Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 28 de maio a 3 de junho:

Os valores do etanol caíram em 20 estados e os da gasolina tiveram baixa em 19 unidades da federação
O consumo do biocombustível é considerado economicamente vantajoso somente em Mato Grosso
O preço do etanol hidratado teve baixa nas usinas mato-grossenses e alta nas goianas e paulistas
Levantamento de preços da ANP foi realizado em 438 cidades brasileiras, oito a mais do que o visto na semana anterior
Pela quarta semana consecutiva, os preços do etanol e da gasolina caíram na média dos postos brasileiros, conforme números divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Entre 28 de maio e 3 de junho, o valor médio do biocombustível teve uma retração de 1,8%, de R$ 3,84 por litro para R$ 3,77/L. Já o de seu concorrente fóssil diminuiu 1%, de R$ 5,26/L para R$ 5,21/L. A queda ainda reflete as reduções feitas pela Petrobras em maio.
Entretanto, com as mudanças anunciadas para o ICMS, que agora passa a valer com uma alíquota única para todos os estados, é possível que a gasolina volte a subir na próxima semana.
Além disso, apesar das consecutivas quedas, o renovável segue em desvantagem comercial. De acordo com a ANP, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil nos postos foi de 72,4% na média nacional, inferior aos 73% de uma semana antes. Assim, o índice supera o limite considerado economicamente vantajoso para o biocombustível, de 70%.
Os valores correspondem a um levantamento feito pela ANP em 438 cidades, incluindo a maioria das capitais brasileiras.
Nas médias estaduais, o etanol é competitivo somente em Mato Grosso.

Nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 2,5282/L para R$ 2,571/L. A alta foi de 1,7%, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Além disso, houve aumento de 1,4% nas produtoras goianas e queda de 0,8% nas mato-grossenses.
Em relação ao valor nos postos, a amostragem de municípios tem mudado a cada análise. No período mais recente, a pesquisa foi feita em 438 cidades, oito a mais do que na semana anterior.
Segundo a ANP, de 28 de maio a 3 de junho, os preços do etanol caíram em 20 estados, subiram em dois e no Distrito Federal e ficaram estáveis em quatro. Já os da gasolina tiveram baixa 19 unidades da federação.

Em São Paulo, o biocombustível teve redução de 2,4%, custando R$ 3,63/L em média. Já a gasolina foi vendida a R$ 5,07/L, baixa de 1,2% no comparativo semanal. Com isso, a relação entre os preços ficou em 71,6%; o resultado não é economicamente favorável ao renovável.
Já em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 3,79/L, queda de 1,6%. A gasolina, por sua vez, caiu 1%, para R$ 5,22/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 72,6%, desfavorável ao etanol ainda que abaixo do valor visto no período anterior.
Por sua vez, Minas Gerais registrou uma queda de 2,1% no preço médio do etanol, para R$ 3,65/L, enquanto a gasolina reduziu 0,8%, para R$ 5,02/L em média. Desta forma, o renovável custou o equivalente a 72,7% do preço do combustível fóssil, permanecendo sem competitividade.
Em Mato Grosso, o preço médio do etanol caiu 2%, para R$ 3,52/L – o menor valor entre todos os estados. No período, a gasolina ficou estável em R$ 5,24/L. Com isso, a relação entre os preços ficou em 67,2%, índice abaixo do visto uma semana antes, quando era de 68,5%, e ainda a relação mais vantajosa para o biocombustível do país.
Já em Mato Grosso do Sul, o etanol caiu 0,8%, para R$ 3,81/L. A gasolina, por sua vez, manteve o preço de R$ 4,94/L. Assim, o valor biocombustível correspondeu a 77,1% do preço de seu concorrente fóssil, em um índice abaixo do observado na semana anterior, mas ainda na mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país.
Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 76,7% do preço da gasolina. No período, o renovável caiu 1%, para R$ 4,09/L, enquanto a gasolina baixou 0,6%, para R$ 5,33/L.

Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.
No ano passado, os dados estaduais de preços dos combustíveis referentes à semana de 18 a 24 de setembro não foram divulgados pela ANP e, portanto, não puderam ser comparados. Isso ocorreu, conforme a agência, por conta do fim do contrato com a empresa que realizava o levantamento de preços de combustíveis, em 13 de setembro.
Nas semanas de 25 de setembro a 1º de outubro e de 2 a 8 de outubro, foram divulgados números apenas das capitais brasileiras. Nos períodos subsequentes, outras cidades passaram a elencar a pesquisa, sendo que o levantamento mais recente totalizou 438 municípios.
Atualmente, a empresa contratada pela ANP para a realização do levantamento é a Triad Research Consultoria e Pesquisa de Mercado. A vigência do acordo começou em 26 de setembro de 2022 e o cronograma prevê um crescimento gradual da amostragem, atingindo 459 municípios até 16 de abril deste ano, algo que não foi cumprido.
Giully Regina – NovaCana