Açúcar: Mercado

Açúcar: Mercado

Valorização do real e clima devem manter mercado de açúcar em alta

Em seu mais recente relatório, consultoria hEDGEpoint trouxe os principais pontos de atenção que podem afetar os contratos de longo prazo


NovaCana - Publicado: 19 Abr 2023 - 15:40

O mercado de açúcar vem testemunhando altas históricas em seus preços futuros. Na terça-feira, 18, os contratos do adoçante bruto com fechamento em maio encerraram o dia a 24,54 centavos de dólar por libra-peso, renovando máximas.

Segundo a consultoria hEDGEpoint, em relatório semanal divulgado na segunda-feira, 17, o mercado está envolto por um sentimento altista. O documento é assinado pela analista Livea Coda.

Entre os fatores para que as negociações de açúcar tenham encontrado suporte acima dos 23 centavos de dólar por libra-peso, a analista aponta as fracas perspectivas de grandes produtores açucareiros asiáticos, como Índia, China e Tailândia.

Além disso, de acordo com ela, o resultado da safra 2022/23 no Centro-Sul ficou abaixo do esperado em pelo menos 2 milhões de toneladas. Para completar, as chuvas estão atrasando o começo da nova temporada, ajudando a dar suporte ao cenário altista.

O que esperar

Em relação aos próximos dias, Coda acredita que existem dois principais pontos de atenção: a valorização do real perante o dólar e o clima.

A moeda brasileira chegou a ser cotada abaixo de R$ 5 por dólar. De acordo com a analista, isso contribuiu para parte dos resultados observados nos preços do adoçante, uma vez que o mercado poderá precisar compensar a perda de receita final dos produtores.

Já em relação ao clima, ela observa que a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) atualizou a previsão quanto ao El Niño. A expectativa agora é moderada já nos meses de abril, maio e junho.

O fenômeno, que costuma trazer mais chuvas para o Centro-Sul, afeta também as monções na Índia, pois aumenta a probabilidade de um clima seco na Ásia. Segundo Coda, isso pode ser intensificado quando combinado com o Dipolo do Oceano Índico (IOD, na sigla em inglês). O fenômeno oceanográfico, por sua vez, já foi confirmado pelo Bureau of Meteorology da Austrália.

“Portanto, a produção total da próxima temporada do hemisfério norte pode sofrer reduções, adicionando suporte à atual estrutura de spread, especialmente em março-maio de 2024”, explica a analista.

Ela ainda aponta que esses relatos trazem preocupação para a temporada brasileira de 2023/24 e podem impactar os contratos de julho e outubro. A perspectiva é que estes futuros também acabem acima dos 23 centavos de dólar por libra-peso.

Giully Regina – NovaCana