As usinas sucroenergéticas nordestinas estão se preparando para a safra 2016/17 com perspectiva de retomada. A expectativa para a temporada, que começa oficialmente em setembro na região, é de um volume maior de processamento de cana na comparação com 2015/16. O otimismo é explicado por um fator principal: o clima.
A melhora vinda pelo clima já havia sido apontada por uma série de consultorias nos últimos meses. A INTL FC Stone, em estudo sobre como o La Niña influenciará a safra brasileira, indicou que o Nordeste, diretamente afetado pelo El Niño, verá no La Niña um impacto mais definido e positivo.
Antes mesmo disso, entre agosto e setembro, o desenvolvimento da cana-de-açúcar também deve ser beneficiado, pois há chance de aumento das chuvas. Segundo a consultoria, a perspectiva é que a produção aumente em relação a temporada 2015/16 – mas ela não deve chegar aos níveis alcançados no ciclo 2014/15.
A União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) avalia que no ciclo 2015/16 foram processadas na região 51 milhões de toneladas de cana. Para a próxima temporada, estima-se que haverá um incremento de 1 milhão de toneladas.
No cálculo do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar/PE), a recuperação prevista é ainda mais robusta. Considerando também o processamento do Norte do país, as usinas das duas regiões deverão moer em torno de 53 milhões de toneladas de cana na temporada 2016/17. O número representa um aumento de 8% após uma moagem de 49 milhões de toneladas no ciclo passado. Porém, é importante frisar que a participação das usinas do Norte não ultrapassa 500 mil toneladas de cana.

Essa previsão do Sindaçúcar/PE está próxima da estimativa recentemente lançada pela Datagro, que projetou que as usinas do Nordeste deverão processar 53,5 milhões de toneladas de cana. Anteriormente, a projeção era de 50 milhões.
Mesmo com esse aumento, assim como acontece com o previsto pela ITL FCStone, o volume ainda deverá ficar aquém do total processado na temporada 2014/15, que chegou a 61 milhões de toneladas de cana. "O ideal seria que esse regime de chuvas estivesse associado a um nível de capitalização que não há para adubação e tratos culturais", afirmou o presidente do Sindaçúcar/PE, Renato Cunha, ao Valor Econômico.
Em termos de investimentos e melhoria técnica, o setor sucroenergético do Nordeste vive o mesmo cenário do restante do país, com poucos recursos para investir nas plantações e na indústria. Apesar da recuperação das cotações do açúcar no mercado internacional, na visão de Renato Cunha é preciso que o produto se mantenha valorizado por várias safras para que as usinas recomponham seus caixas e voltem a investir na atividade.
"É preciso de três a cinco anos de estabilidade no mercado de açúcar e de rigor no mercado de etanol", avaliou o presidente do sindicato pernambucano. Contudo, ele emenda: “[o comércio de etanol] não está bom porque o consumo tem caído”.
Como ocorre no Centro-Sul, as usinas nordestinas também tendem a dar mais ênfase ao açúcar na safra 2016/17, de modo a capturar a forte alta de preços do produto. Assim, a fabricação da commodity no Nordeste tende a crescer em uma proporção maior do que o processamento de matéria-prima. A estimativa do Sindaçúcar/PE é que a produção de açúcar chegue a 3,3 milhões de toneladas, uma alta de 26%.
Ainda que essa estimativa se confirme, a produção ficará menor do que a registrada na safra 2014/15, quando alcançou 3,57 milhões.
Já a produção de etanol (anidro e hidratado) deve aumentar apenas 5%, indo para 2,1 bilhões de litros. Esse volume também fica aquém do contabilizado em 2014/15, quando o Nordeste alcançou 2,28 bilhões de litros. Dessa forma, a oferta regional do biocombustível continuará abaixo da demanda, com um déficit de 700 milhões de litros pela estimativa do sindicato pernambucano.
novaCana.com
Com informações do Valor Econômico