisação nacional da categoria após o aumento no preço do diesel nos postos do país nas últimas semanas, com entidades que representam a categoria buscando que os motoristas cruzem os braços já nesta semana. A mobilização ainda envolve empresas transportadoras, que também são afetadas pela alta nos preços do diesel.

O movimento ocorre após o preço médio do diesel S-10, o tipo mais vendido no Brasil, subir 18,86% no país desde 28 de fevereiro, quando começou a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, impactando os mercados globais de petróleo e combustíveis, apontou na terça-feira o painel online ValeCard. O preço do diesel comum teve alta ainda maior no mesmo período, de mais de 22%, enquanto a gasolina avançou 10% e o etanol hidratado subiu quase 9%.

Eduardo Simões