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Após cogitar vender usinas, Bunge vê melhoras para 2015

bunge vagao 190215A empresa, que no ano passado cogitou vender os ativos de açúcar no país, agora vê na produção e comercialização do adoçante “um negócio estável”

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O presidente global da empresa, Soren Schroder, e o diretor financeiro da companhia, Andrew Burke, fizeram questão de ressaltar as perspectivas para o negócio de açúcar e etanol em 2015. E, para mostrar como a empresa está posicionada para aproveitar o melhor momento, comentaram sobre os focos estratégicos e os resultados práticos do aumento no preço da gasolina.

A empresa, que no ano passado cogitou vender os ativos de açúcar no país, agora vê na produção e comercialização do adoçante “um negócio estável”. 

Mesmo com um prejuízo operacional acumulado de U$ 216 milhões nos últimos dois anos, a Bunge, que opera oito usinas de açúcar e etanol no país, está otimista quanto à performance de seus negócios no Brasil e espera fechar 2015 no azul.

O otimismo é reflexo de “melhores” condições de mercado para o segmento sucroalcooleiro e de políticas de incentivo ao etanol, como a volta da Cide e o aumento da mistura obrigatória de anidro na gasolina, de 25 para 27%.

“O ambiente de negócios para o etanol melhorou no Brasil. A instituição da Cide e o aumento da mistura, de 25 para 27%, trazem melhores margens [para o negócio]”, disse na semana passada, durante conference call com analistas, o diretor financeiro da companhia, Andrew Burke.

A aposta da companhia é que o recente aumento no preço da gasolina permanecerá por um bom tempo, trazendo assim maior sustentação para o etanol.

Nas contas do presidente global da companhia, Soren Schroder, a volta da Cide deverá trazer um impulso de R$ 150 a R$ 275 por metro cúbico nos preços do combustível de cana. “Isso significa que o consumo de etanol vai melhorar significativamente a medida em que a paridade de preços ao consumidor nas bombas for mais favorável”, projetou.

“Negócio estável”

A empresa, que no ano passado cogitou vender os ativos de açúcar no país, agora vê na produção e comercialização do adoçante “um negócio estável”.

Sem mencionar detalhes ou números da operação, Schroder afirmou durante o conference call com analistas que os negócios de açúcar da companhia estão “estáveis” e que a perspectiva para o Brasil “melhorou”.

“As atividades de trading de açúcar terminaram um ano positivo e estamos muito felizes com as perspectivas de crescimento para esta atividade”, acrescentou.

Durante o ano de 2014, a Bunge fez hedge de boa parte das suas vendas de açúcar “a níveis aceitáveis”, disse Burke, ao justificar o otimismo da empresa com o adoçante.

“Como resultado [das nossas operações de hedge], esperamos que o negócio de açúcar seja modestamente lucrativo e tenha um fluxo de caixa positivo em 2015”, adiantou Burke.

Estratégia do momento

A confiança de que a Bunge conseguirá aproveitar o melhor momento de 2015 está apoiada nos programas de redução de custos e aumento de produtividade, na estratégia de hedge de açúcar adotada pela empresa e na crença de que as margens obtidas no negócio de cogeração serão mais elevadas.

“O objetivo de reduzir nossa exposição ao setor brasileiro de cana-de-açúcar não mudou. Nosso foco está em melhorar as operações e alcançar nossos alvos financeiros de curto prazo. O negócio está estável. Tivemos avanços significativos em aumentar a eficiência agrícola e reduzir custos fixos. Isso tudo, somado à melhor perspectiva de preços para o etanol no Brasil, fortes margens para a cogeração e hedge de açúcar, aumenta nossa confiança de que 2015 será um ano de mais melhoras”, garantiu Schroder.

Assim como em anos anteriores, a Bunge projeta resultados “sazonalmente mais fracos” no primeiro semestre do ano.

Leonardo Siqueira – NovaCana

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