Financeiro

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Vibra eleva lucro a R$ 3,3 bilhões no quarto trimestre de 2023, mas perde fatia de mercado


Reuters - Publicado: 05 Mar 2024 - 08:14

A Vibra registrou lucro líquido de R$ 3,3 bilhões no quarto trimestre do ano passado, superior ao resultado de R$ 566 milhões no mesmo período do ano anterior, em meio a recuperações tributárias, apesar de uma queda nas vendas de combustíveis, informou a empresa nesta segunda-feira, 4.

Tradicionalmente a maior companhia do setor de distribuição de combustíveis no país, a Vibra alcançou ainda lucro líquido de R$ 4,766 bilhões em 2023, o maior resultado anual desde sua abertura de capital, em 2017.

“Esse resultado recorde tem como base um melhor desempenho operacional, melhor resultado financeiro e, ainda, recuperações tributárias ocorridas no período”, disse a Vibra em relatório de resultados.

No quarto trimestre, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado – excluído o valor de recuperação tributária extraordinária de R$ 2,6 bilhões – somou R$ 2,3 bilhões, aumento 54,5% na comparação ano a ano.

Os ganhos no quarto trimestre foram registrados apesar de uma redução no volume de combustíveis vendidos (-8,7%) e nas receitas ajustadas de vendas (-3,1%), para 9,17 bilhão de litros e R$ 43,8 bilhões, respectivamente.

A companhia apontou que a redução do volume vendido de combustíveis se deu em meio a uma nova dinâmica de suprimento do mercado brasileiro de diesel, o combustível mais vendido do país, que contou com importações do produto russo de preço mais baixo, como consequência da guerra na Ucrânia.

“Neste novo ambiente de negócios, a Vibra buscou se posicionar de forma diferenciada em um primeiro momento, optando por não importar diesel russo, buscando ampliar suas compras no mercado nacional, sob o entendimento de que o suprimento nacional tende a ser o mais competitivo, em médio e longo prazos”, disse a Vibra.

A companhia acrescentou: “Embora o diesel russo tenha apresentado momentos como uma alternativa muito vantajosa de suprimento, a Vibra agiu com diligência buscando se qualificar como importadora desse produto, estabelecendo processos e governança para garantir que essas importações sejam feitas dentro das regras internacionais estabelecidas para derivados dessa origem”.

Segundo a companhia, uma perda de participação de mercado da Vibra, ao longo de 2023, é consequência direta da nova dinâmica de importações de diesel pelo país, notadamente com o advento das importações de diesel da Rússia.

Além disso, a abordagem da companhia buscando maior rentabilidade e privilegiando os clientes diretos B2B e a rede embandeirada também explica a perda de market share.

No quarto trimestre, a participação no mercado passou a 24,8%, queda de 3,5 pontos percentuais na comparação ano a ano. Observando a média anual de 25,9% de participação, houve uma redução de 2,4 pontos percentuais em relação à média de 2022.

A companhia afirmou ainda que o “atual nível de participação no mercado é atípico, influenciado pela conjuntura do mercado no período” e que tem “expectativa de que parte desse market share retorne gradualmente”.

“Já restabelecemos a nossa competitividade através de um melhor equilíbrio entre importações de diesel e aquisições no mercado nacional”, concluiu.

A Vibra informou ainda que está propondo o pagamento de R$ 1,6 bilhão entre dividendos e juros sobre capital próprio, o que representa um uma distribuição de cerca de 8,6%.

Patricia Vilas Boas e Roberto Samora