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Variedades de sorgo com maior teor de amido trazem competitividade para usinas

Análise da Novonesis aponta para possibilidade de extração de até 424 litros de etanol por tonelada em combinação de milho e sorgo


NovaCana - Publicado: 01 Out 2025 - 11:56 | Atualizado: 02 Out 2025 - 17:55
Variedades de sorgo com maior teor de amido trazem competitividade para usinas

Em busca de flexibilidade nas operações de etanol de grãos, palestrantes abordam uso do sorgo

“Um dos serviços técnicos que a Novonesis presta é a análise de matéria-prima – e passamos a receber muito sorgo. Teremos ainda mais coisas a falar sobre essa matéria-prima em um ano, mas já batemos uma centena de amostra de sorgo em 2025”.

O relato é do gerente de desenvolvimento de negócios da empresa de biotecnologia, Rafael Piacenza, que apoia as usinas para incrementar as extrações de etanol, grão seco de destilaria (DDG) e óleo por meio de enzimas e leveduras geneticamente melhoradas. Nesta quarta-feira, 1º, ele falou durante a 11ª edição do Teco Latin America.

Piacenza aponta que qualquer matéria-prima utilizada para produção de etanol somente será viável com a aliança entre a competitividade para a indústria e a atratividade no campo, ou seja, é preciso remunerar nestes dois elos da cadeia.

Para isso, ele observa que, em geral, enquanto o milho tem um teor de amido de entre 70,5% e 73,5%, o teor do sorgo varia entre 65% e 68%, ambos em base seca. Assim, conforme a análise da Novonesis, uma planta com 93% de eficiência global poderia extrair 430 litros de etanol de milho ou de 383 L a 400 L a partir do sorgo.

Porém, os números mais recentes da empresa de biotecnologia, obtidos com amostras de sorgo do último ano, apresentaram resultados mais favoráveis. Em uma combinação de milho e sorgo, a usina poderia atingir até 424 L, algo considerado positivo pelo setor.

Com isso, a presença de sorgo impacta no faturamento da operação, segundo a Novonesis. No caso de um milho com teor de 73% de amido, o faturamento seria de R$ 1.703 por tonelada de matéria-prima; para um sorgo com teor de 65% de amido, o valor cairia para R$ 1.546/t.

Já considerando um teor de amido no sorgo de 72%, o valor é um pouco superior, indo a R$ 1.621/L. Neste caso, a ausência da extração do óleo é considerado o principal fator para o menor rendimento.

O gerente de negócios e de desenvolvimento de mercado da Katzen, Hugo Morais, concorda que não é possível recuperar o óleo de sorgo “com facilidade”.

Ele detalha que existem empresas que estão adicionando de 20% a 25% de sorgo na produção, mas não é usado um volume maior para que não haja impacto na recuperação do óleo de milho: “É nossa recomendação básica”. Apesar disso, reitera que é possível chegar a 100% de sorgo, mas é preciso ter alguns cuidados adicionais no processo produtivo.

Mesmo assim, Morais crê que o sorgo com uma boa quantidade de amido, aliado ao valor mais baixo da matéria-prima, pode ser interessante. “Vai ser mais relevante em regiões mais secas, onde o milho tem menos viabilidade”, detalha.

Ele aponta que a produção de sorgo no Brasil ainda é “tímida”, com cerca de 6 milhões de toneladas por safra, mais concentrada no Centro-Oeste e Matopiba – acrônimo para Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A título de comparação, cita que a produção de milho é de cerca de 139 milhões de toneladas.

O diretor de originação da Agrícola Alvorada, Marcelo Pires, reitera que o sorgo é plantado aproveitando janelas produtivas do milho, especialmente considerando questões climáticas, em que o produtor não vai se arriscar produzindo o milho.

Pires diz que a Agrícola Alvorada foi concebida com o intuito de ter o sorgo como parte da matéria-prima, usando 20% da capacidade da planta. “Estamos desenvolvendo o mercado em torno da usina. Fomos a campo para fomentar a produção do sorgo”, afirma.

Mas ele completa que há dificuldade de conseguir produção de larga escala, pois a demanda não é tão homogênea. “A problemática [da cultura] historicamente é de quem vai receber e comprar o sorgo. Há uma dificuldade no campo de quem seria o player que daria liquidez à produção de sorgo”, observa.

O sorgo nos EUA

A experiência dos Estados Unidos com a utilização do sorgo como matéria-prima para o etanol também foi exposta durante o evento. Segundo o diretor-executivo da National Sorghum Producers, Matt Durler, assim como no Brasil, os EUA têm muitas diferenças em precipitação, altitude, umidade, entre outros fatores.

Com isso, Texas e Kansas são os principais estados de produção de sorgo, considerado muito tolerante a climas secos e capaz de se integrar bem com áreas de pecuária. “É muito durável em anos de estiagem, sendo mais resistente”, explica.

Apesar do milho e do sorgo terem muitas semelhanças, eles possuem algumas diferenças relevantes e que precisam ser levadas em conta. “À medida que conseguimos soluções biotecnológicas melhores, com enzimas e leveduras, conseguimos resultados melhores, aliando sorgo e milho na planta”, relata.

Durler complementa que há muita diferença na recuperação do óleo, com algumas empresas avaliando que manter o sorgo na produção até mesmo ajuda na produção do óleo de milho.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana
Conteúdo patrocinado pela Novonesis