Estudo de pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) publicado no International Journal of Hydrogen Energy aponta que vender hidrogênio verde para setores como transporte ou indústria é mais lucrativo do que transformá-lo novamente em energia.
Outra saída é exportar o produto. “A Europa está de olho no Sul global, em países com grande potencial de fontes renováveis como Brasil e África do Sul. Nesse sentido, podemos ocupar uma posição de protagonismo mundial ao fechar parcerias para fornecer hidrogênio verde a outras nações”, aponta a coautora do estudo, Drielli Peyerl.
Com as emissões de CO₂ atingindo recordes nunca experimentados pela humanidade, hoje 50% acima dos níveis pré-industriais, é preciso correr para viabilizar novas fontes de energia – e o hidrogênio verde está entre as grandes apostas para reduzir a dependência de fósseis.
Alguns países como China, Alemanha e Chile já estão desenvolvendo suas estratégias. O Brasil ensaia os primeiros passos, enquanto acumula anúncios de memorandos de entendimentos para hubs de hidrogênio nos portos.
A nova pesquisa avalia a viabilidade econômica dos sistemas híbridos eólico e solar para produção e armazenamento de hidrogênio conectados ao Sistema Interligado Nacional (SIN). E conclui que o custo só será competitivo com novos sistemas dedicados em tempo integral à produção e armazenamento de hidrogênio.
Além disso, o processo completo, que envolve a produção, armazenamento e, por fim, a transformação do hidrogênio verde de volta em energia não é o mais lucrativo do ponto de vista econômico, porque essa última etapa implica na adoção de sistemas a célula combustível, o que encarece o processo.
“O ideal é a usina operar acima de 3 mil horas com eletrolisadores ao custo de 650 dólares por kWe. Quanto maior o número de horas que a planta estiver dedicada à produção de hidrogênio, maior é a viabilidade econômica do projeto”, explica Peyerl.
Na elaboração do estudo, as pesquisadoras analisaram as duas maiores usinas em funcionamento no país para construir um modelo econômico: o complexo eólico Baixa do Feijão, no Rio Grande do Norte, e o complexo Sertão Solar Barreiras, na Bahia.
Algumas conclusões:
Nayara Machado