A vantagem do açúcar sobre o etanol aumentou no último ano em relação ao anterior. Entre abril e dezembro do último ano, o alimento remunerou, em média, 32% a mais que o anidro e 35% a mais que o hidratado do ponto de vista das usinas paulistas. Em 2014 (abr-dez), a vantagem média foi de 20% e 27%, nessa ordem, segundo dados do Cepea.
Em 2015, devido a condições financeiras desfavoráveis à estocagem do etanol – altas taxas de juros para armazenamento oferecidas pelo BNDES – e também aos preços baixos do açúcar até final de agosto, o ritmo de venda do hidratado foi mais acelerado. De abril a dezembro, usinas paulistas venderam (spot) 24,5% mais etanol hidratado que no mesmo período de 2014. Em setembro, foi negociado o maior volume mensal, período em que o preço médio foi R$ 1,2734/litro. Para o anidro, em função da Resolução nº 67 da ANP, que determina a venda via contratos no início de cada safra, o volume entre os dois anos ficou bem próximo.
Na ponta varejista, as vendas brasileiras de etanol hidratado cresceram 37,5% no comparativo de 2015 inteiro com 2014, segundo dados da ANP – foram consumidos 4,9 bilhões de litros a mais. As vendas de gasolina, por outro lado, recuaram 7,3% no mesmo período, o que significa 3,23 bilhões de litros a menos. Ou seja, a redução do consumo do combustível fóssil foi mais que compensada pelo aumento do etanol.
Na última semana, cálculos do Cepea mostram que o açúcar cristal remunerou 32% a mais que o anidro e 37% a mais que o hidratado no mercado paulista. Comparando-se os dois tipos de etanol, o anidro remunerou 4% a mais.
O preço médio do etanol anidro que seria equivalente ao do açúcar cristal foi calculado em R$ 2,7582/litro (sem impostos) em igual intervalo. Para obter equiparação com o açúcar, o hidratado precisaria ter tido média de R$ 2,5950/litro (sem impostos) e, o anidro, de R$ 1,9780/litro (sem impostos).
Na última semana, apesar da proximidade do recesso de carnaval, houve poucos negócios. A demanda esteve baixa, mas a oferta também foi limitada - muitas usinas têm volumes relativamente pequenos em estoque –, favorecendo a sustentação dos preços.
O Indicador Cepea/Esalq do hidratado foi de R$ 1,8922/litro (sem impostos) entre 1º e 05 de fevereiro, alta de 1,99% em relação à semana anterior. Referente ao anidro, o Indicador Cepea/Esalq foi de R$ 2,0950/litro (sem impostos) na última semana, elevação de 1,63% sobre o período anterior.
O Indicador diário do hidratado Esalq/BM&FBovespa posto Paulínia subiu 0,71% ao serem comparadas as duas últimas sextas-feiras, fechando a R$ 1.836,00/m3 no dia 5.
No mercado internacional, o contrato de etanol anidro combustível desnaturado (primeiro vencimento – Março/16), na Bolsa de Chicago (CME/CBOT), subiu 0,70% entre 29 de janeiro e 05 de fevereiro, com a média semanal a US$ 1,4200/galão (US$ 373,17/m3). Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato futuro de crude oil com vencimento em Março/16 teve média semanal de US$ 31,28/barril, queda de 4,52% comparando-se as últimas duas sextas-feiras.
Em janeiro, o volume exportado de etanol (anidro e hidratado) somou apenas 119,9 milhões de litros, redução de 58,2% frente ao de dezembro, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Frente ao mesmo período de 2015, o volume diminuiu 22%. No acumulado da temporada atual (abr-jan), foram 1,65 bilhão de litros embarcados ante os 1,22 bilhão do mesmo período da safra anterior.